Agenda semanal: cidadania e espiritualidade

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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A semana no convida a experimentar duas situações diferentes enquanto cidadãos e pessoas ligadas às diferentes tradições religiosas e vertentes do cristianismo.

A primeira situação. No Brasil assinala-se no calendário o dia 13 de maio como o dia da “abolição” oficial da escravatura. É uma memória controversa. Muitos setores do movimento negro criticam tal referência pelo fato de ter sido mais uma articulação da elite com o governo imperial para responder à pressão internacional, do que o real compromisso com a liberdade e vida digna dos negros e negras. Boa parte do movimento negro organizado não reconhece o dia 13 de maio como data significativa no seu calendário.

O período pós-abolição foi marcado pelo constante processo de exclusão social dos remanescentes da escravidão. A abolição foi um processo inconcluso, porque não se fez nenhum movimento significativo voltado à reparação pelos quase três séculos de regime escravagista.  É uma situação mal resolvida no Brasil.

  Atualmente vemos explícito o total descompromisso do governo federal em exercício com a realidade sofrida dos negros e negras brasileiros, assaltados pela miséria, pobreza, preconceitos e, agora, vitimados pelo Covid 19. O mais grave é a negação da história da escravidão. O que era a opinião pessoal agora é sustentada como posição de um governo. A data de 13 maio provoca a reflexão sobre o nosso passado e também sobre o nosso futuro. A articulação em torno da data de 20 de novembro que é o Dia Nacional da Consciência Negra e foi criado em 2003 como efeméride incluída no calendário escolar, tem sido uma resposta consequente sobre como o povo negro compreende a sua trajetória no Brasil.

A segunda situação tem uma dimensão propositiva e tremendamente alentadora. O Papa Francisco convidou toda a humanidade e as diferentes tradições religiosas para um dia de oração, jejum e obras de caridade pela cura do Planeta diante da pandemia do Covid 19 no dia 14 de maio. Lembra o Papa que a “oração é o modo para comunicar e escutar Deus”. O pedido é expresso assim: “unamo-nos como irmão no pedido ao Senhor para salvar a humanidade da pandemia, iluminar os cientistas e curar os enfermos”.

Temos em comum uma situação de preocupação que tem gerado medo e insegurança em boa parcela da humanidade. Mas temos também coisas boas que nos unem: a fé que é professada de diferentes maneiras nas diversas tradições religiosas, a   a oração, a prática do jejum e as obras de caridade. São atitudes pessoais consideradas importantes para muitas religiões.  

É possível respondermos ao convite do Papa neste dia. É uma forma bonita de nos unirmos com os irmãos de outras pertenças religiosas em práticas comuns a todos nós.  É o pouco que podemos fazer, mas é muito para toda a humanidade.

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