Um grito por socorro: a cada mês, 200 novos casos de violência doméstica em Passo Fundo

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Na sexta-feira, 27, durante o programa Comando Popular, o apresentador Patric Cavalcanti e o repórter Bruno Reinehr conversaram com a delegada da Delegacia da Mulher, Rafaela Bier, sobre como estão os casos de violência contra a mulher no município de Passo Fundo.

No início da noite de quinta-feira, no bairro Petrópolis, aconteceu o primeiro caso de femininício consumado em Passo Fundo. Uma mulher de 61 anos foi morta a facadas por seu companheiro.

Ela, que fazia denúncias contra seu marido desde 2013, vivenciou o que é chamado de Ciclo da Violência, quando a vítima perdoa o agressor, que afirma que não irá repetir a conduta. Após algum tempo em "lua de mel", com o homem aparentemente mudado, as agressões retornam.

"Nós não estamos aqui para julgar a vítima, vamos acolhê-la quantas vezes forem necessárias, no entanto, para que exista uma proteção efetiva, a vítima precisa se desvencilhar deste agressor o quanto antes", afirma a delegada.

Bier explica que o termo utilizado deve ser sempre feminicídio, pois por conta da vítima ser uma mulher,  em condição de sexo feminino, foi morta por conta de violência doméstica causada por um agressor do sexo masculino.

A lei estabelece que solicitações de Medidas Protetivas de Urgência devem ser encaminhadas ao Poder Judiciário dentro do período de 48h, durante esse tempo a solicitação será ou não deferida e um oficial de justiça irá comunicar a medida ao agressor. 

A delegada comenta que apesar do processo ser rápido, as vezes não é suficiente para salvar as vítimas, como neste caso, em que a mulher foi morta enquanto a oficial de justiça estava a caminho de encaminhar a medida ao agressor.

Rafaela Bier ainda explica que as estatísticas que informam casos de violência doméstica são falhos, pois grande parte das vítimas acabam não denunciando o agressor, porém, ainda se vê um volume grande de denúncias, somando cerca de 200 ocorrência ao mês.

"Isso se deve a maior agressividade dos companheiros, filhos, irmãos? Não sei, pois pode ser também que hoje as mulheres estão mais empoderadas e seguras para procurar as autoridades públicas", finaliza.

Ocorrências:

A Delegacia da Mulher continua efetuando registros de boletins de ocorrência, tomando algumas medidas protetivas por conta do coronavírus, como a utilização de máscaras e álcool gel.

Atualmente também é possível efetuar o B.O. através da Delegacia Online, desde que a vítima não queira solicitar Medida Protetiva de Urgência, neste caso, ainda é necessário fazer  registro presencialmente.

Ouça a entrevista completa:

  • Rafaela Bier

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