Covid-19: Sindicato Médico oficializa Prefeitura sobre importância do uso de cloroquina para casos leves

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O  Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) está encaminhando ofício no começo desta semana ao prefeito de Passo Fundo no tocante ao uso de cloroquina/hidroxicloroquina para os pacientes, no tratamento de coronavírus (Covid-19).  O município aparece entre os primeiros em número de casos do interior do estado e na frente no número de óbitos desde o início da pandemia.

Conforme a entidade,  na defesa da categoria médica e também da saúde coletiva, reitera a autonomia profissional médica para, empregando a melhor técnica e observando a legislação vigente, prescrever os tratamentos mais adequados aos pacientes que estiverem aos seus cuidados. Para isso, o Simers defende a autonomia dos médicos nas atividades, especialmente no enfrentamento à pandemia.


O ofício consta dos seguintes termos:

"Ilmo. Sr.  Luciano Palma de Azevedo

Prefeito Municipal de Passo Fundo

 

Senhor Prefeito,

O Simers – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, entidade representante da categoria profissional que o nome indica, tomou conhecimento do protocolo de atendimento e manejo clínico para Covid-19 na atenção primária em Passo Fundo, que define critérios de atendimento e encaminhamento em casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave, com diagnóstico confirmado ou não de covid-19.

A elaboração de tal documento, mais do que notável, é medida que se impõe para a definição e padronização de fluxos, condutas e medidas de manejo para com os pacientes infectados ou com suspeita de infecção por Covid-19. Entretanto, o protocolo elaborado pela Municipalidade destaca-se negativamente ao expressamente não recomendar o uso cloroquina/hidroxicloroquina para casos leves de Covid-19[1].

Tal disposição, ainda que seguida da concessão quanto ao uso da medicação para casos individualizados, causa constrangimento e tolhe a autonomia profissional do médico, à medida que conduz à interpretação de que a prescrição de tais fármacos seria inadequada.

Ademais, a não indicação para uso rotineiro em casos leves está em desacordo com o entendimento de grande parte da comunidade médica de Passo Fundo e contraria, inclusive, o posicionamento de médicos que foram consultados quando do processo de elaboração do Protocolo.

Nesse sentido, é importante referir pesquisa realizada pelo Simers com os médicos do Rio Grande do Sul. A pesquisa, com 99% de nível de confiança, contou com 904 respostas. Como resultado, de maneira geral, sem considerar a fase da doença, 71,2% dos entrevistados manifestaram-se favoráveis à prescrição de cloroquina/hidroxicloroquina no combate à Covid-19 em pacientes adultos com sinais e sintomas leves.

Diante do exposto, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, na defesa da categoria médica e também da saúde coletiva, reitera a autonomia profissional médica para, empregando a melhor técnica e observando a legislação vigente, prescrever os tratamentos mais adequados aos pacientes que estiverem aos seus cuidados e, representado os anseios da categoria, requer a revisão do Protocolo supramencionado, com a exclusão do  item 4.1, “F” que expressamente contraindica a prescrição rotineira dos fármacos indicados no presente ofício para o manejo clínico de casos leves de Covid-19.

 Certo da atenção que será dispensada ao caso, aguarda que o postulado no presente ofício seja atendido com a brevidade que o caso requer. 

  

Atenciosamente,

  

Marcelo Marsillac Matias

Sindicato Médico do Rio Grande do Sul"


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