Momento de pandemia, pânico e intolerância

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Em tempos de pandemia e de verdadeira convulsão social, é comum observarmos pessoas tendo verdadeiros “chiliques”, com o pensar e agir dos outros, que seja diferente de “seus” valores morais, éticos e comportamentais. A própria mídia, que por vocação tende a ditar os rumos do comportamento social, hoje, de maneira quase que desesperadora, abriu mão da ética e da sensatez profissional em suas matérias (com raras exceções), partindo para a briga franca com os seus opositores ideológicos. A divulgação de matérias polêmicas e com mais de uma interpretação, ultimamente é divulgada com apenas uma versão, a que lhes interessa, sem contra ponto ou oposição.

Os brasileiros sempre tiveram orgulho de nossa democracia. As liberdades pessoais garantidas pela Constituição Federal, que, diga-se de passagem, foram conquistadas com muita luta, com muito suor e sangue, são conquistas sociais imensuráveis, que jamais nos passou pela cabeça em perdê-las. Um país que atrai investimento, turismo e simpatia do Mundo todo, por esta liberdade e respeito com as garantias pessoais e coletivas de nossa Pátria amada, para com o seu povo. Quem diria que a liberdade de manifestação, de pensar, de agir, de trabalhar, estudar e até mesmo a liberdade de ir e vir, hoje estariam ameaçadas? Se ouvíssemos isso há alguns dias atrás, chamaríamos de louco, quem por ventura ventilasse esta possibilidade. O convívio social em uma nação como a nossa, onde a pluralidade cultural, social, religiosa, étnica e política, são extremamente distintas, o respeito ao pensar e agir diferente de alguém, deve ser a premissa para qualquer conceito de harmonia e respeito ao outro. Quando você ouve alguém que pense diferente de você, não quer dizer que esta pessoa seja necessariamente o seu inimigo mortal. A cultura de nosso País, desde o princípio de sua formação, embora a história nos revele momentos de truculência e violência, mas de muito tempo pra cá, sempre foi de respeito e de boa convivência e assim deve se manter. A nossa legislação, através dos códigos, leis e decretos, apontam sempre para o respeito às diferenças e a garantia democrática do livre pensar e agir de todos, com suas devidas responsabilizações em casos de excessos ou ilicitudes.

Estamos passando por um momento de indefinição e de incertezas. As ações e orientações dos governantes demonstram isso, assim como a própria comunidade científica da área da saúde. Protocolos de procedimentos e orientações médicas são mudados em um piscar de olhos. As orientações quanto ao nosso comportamento social, isolamento, uso da máscara e assim por diante, mudam a todo o momento, sem falar na divergência da própria comunidade científica. E nós, meros mortais, ficamos atônitos, com tanta informação e desinformação, que nos são passadas a todo o momento. Os governantes não se entendem e pra colaborar com esta “fuzarca”, a nossa Suprema Corte (STF), deu uma mãozinha, dando autonomia de gestão e ação diante de uma PANDEMIA, para que governadores e prefeitos tenham autonomia de gestão. Tem prefeito adotando o Lockdown, fechamento total, outros, muitas vezes vizinhos de limites geográficos, não adotando nenhum tipo de isolamento, testes ou prevenções. Uma grande confusão vamos combinar. A grande mídia lacra a campanha “Fique em Casa”, sem medo nem piedade das conseqüências desta ação. O comércio, a indústria, as atividades de entretenimento, lazer e esporte, estão quebrados, falidos... O colapso do sistema econômico como um todo, inclusive o poder estatal, está na UTI. As pessoas formam filas gigantescas enfrente as agências bancárias, em busca de ajuda do governo para se alimentar. Chegamos em poucos dias ao fundo do poço. Não bastassem as mortes pelo vírus, um número ainda anônimo de suicídios, mortes por doenças cardíacas, por depressão, síndrome do pânico e outras relacionadas ao sistema nervoso, em conseqüência do isolamento, ainda estão por vir.

O momento requer serenidade no agir, sensatez, urgência e humildade para ouvirmos as boas práticas, as experiências que estão dando certo. Vamos deixar de lado a política partidária e ideológica e focarmos na solução do problema, que seja bom para todos. A boa notícia, se é que temos algo de bom em meio a toda esta tragédia, é a seguinte: vamos sair desta crise mais cautelosos sobre as verdadeiras informações, mais humanos quanto à finitude da vida, valorizando mais a família, as relações de amizade, os laços de família, valorizando a liberdade, o emprego, os espaços públicos, as áreas de esporte e lazer, e, acima de tudo, a importância das políticas públicas de saúde.

 

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