Chacina na Cohab: suspeito de envolvimento é liberado do presídio

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Um dos suspeitos no envolvimento da chacina cometida em Passo Fundo, que estava preso, foi liberado pela Justiça nesta semana.

Luciano Costa dos Santos, conhecido como Costinha, estava preso desde o dia 17 de Junho e foi solto na última quinta-feira, 02.

O ex- policial militar foi preso por ter envolvimento no triplo homicídio, que ocorreu no dia 19 de Maio, no Bairro Cohab, em Passo Fundo.

Segundo a Polícia Civil, o indivíduo teria sido contratado pelo valor de R$ 25 mil a R$ 30 mil para cometer o crime, mas ele terceirizou o trabalho, recrutando ao menos dois indivíduos.

Costinha foi preso no dia 19 de Junho, com mais dois homens. Na oportunidade a polícia localizou dinheiro e armas de fogo.

Ele estava fechado no Presídio Estadual de Getúlio Vargas.

A reportagem policial da Rádio Planalto News manteve contato com o advogado de defesa de Luciano, doutor Flávio Algarve, que fez os seguintes esclarecimentos a respeito de seu cliente:

1.  Luciano foi preso em virtude de prisão em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. A prisão resultou de busca feita com relação a suspeita de ser participante do triplo homicídio;

2. O juiz plantonista decretou a prisão preventiva pelo flagrante e justificou também a medida, por ele ser suspeito no triplo homicídio;

3. O pedido de liberdade então se baseou na soltura dos outros dois flagrados, também pelo delito de porte de arma e pela inexistência de decretação de prisão preventiva pelo crime de homicídio; 

4. Na data de hoje o juízo foi informado a respeito da forma como poderá Luciano ser encontrado e de sua disposição em contribuir com as investigações e atender todos os chamados do Judiciário.


Relembre:

A Polícia Civil de Passo Fundo avançou a investigação do triplo homicídio que ocorreu em Passo Fundo, no mês de maio na cidade.

No dia 19/05, Ketlin Padia dos Santos, de 15 anos; Dienifer Padia, 26 anos; e Alessandro dos Santos, 34 anos foram mortos enforcados, dentro de uma residência, na Rua Ernesto Ferron, bairro Edmundo Trein, Cohab I.

O caso comoveu a grande região de Passo Fundo.

Logo após o crime, a equipe da Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa de Passo Fundo iniciou as investigações, que chegaram a vários nomes; o contratado para cometer a execução, a mulher do contratado, o mandante, sua esposa e seu cunhado, os últimos três, moradores de Casca/RS.

Conforme a PC, Dienifer Padia trabalhou em uma propriedade rural, em Casca, e teve uma relação extraconjugal com seu patrão, que é casado. Na relação, Dienifer engravidou do homem, porém escondeu que estava grávida.

No momento em que mulher do patrão teve conhecimento do relacionamento, Dienifer foi expulsa do trabalho, onde ela também residia, e retornou para Passo Fundo.  A esposa do patrão só teve conhecimento que o filho da empregada era de seu marido, após o nascimento da criança.

Ao retornar para Passo Fundo, primeiramente, Dienifer foi morar no Bairro Cruzeiro. Ali, ela começou a receber ameaças. No início do ano recebeu, em casa, uma caixa com uma boneca mutilada.

O patrão passou a ser extorquido pela ex-funcionária. Ainda segundo a PC, ele comprou uma casa para a mulher no Bairro Cohab e seguiu encaminhando dinheiro à ela. A casa teria sido comprada para usufruto da criança.

Por estarem sendo extorquidos, o patrão e sua esposa resolveram matar Dienifer. O cunhado do patrão também participou do planejamento da chacina. Há alguns anos ele trabalhou em um posto de combustíveis em Passo Fundo, onde conheceu um homem que fazia a segurança do estabelecimento. Ele foi contatado e recebeu uma proposta para cometer o crime.

Trata-se de um ex-policial militar, que foi excluído da corporação. Ele possui uma empresa de segurança e tem várias passagens pela polícia.

O ex-policial terceirizou o trabalho, contratando dois homens para matar Dienifer.

PLANEJAMENTO DA EXECUÇÃO

A mulher do ex-pm, que terceirizou o trabalho, comprou um celular da vítima, via internet. Ela foi até a residência buscar o aparelho, acompanhada de um taxista. A mulher efetuou vários registros fotográficos dentro da residência e o taxista, fotos da parte externa.

Dias depois, a vítima anunciou uma estante na internet. Os supostos compradores do móvel seriam os executores do fato. Na noite do dia 19/05 eles foram até a residência para buscar a compra. Nesse dia aconteceu o crime.

A CHACINA

Os supostos compradores entraram no imóvel com o objetivo de matar Dienifer. Além dela, na residência também estava sua sobrinha e seu cunhado. Todos foram rendidos e mortos por asfixia mecânica. As armas do crime seriam lacres.

LUGAR ERRADO, NA HORA ERRADA

 Alessandro dos Santos e sua filha, Ketlin Padia dos Santos não eram alvos da execução, conforme a PC. Os criminosos entraram na casa com o objetivo de matar Dienifer, mas os dois também acabaram mortos pelos executores.

PRISÕES

Na sexta-feira, 19, o contratado para cometer o crime, que terceirizou o trabalho, foi preso pela Polícia Civil, com mais dois indivíduos. No dia, foram apreendidas três armas ilegais e R$ 17.500 ocultados em um fundo falso de um guarda-roupas no apartamento dele. O indivíduo teria sido contratado pelo valor de 25 à R$30 mil.

O contratante foi preso e liberado dia 02/07/2020. Os dois que estavam com ele foram ouvidos e são investigados.

Neste sábado, 27, a polícia cumpriu mandados de prisão em Vila Maria e conseguiu capturar apenas o ex-patrão. Sua esposa e o cunhado dele seguem foragidos da polícia.

A polícia segue investigado o caso. Os executores até o momento não foram presos.
Créditos: Bruno Reinehr/Rádio Planalto News

A reportagem conversou, nesta manhã(27/06) com a delegada titular da Delegacia Especializada em Homicídios e de Proteção à Pessoa de Passo Fundo, que investiga o caso. Escute na íntegra a entrevista:


  • ENTREVISTA

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