Chantagem planejada

Postado por: Adalíbio Barth

Compartilhe
Nos idos dos anos cinquenta e sessenta, o jogo de cartas entre os homens era sempre uma guerrinha à parte. Geralmente se enfrentavam no poker. Jogavam por dinheiro. Às vezes as somas eram altas, conforme a provocação do adversário. Faziam o cálculo quantos porcos ainda tinham no chiqueiro, como estavam as plantações de milho e soja, se as chuvas estavam correspondendo, enfim, não arriscavam sem ter muita garantia para o pagamento numa eventual derrota. 
As mulheres ficavam em conversa à parte. Os homens não faziam questão que se aproximassem da mesa do jogo, pois, pelo número de fichas que cada um possuía sobre a mesa poderiam calcular se estavam ganhando ou perdendo. Preferiam manter certa privacidade, pois, ser repreendido, em público, pela mulher, seria grande humilhação. 
As batidas sobre a mesa eram cada vez mais fortes. A carta de maior valor era lançada sobre a mesa, como se fosse de ferro. O golpe ecoava por toda a casa. O máximo que era permitido às mulheres, era reclamar dos desafiantes que não batessem muito forte, pois havia crianças a dormir. 
De repente, houve um silêncio na sala. As mulheres estranharam. Um dos desafiantes colocou o revólver em cima da mesa. Todos se entreolhavam quietos. As cartas eram atiradas calmamente sobre o meio da mesa, sem maior controle e ninguém falava nada. A rodada foi rápida. 
E o dono do revólver levou toda jogada. Alegre e feliz recolheu todo dinheiro apostado. 
- Também, nos ameaçando com o revólver! – observou um dos companheiros. 
- Eu não ameacei ninguém. Como não tinha mais dinheiro, penhorei o revólver, único capital que ainda tinha comigo! Vocês entenderam mal. Nunca iria fazer chantagem num jogo de amigos. Não queria deixar de pagar, se perdesse essa rodada. 
Todavia, com o silêncio reinante, ouviram o choro do nenê e obtiveram desculpas para encerrar o desafio da tarde. 
O jogo já trouxe muita desunião de casais e famílias se dispersaram, causando muitas tristezas e até mortes. Estas feridas não são fáceis de serem curadas. Quais os jogos que você gosta de participar? Quais as experiências, positivas ou negativas, que você já teve, em relação aos jogos? 

Leia Também O cristão cidadão – 2ª parte “Abre tua mão para o teu irmão” (Dt 15,11) Mês da Bíblia: o livro do Deuteronômio De faxineiro a gerente