Protótipo de respirador é submetido a protocolo de testes em animais

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Quase dois meses após a primeira versão ser concluída, o protótipo de respirador de baixo custo desenvolvido por professores e técnicos da Universidade de Passo Fundo (UPF) avança para sua terceira etapa. Na última semana, pesquisadores deram início ao protocolo de testes em animais. Com o auxílio de médicos veterinários do Hospital Veterinário da Instituição e acompanhado de perto por um médico pneumologista, o respirador foi testado em suínos, de 20 e 80 kg, em duas etapas. Uma, realizada na quarta-feira, dia 20 de maio, e outra na quinta, dia 21.

Durante os testes, foi possível utilizar todo o potencial do respirador e segundo um dos responsáveis pelo projeto, o professor do curso de Engenharia Elétrica, Dr. Adriano Toazza, os testes foram satisfatórios. “Em termos de equipamento, da parte eletrônica, o teste foi satisfatório. Conseguimos utilizar todo o potencial do respirador, os seus mínimos e os seus máximos, tanto no primeiro teste, com suíno menor, como no segundo, com um animal maior, quando precisamos utilizar o ventilador ao limite. Ele funcionou bem em todos esses sentidos”, comentou.

Todo o processo de preparo dos animais foi realizado e acompanhado por uma equipe de médicos veterinários do HV. Para isso, os suínos, um de 20kg e outro de 75kg, foram sedados e posteriormente anestesiados e entubados. “Os animais foram mantidos sob anestesia injetável semelhante ao protocolo de indução e manutenção de coma em humanos. Durante o procedimento, estes pacientes foram mantidos sob ventilação mecânica utilizando o aparelho produzido pela Universidade. Os animais se mantiveram estáveis durante todo o procedimento e também após a recuperação anestésica”, afirmou o médico veterinário Leonardo Fornari.

Além dos engenheiros e médicos veterinários, os primeiros testes também contaram com a colaboração do médico pneumologista e professor da Faculdade de Medicina (FM) Me. Vinícius Buaes Dal Maso, que integra a equipe de desenvolvimento do protótipo. De acordo com o professor, a evolução que o grupo tem tido no desenvolvimento do equipamento é satisfatória e, por isso, ele acredita que logo ele estará finalizado. “Estamos em uma fase de aperfeiçoamento. A gente sempre vai querer aprimorar mais, mas acredito que logo vamos ter um resultado que seja bom e suficiente para iniciar mais testes e poder disponibilizar para fabricação. Depende de uma série de fatores, mas a experiência que tivemos nos primeiros testes com suínos foi muito boa, já atendeu aos requisitos básicos, agora vamos fazer alguns aprimoramentos”, disse. 

Nova resolução
Os próximos passos a partir de agora são, de acordo com Toazza, adequar o equipamento à nova resolução da Anvisa, RDC 386/2020, publicada no dia 15 de maio, que define critérios e procedimentos extraordinários para fabricação, comercialização e doação de equipamentos do tipo “ambu automatizado”, destinados a atendimento e suporte hospitalar emergencial a pacientes com dificuldade para respirar. “Já observamos que temos que aumentar alguns valores, algumas características em relação ao que a gente tem. Por exemplo, nós trabalhamos com pressão até 40, a resolução diz que tem que ser até 50, o tempo de inspiração a gente vai até 1,2 segundos e a resolução determina 2 segundos, temos que trabalhar também volume, que não estávamos trabalhando e a frequência respiratória vai até 40 rpm e nós estamos trabalhando até 30. Então, essas questões serão observadas para a próxima versão do aparelho”, explicou o professor. Depois de realizadas estas adequações, novos testes devem ser realizados no dia 3 de junho.

Conheça o projeto
Desde o início da pandemia de Covid-19, um grupo de engenheiros e pesquisadores da UPF vem trabalhando no desenvolvimento do protótipo de respirador automatizasse a ventilação pulmonar realizada pelo ambu, e que serviria como alternativa em caso de um cenário grave de falta deste tipo de aparelho. A ideia do protótipo foi baseada na ventilação manual de emergência, em que o profissional da saúde manipula manualmente um instrumento chamado ambu, para ventilação mecânica de um paciente. O primeiro protótipo foi desenvolvido em apenas cinco dias e é 13 vezes mais barato do que um respirador convencional. 

Foto: Adriano Toazza
Fonte: Assessoria UPF

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