Redes Sociais: a fronteira entre o amor e o ódio

Postado por: Élvis Mognhon

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No artigo da semana passada refletimos sobre o padrão de “felicidade” materializado nas redes sociais. Além disso, lançamos luzes sobre o padrão de postagens e a influência disso em nossas vidas. Queremos hoje, acessar através de um outro viés essa mesma temática, especialmente no que se refere à tênue fronteira entre o amor e o ódio nas redes sociais.

As redes sociais representam hoje uma dicotomia interessante. Na mesma medida em que contribuem para aproximar as pessoas, proporcionar encontros virtuais, incentivar boas práticas e ações concretas na disseminação de uma cultura de paz, quando mal utilizadas, são capazes de promover o ódio, a segregação, crimes e abusos de diversas ordens.

As redes sociais trabalham com um binômio interessante: o manifesto e o oculto representados numa mesma realidade. Muitos criminosos se escondem atrás de perfis falsos para o cometimento de crimes. As redes sociais, nesse sentido, se tornaram um espaço fecundo para a disseminação de todo o tipo de ação. Apesar de termos avançado muito nos últimos anos em termos de regulamentação, ainda há um longo caminho a percorrer no que concerne à responsabilização dos criminosos.

Nos últimos dias foi possível observar preocupação da parte das grandes redes sociais no combate aos discursos de ódio e disseminação de notícias falsas. Apesar disso, uma importante reflexão ainda precisa ser feita. Diversos perfis verdadeiros, de cidadãos comuns, simplesmente ofendem, geram dúvidas e críticas descabidas, por um suposto, por vezes falacioso, direito de expressão e manifestação, atacando a honra e a reputação das pessoas. Qual o limite para isso? Qual o limite do meu direito de expressão e manifestação nas redes sociais?

Parte da resposta para essas perguntas pode se dar pela sensação de poder proporcionado pelas redes sociais. Nelas, muitas vezes, as pessoas perdem a noção de direitos e deveres, das normas explícitas e implícitas para o bem viver em sociedade. Por vezes, no espaço entre a tela do computador/celular e o outro, destilam seus venenos, sem filtro, sem medir as palavras, revelando de forma nítida suas frustrações, ignorâncias e preconceitos. Isso ocorre sem medir as palavras, os efeitos e o impacto de tais atitudes.

A pandemia também trouxe efeitos nesse sentido, pois muitas relações antes presenciais, se tornaram virtuais: reuniões, encontros, discussões, debates, estão sendo realizados de forma online. As pessoas têm passado mais tempo conectadas, isso por si só não é ruim, mas dependerá do discernimento de cada pessoa e da sua forma de trabalhar com suas frustrações e angústias. A quarentena exige desafios diários, que em grande medida já foram incorporados e fazem parte da rotina, porém, algumas pessoas ainda relutam muito contra situações que fogem ao seu controle. Casos extremos, inclusive, precisam de acompanhamento e ajuda profissional.

** O leitor poderá enviar sugestões, dúvidas, questionamentos sobre o tema para o e-mail: emognhon@gmail.com Para agendar atendimentos clínicos utilizar o WhatsApp (54) 99983 9966.

 

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