Os ensinamentos da saída de Moro!

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Na sexta-feira passada (24), o Brasil foi surpreendido com o pedido de demissão em rede nacional, do ministro Sérgio Moro, um dos nomes fortes do governo, idolatrado por milhões de brasileiros, por sua postura ética e legalista, agindo com mão de ferro na atuação como juiz coordenador da Operação Lava Jato, porém, a atitude do ministro foi reprovada pela maioria da sociedade brasileira, que classificou a postura do ministro como: infantil, antiética, traiçoeira e egocêntrica.  

O ex-ministro Sérgio Moro, foi convidado para compor o governo Bolsonaro, sob os aplausos e admiração da maioria da sociedade brasileira, que viam nele, a figura de um herói nacional, um exemplo e orgulho para nossa Nação. Uma autoridade de conduta ilibada, incorruptível e com espírito nacionalista acima de tudo. Um homem que arriscou a própria vida e de sua família, para livrar o Brasil do mecanismo de corrupção no meio político... Ao assumir o “Super Ministério da Justiça”, embora alguns resultados positivos tenham sido apresentados, muitas das expectativas dos brasileiros foram aos poucos sendo frustradas. Algumas delas pelo engessamento feito em nossa legislação, com a intervenção “maquiavélica” do Congresso Nacional e da Suprema Corte (STF). Uma das maiores frustrações e retrocessos em seu mandato foi à derrubada da prisão em segunda instância. O esvaziamento do projeto anticrime aprovado no Congresso também foi uma grande derrota derrota... E por aí foram às decepções: No caso Adélio, o criminoso que tentou matar o presidente, as investigações foram medíocres, onde o resultado foi de que Adélio agiu sozinho, sem nenhum mandante ou aparato na organização do atentado... No caso Marielle, uma vergonha nacional e internacional, em um caso com repercussão internacional, as tentativas de incriminação do presidente e sua família, foram amadoras e vexatórias para qualquer leigo ver. Durante a pandemia, o ministro se manteve apático, sem ação e reação, deixando nas mãos de alguns governadores e prefeitos, decisões que feriram direitos constitucionais dos brasileiros, como a liberdade de ir e vir, o direito a alimentação e ao trabalho. A cada dia ficava mais claro e evidente, que o principal objetivo de Moro, permanecendo no governo, estava ligado a questões de cunho pessoal, a realização de um sonho de ser ministro do STF, e, para isso, não poderia se melindrar com os parlamentares e muito menos com os membros da Corte.

A saída “triunfal”, que pegou todos de surpresa, foi o toque final, para desvendarmos o perfil e o caráter de Moro. Em um pronunciamento feito com todo o aparato de uma coletiva de imprensa em rede nacional, o ministro leu o seu discurso, desviando a todo o momento, o seu olhar das câmaras. Em sua fala de renúncia ao cargo, trouxe a baila questões pessoais, crises internas de discordâncias pessoais dele com o presidente, alegando que o presidente queria intervir nas ações da Polícia Federal. Naquele momento o ministro não apresentou provas, mas disse que as tinha... Enfim, saiu chutando o pau da barraca, dizendo que precisava preservar a sua autobiografia e elogiando os governos do PT, isso mesmo, do PT, o mesmo partido que ele arrasou com a Operação Lava Jato, prendendo praticamente todos os seus maiores líderes. À tarde, houve o pronunciamento do presidente sobre o fato. Confirmando algumas divergências, reclamando do comportamento egocêntrico do ministro, da falta de resultados e de relatórios em várias questões de interesse a segurança nacional, o que dificultava a tomada de decisões do Poder Executivo. O presidente salientou sua frustração pessoal com Moro, o qual ele fora ídolo, porém como aliado na equipe de governo, havia lhe decepcionado e traído o Brasil, em nome de um projeto pessoal. Mas vamos analisar friamente o ato de demissão voluntária de Moro: Primeiramente, o momento em que ele resolve pedir demissão. Em plena guerra contra uma pandemia mundial, que está matando milhares de pessoas pelo mundo e aqui no Brasil também. Onde toda a população está atônita, clamando por socorro dos governantes, com medo da morte, do desemprego, da violência, da crise financeira... Será que o momento seria o mais propício para isso? Em segundo lugar, a maneira com que ele resolve se demitir e denunciar “irregularidades”. Um aliado de primeira ordem, um homem de confiança do governo, uma autoridade da justiça brasileira, sair denunciando em rede nacional de televisão? Demonstrou uma atitude sorrateira e mesquinha, uma traição. Será que realmente queria salvar sua autobiografia, ou a intenção era desferir um golpe mortal em um momento de fragilidade do governo? Será que ele queria denunciar e investigar os fatos? Ou a intenção era simplesmente uma condenação sumária da opinião pública? À noite após o pronunciamento do Senhor Presidente da República, o Jornal Nacional disse que iria apresentar provas cabais, em que Moro, provaria o crime cometido por Bolsonaro, porém, o que vimos foi mais um ato infantil de traição de Moro, onde ele troca mensagens pelo Whatsapp, com uma Deputada Federal Claudia Zambelli (PSL-SP), sua afilhada de casamento. Na conversa, ela tenta convencer Moro a aceitar uma indicação do presidente para a ocupação do cargo de diretor geral da PF. Nas mensagens, eles também falam da possibilidade de ele ser indicado para o STF e nada, além disso... Cabe salientar que a indicação do diretor geral da Polícia Federal é prerrogativa do Presidente da República.

A grande expectativa era ver como a população brasileira e a opinião pública de um modo geral, iriam avaliar todo este “perrengue”. Para nossa boa surpresa, o povo brasileiro se demonstrou extremamente maduro e coerente na avaliação do fato, se voltando contra a atitude traiçoeira e egocêntrica de Moro, ficando ao lado de Bolsonaro e do Brasil. Esta atitude, embora não seja unânime, demonstra uma grande maturidade dos cidadãos e cidadãs brasileiras, que deixaram de lado as políticas personalistas, de idealização de heróis, mitos e os “Caras” na política, para acreditarem em um projeto, em um ideal, em políticas públicas para uma Nação. Uma Nação que clama pelo rompimento do governo com a velha política dos conchavos, do jeitinho, da corrupção endêmica no Congresso e das intervenções imorais e inconstitucionais da Suprema Corte, nas ações de governo.

“O recado da população brasileira é o seguinte: devemos pensar mais na Pátria e menos nas autobiografias. Mais Brasil e menos Brasília! Avante Brasil, o povo está contigo e atento às manobras politicas”!   

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