NOSSOS DIREITOS: Afinal, o que é DIVERSIDADE? (Parte 2)

Postado por: Janaína Leite Portella

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Na despedida – momentânea – desta Coluna meu carinho e gratidão à família da Rádio Planalto News por ter me concedido este espaço de expressão de ideias, mas, neste momento, em respeito à legislação e cronograma eleitoral, agradeço a quem leu e refletiu um pouco sobre os variados temas aqui ventilados. 

 

E, prosseguindo com o tema DIVERSIDADE, sem minimamente ter a pretensão de abordar toda a sua complexidade – por impossível tamanho desafio – falávamos de que todos nós somos diversamente únicos em nossa existência, pois cada um de nós possui inúmeras características albergadas nas três dimensões estudadas: a primária, a secundária e a organizacional*.

 

Ocorre que ao falar em diversidade, via de regra, nos reportamos a alguns grupos sociais, como as mulheres, os negros, as pessoas com deficiência, LGBT+, em razão de que muitas vezes esses grupos possuem expressiva representatividade social, todavia, identificamos no cenário social dificuldades de variadas ordens (sejam elas econômicas, culturais, físicas) que se apresentam como obstáculos a serem transpostos, mas que outras pessoas, por diversas outras razões, não os enfrentam, ficando o alcance das mesmas oportunidades em escalas de diferentes níveis de dificuldades a serem vencidas.

 

Importante destacar que esses grupos não são minorias, sendo um equívoco assim denominá-los.  Correto é ter a consciência de que são grupos sub-representados, minorizados.  Os dados atuais do IBGE informam que as mulheres são 51% da população brasileira e os negros são 54% da população brasileira, logo, não estamos falando de minorias mas de grupos sub-representados.

 

As mulheres, em que pese serem a maioria demográfica no Brasil e protagonistas em nossa sociedade ainda são sub-representadas em diversos setores nos ambientes privados ou públicos, em cargos de liderança ou políticos.

 

Para a solução de problemas de gênero em nossa sociedade brasileira é fundamental termos a consciência de sua existência e tomarmos a responsabilidade na construção de uma sociedade justa e igualitária para as mulheres.

 

No Brasil as mulheres já são a maioria de pessoas com diploma de nível superior, sendo 56% de profissionais mulheres para 44% de homens com ensino superior.  Nesse cenário as mulheres estão ocupando cargos de variados níveis, em chefias de setores ou coordenações.  Todavia, esses números se invertem quando avaliamos a escala hierárquica de cargos de diretoria, sendo aí 86% ocupados por homens e 14% por mulheres; e, quando se observa cargos do mais elevado patamar como CEOS os homens ocupam 96% dos cargos, ao passo que as mulheres representam apenas 4%*.

 

A remuneração das mulheres é da ordem de 76% se comparado ao gênero masculino, somada as situações de serem mais vulneráveis à violência, ao assédio, ao assoberbamento de acúmulo de funções e responsabilidades doméstica, cumprindo jornada dupla de trabalho e cuidados com à família, apresentando-se diversas as questões culturais que afastam as mulheres dos cargos de liderança.

 

Aqui – faço um paralelo – não há barreira que não possa ser vencida, não há obstáculo intransponível – vivemos em uma sociedade livre, justa e democrática sendo nosso dever agirmos como cidadãs e cidadãos conscientes e exigirmos do Estado a implementação cada vez mais efetiva de políticas públicas que equilibrem os fatores de distanciamento dos grupos sub-representados.

 

Para que a cultura da diversidade alcance a efetiva inclusão, como forma de explicar, faço uso da analogia apresentada por Vernã Myers “Diversidade é ser convidado para a festa, inclusão é ser convidado para dançar!”

 

Façamos da inclusão à diversidade o imperativo ético e autêntico de nossa existência!

 

* Para quem não acompanhou o tema, convido para a leitura do ensaio – Parte 1, publicado na semana passada. 

 

** Vernã Myers é estrategista de inclusão da NETFLIX.

 

** O leitor poderá enviar sugestões, dúvidas, questionamentos sobre o tema para o e-mail: advogados@leiteportellaadvogados.com.br ou no whatsapp 54 999496293.  Será um prazer aprimorar os estudos sobre o tema.


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