Papa Francisco: um líder para tempos difíceis (1)

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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No último dia 29 de junho celebramos a solenidade de São Pedro e São Paulo, ocasião em que os cristãos católicos foram motivados a rezar pelo pontificado do Papa Francisco.  Desde (da) sua eleição pelo colégio cardinalício, pela inspiração do Espírito Santo, o Papa tem surpreendido não só os católicos como o mundo todo pelas propostas para a Igreja e para a humanidade. Tem despontado como um verdadeiro líder mundial. Estamos carentes de líderes carismáticos e comprometidos com o bem comum. Temos visto emergirem projetos xenófobos, preconceituosos e ameaçadores de conquistas históricas da humanidade que ganham força e apoio político. Ele surge como líder para humanidade em um tempo especial. Tempo em que ficamos assustados com o avanço da pandemia do COVID 19 nos damos conta da grande fragilidade humana. Tempo de reconstrução da esperança a partir de uma novo agir da humanidade expresso em pequenos gestos. Tempo, segundo o Papa, de construção de pontes e não de muros.

 É importante fazermos uma leitura de alguns gestos e textos do Papa Francisco. Eles sugerem um projeto para a humanidade. Evidentemente não conseguiremos apresentar tudo nos dois artigos que seguem, ficando ao leitor a tarefa de continuar a busca, a reflexão e a oração, porque ali também está uma sugestão de um caminho espiritual.

As primeiras três manifestações foram simbólicas. Sugerem a interpretação. Dizem muita coisa.

Na tarde da sua eleição, sob uma fina garoa, ele se apresentou ao povo presente na Praça São Pedro e antes de os abençoar, pediu a bênção. Ele acolheu a bênção daquela gente humildemente. Bênção é desejo de bem, o bem que vem de Deus. Ali se deu uma troca de bem querer, a partir da iniciativa de um homem que explicitava um profundo respeito pela humanidade a ponto de pedir a sua bênção. Foi um gesto marcante. A segunda manifestação simbólica foi na Ilha de Lampeduza, porta de entrada na Itália e consequentemente no continente Europeu, palco de muitos naufrágios de embarcações que traziam imigrantes. Ao celebrar a eucaristia em um altar formado por restos de embarcações destruídas, Francisco denunciou a globalização da indiferença e conclamou os Europeus a reverem a política imigratória. A terceira manifestação foi durante a celebração do lava-pés, quando não foi lavar os pés de alguns presbíteros, mas sim de jovens encarcerados. O serviço à humanidade, expresso na atitude de lava pés, compreende servir os últimos, inclusive aqueles que ninguém quer servir.

Passemos aos escritos.

 Com a Exortação Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), em diálogo direto com a Igreja, Francisco propõe a saída da autoproteção ou da autorreferência.  Os cristãos católicos deveriam apresentar a alegria do encontro com Jesus Cristo a outras pessoas para quem fizessem a mesma experiência, porque enche o coração e a vida inteira (EG 1). Para tanto a Igreja deveria assumir o compromisso de ser uma Igreja em saída missionária, em direção às periferias geográficas e existenciais. É chamada a sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho (EG 20). Sugere uma Igreja em saída e propositiva de algo que é a sua essência, o Evangelho de Jesus Cristo. 

Francisco dialoga também com toda a humanidade. Na Encíclica Laudato Si ele propõe o diálogo a partir de uma causa que deveria ser comum a toda a humanidade, o planeta Terra, ou a mãe-irmã terra como ele mesmo descreve (LS 1). Parte de uma constatação: esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou (LS 2). Faz uma proposta para toda a humanidade como caminho de superação do mal causado à casa comum, ameaçando inclusive o futuro das próximas gerações. Propõe a ecologia integral, ou seja, um outro estilo de vida em vista do bem comum e que inclua claramente as dimensões humanas e sociais, porque uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres (LS 49).

Refletindo sobre a santidade na vida dos cristãos Francisco propõe o documento Gaudete et Exultate fundamentado no texto das bem-aventuranças (Mt 5, 1-12). O chamado à santidade se encarna no contexto atual, com seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós “para sermos santos e íntegros diante dele no amor” (GE 2).   Como inspiração sugere os “santos ao pé da porta”. Diz o Papa: gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus nos pais que criam seus filhos com tanto amor, nos homens e nas mulheres que trabalham, a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir.  Esta é, muitas vezes, a santidade “ao pé da porta”, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus ou, por outras palavras, da classe média da santidade. (GE 7). O Papa também convida-nos assumir o caminho da santidade a partir do nosso contexto, com os instrumentos que temos e a partir da fé conduzida na caridade e na esperança. 

Continuaremos a partilha em outro artigo.

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