Luciano Huck poderá concorrer à presidência pelo Cidadania, diz presidente do partido

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(Mauricio Santana/Getty Images)   (Mauricio Santana/Getty Images) 
Ao que tudo indica, o apresentador de TV e empresário Luciano Huck será candidato à presidência em 2022. Nos bastidores, já realiza reuniões de articulação política e monta equipe. Nesta semana, participou do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Segundo interlocutores próximos do apresentador, o anúncio oficial e a filiação ainda não aconteceram por conta do contrato com a TV Globo.
As discussões de filiação estão avançadas com o Cidadania (novo nome do antigo PPS). Em conversa com o Portal Yahoo, o presidente do partido, Roberto Freire, não confirma a provável filiação de Huck, mas já fala sobre como o partido está se preparando para um “protagonismo eleitoral” em 2022. 
Ex-membro do Partido Comunista, Freire tece duras críticas ao “obscurantismo” do governo Bolsonaro e afirma que o Cidadania reúne a “vanguarda da política: liberais, sociais democratas e os verdes”. 
Roberto Freire já exerceu sete mandatos como deputado federal e foi senador, além de ministro da Cultura no governo Michel Temer. 

Yahoo – Como estão as negociações com o apresentador Luciano Huck? Já está certa a filiação dele ao partido?
Freire – Ainda não está certa. A conversa com ele começou em 2017. Teve um momento em que ele nos procurou. Fez uma avaliação, caso fosse se candidatar, e ele tinha o PPS como uma alternativa, porque não tinha nenhuma implicação com a Lava Jato. E esse diálogo continuou, em 2018 e 2019, nos aprofundamos, e a perspectiva da candidatura do Luciano se mostra hoje com maior consistência. 

Nada ainda decidido, ele ainda não é candidato. Mas há uma possibilidade e nós estamos trabalhando. Mas tem um dado que é importante, que ele não é apenas um bom apresentador de televisão. Ele realmente tem boa formação intelectual e acadêmica, tem uma boa visão de política e tem uma coisa muito importante, ele compreende bem a realidade brasileira, a ponto de ser destacada sua preocupação com as desigualdades e as injustiças da sociedade brasileira. 

O que é uma coisa que poucos estão falando. Há um setor liberal da sociedade que acha que o grande problema do país é o Estado, que é um ‘monstrengozinho’, mas não é o grande problema. O grande problema é ainda sermos uma sociedade de miseráveis, de oprimidos e de uma pobreza indigna. E Luciano tem uma visão muito clara disso. Ele tem muito a oferecer, não só sua popularidade.

Yahoo – O Cidadania se coloca como um partido de centro? De direita ou de esquerda?
Freire – Os referenciais estão conturbados. Mas para não fugir da pergunta, o Cidadania é um partido de centro-esquerda. Tenta hoje aquilo que é o bom diálogo do século XXI, entre sociais democratas, o que nós representamos, os originários do velho PCB, e liberais progressistas, que estão aí no limiar da nova sociedade. 

Você vê, por exemplo, os partidos tradicionais da esquerda não são capazes de entender essa sociedade das redes, da robotização, da inteligência artificial. Um exemplo é defender a estatização do sistema financeiro, dos bancos. Como, se hoje essas instituições estão na nuvem, não têm estrutura física, nem regulação de algum banco central?

Eles estão prisioneiros de realidades que estão deixando de existir, pela emergência dessa nova sociedade, das novas organizações, novas relações sociais, novas relações de trabalho, nova forma de produzir riqueza. Eu sempre lembro da Revolução Industrial, quando uma parte da esquerda se revoltou com as mudanças e criou o movimento dos ludistas, que quebravam as máquinas. Hoje, alguns querem quebrar o mundo digital.

Precisamos afirmar neste futuro os valores de solidariedade, da busca da igualdade, da justiça, da liberdade, que são valores que sempre tiveram presentes no pensamento progressista e de esquerda. E é isso o que o Cidadania pretender fazer nesse novo mundo, tendo como companhia os liberais e os verdes. A sustentabilidade é muito importante. Temos conversas com a Rede, o PV.

Cidadania tenta dizer, portanto, que essas três forças (sociais democratas, liberais e verdes) têm que estar em diálogo para esse mundo do futuro.

Yahoo – O partido tem mostrado uma preocupação em renovar o pensamento político-partidário. Realizou uma alteração no estatuto para abrigar os movimentos de renovação.
Freire – Não dá para imaginar que as relações sociais vão mudar, e as instituições vão permanecer as mesmas. Como era que se formavam lideranças políticas, sendo o partido a expressão maior dessa atividade política? Era a formação de lideranças sindicais, profissionais, estudantis, de bairros... Agora, esse mundo das redes está criando outras formas em que surgem essas lideranças. 

Fonte: Yahoo!

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