Nossos Direitos: Sororidade

Postado por: Janaína Leite Portella

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Neste 08 de março dediquemos tempo para refletirmos sobre os avanços necessários para uma sociedade com justiça social. Somente pela união das mulheres, em empatia e fraternidade, teremos espaços públicos para reivindicação de nossos direitos e ocupação dos espaços de poder junto aos ambientes políticos.

 

            Longe de ser um dia simbólico em homenagens às mulheres cunhado pelo comércio, o dia 08 de março é um dia de reflexão e que possui raízes históricas que fizeram com que a Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 1975, oficializasse a data que já era comemorada desde o início do século 20.

 

            Estamos vivendo um período de evolução social e de concretização de igualdades, todavia, os números demonstram que ainda são grandes os desafios para que tenhamos uma sociedade justa e igualitária.

 

            E, o que tem sido efetivo nesse cenário para a evolução a ser dia-a-dia alicerçada reside na educação de nossas crianças e jovens e na garantia de espaços democráticos para que ocorram momentos de reflexão e de diálogos abertos sobre os reais problemas enfrentados quanto à desigualdade de gênero e que requerem a implantação de políticas públicas para a busca de um cenário quiçá ideal.

 

            A sociedade como um todo – homens e mulheres – desempenha a função de promoção da igualdade de gênero, com vistas a garantir ambientes com diversidade nas empresas, nas entidades, nas escolas, nas corporações, e na política.

 

            Temas de diversidade feminina e que albergam outros temas decorrentes como a raça, a transexualidade, as identidades e a acessibilidade, violência contra a mulher e feminicídio não podem deixar de serem abordados e discutidos democraticamente sob pena da ocorrência de um retrocesso social.

 

            A propaganda veiculada por uma linha de produtos alimentícios e que informa que “lugar de mulher é onde ela quiser estar” demonstra que estamos maduros e maduras constitucionalmente quanto à efetiva concepção de família e da importância do respeito à diversidade e à inclusão. 

 

            As significativas mudanças sociais pós Constituição Federal de 1988 e que nossos Tribunais têm absorvido e refletido em valores de igualdade por meio da construção de uma jurisprudência que não se escusa da sua função social em refletir os valores constitucionais que fazem com que o contexto atual de família em suas novas estruturas, democrática, socioafetiva, hetero ou homoparental e cultural restem respeitados.

 

            A par de tudo isso verificamos que precisamos consolidar a sororidade – significa dizer – trazer para perto das mulheres outras mulheres em apoio às diversas situações que restam enfrentadas quando identificada a desigualdade de gênero.  Somente pela união das mulheres, em empatia e fraternidade, teremos espaços públicos para reivindicação de nossos direitos e ocupação dos espaços de poder junto aos ambientes políticos.

 

                                

           

            Mas não esqueçamos que o homem é coadjuvante e deve ser agente de construção de igualdade, tema esse já abordado por mim nesta coluna e que remeto para a visualização (publicado no último dia 31/01).

           

            Como sabemos, os movimentos sociais são cíclicos. Cada momento histórico trava uma luta em busca do atendimento às reivindicações que só restam conquistados por conta do amadurecimento de ideais e valores sociais que se fazem necessários para o respeito aos direitos humanos. 

           

            A questão aqui trazida para reflexão neste 08 de março é a de que não precisamos pertencer a uma determinada vertente de minorias (ou maiorias) para que os direitos humanos por nós sejam defendidos e respeitados.  Minha condição de ser humana, com a educação, a cultura e o trabalho que exerço na advocacia e na educação, me conduz para a luta contra o retrocesso social, para a defesa dos direitos humanos e, onde não estejam sendo respeitados, pela luta que o sejam!

 

** O leitor poderá enviar sugestões, dúvidas, questionamentos sobre o tema para o e-mail: portellaadvogados@portellaadvogados.com.br  ou no WhatsApp 54 999496293.  Será um prazer aprimorar os estudos sobre o tema.

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