NOSSOS DIREITOS: Eu sou feminista. O que é feminismo para você?

Postado por: Janaína Leite Portella

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Se você acredita na igualdade entre homens e mulheres, você é um feminista!
Tenha orgulho de ser feminista. Defender a igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres é, no mínimo, sinal de inteligência e decência, pois nós – homens e mulheres – não desejamos a discriminação de nossas mães, filhas, amigas, amores, no ambiente laboral, nas relações sociais, no cotidiano da vida doméstica, no mundo contemporâneo que prega a rejeição à violência.
A Constituição Federal no art. 5º, I, preceitua que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;”.
Para clareza inicial da terminologia, que por vezes é tida por alguns como um palavrão, buscamos no dicionário Novo Aurélio o significado da palavra feminismo que nos informa: “Doutrina cujos preceitos indicam e defendem a igualdade de direitos entre homens e mulheres.”
A luta das mulheres pela igualdade jurídica, social, econômica e política, nas suas múltiplas perspectivas, ganha contornos conforme o núcleo em que essas mulheres estão inseridas. Daí sobressaem catalogações como
feministas radicais, negras, liberais, socialistas, sendo criados inúmeros movimentos sociais, ONGs, grupos de apoio, tudo na busca da igualdade e do respeito da identidade do gênero feminino.
Não raro, discussões travadas nas redes sociais investem afirmações de que “o feminismo é opressor”, que “o feminismo é o machismo invertido”, “que não é a favor do machismo, nem do feminismo” por essas razões se apresenta necessário, dentro de uma tradição, identificar quais são exatamente os argumentos que se pretende apresentar diante da dificuldade que se tem em admitir que o feminismo, independente da vertente que possua, busca o respeito aos direitos humanos, posto que falar em feminismo é falar em ser humano merecedor de iguais direitos e obrigações.
Os movimentos sociais feministas são cíclicos. Cada momento histórico trava uma luta em busca do atendimento às reivindicações que só restaram conquistadas por conta do amadurecimento dessas lutas e da consolidação do pensamento social de que esses ideais se fizeram necessários para o respeito aos direitos humanos.
Assim ocorreu com a reivindicação do direito ao voto feminino, ainda no século passado; com as demandas para a busca da igualdade social, jurídica e econômica, nos anos de 1960; as reivindicações de atenção às diferenças sociais e econômicas, na busca de implementações de políticas públicas, nos anos de 1980 e que continuam sendo galgadas nos dias de hoje.
Muito se fala hoje em questões relacionadas à saúde da mulher e o aborto, à igualdade de salários e de oportunidades de trabalho, ao assédio sexual, ao estupro, à exploração do trabalho doméstico, à objetificação da mulher, aos padrões de beleza feminina e às noções de feminilidade, ao empoderamento feminino, à ocupação pelas mulheres junto aos cargos de liderança em empresas e na política, sendo que todas essas pautas demonstram a importância da valorização da história e das precursoras que travaram lutas contra à opressão feminina.
Temas como a liberdade sexual, o desejo, a homossexualidade, a identidade de gênero, o respeito às minorias sociais, à diversidade religiosa, o respeito ao meio ambiente, dentre outros, se apresentam como impulso à autocrítica e à defesa de direitos deles decorrentes no Estado democrático e laico que é o Brasil que desejamos, estando o feminismo como vertente necessária para que a sociedade cada vez mais identifique a necessidade e a promoção do respeito e atendimento aos iguais direitos entre homens e mulheres.
Vivemos em um mundo de poucas tolerâncias, onde concepções radicais operam nos mais variados cenários econômicos, sociais e políticos, todos os dias, trazendo-nos perplexidades.
No lugar da intolerância precisamos ascender, pela educação, o respeito e a defesa aos direitos humanos.
Não podemos (homens e mulheres) ter medo de nos posicionar.
A questão aqui trazida para reflexão é a de que não precisamos pertencer a uma determinada vertente de minorias (ou maiorias) para que os direitos humanos por nós sejam defendidos e respeitados. Minha condição de ser humana, com a educação, a cultura e o trabalho que exerço na advocacia e na educação, me conduz para a luta contra o retrocesso social, para a defesa dos direitos humanos e, onde não estejam sendo respeitados, pela luta que o sejam!

** O leitor poderá enviar sugestões, dúvidas, questionamentos sobre o tema para o e-mail: portellaadvogados@portellaadvogados.com.br ou no WhatsApp 54 999496293. Será um prazer aprimorar os estudos sobre o tema.

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