Carência de política industrial

Postado por: João Altair da Silva

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Seu carro é da Ford,  Wolkswagen,  Chevrolet, Fiat, Renault, Peugeot, Toyota, Honda, Citroën, Hyundai, Kia?  Em fim, pode ser de qualquer outra marca que esteja entrando no país,  certo é que não será brasileira. Não precisa, porém, ir até a garagem para conferir a origem dos produtos industrializados com patentes estrangeiras. No bolso,  teremos um  celular Sansung, LG, Nokia ou Motorola.   Na sala, inevitavelmente,  vamos assistir a um  televisor Samsung, Philco, LG, Sharp, Panasonic, Sony ou Semp Toshiba. 

O agronegócio brasileiro está cada vez mais pujante. Deixa dizer que na Expodireto foram comercializados R$3,2 bilhões, em apenas cinco dias de feira.  Uma cifra  astronômica. Sem comparação com qualquer outra.

Mas, caminhando pelas  ruas deslumbrantes  do parque da Cotrijal, fiquei a pensar o que seria do nosso pobre agronegócio brasileiro sem os cérebros internacionais.  Não temos uma fábrica se quer de colheitadeira ou até mesmo de tratores agrícolas que tenha reconhecimento mundial.  Massey Ferguson, New holland, Case, John Deere, dão o espetáculo nas feiras brasileiras.  Nenhuma é nossa.  Desculpa, estava esquecendo da Valtra, uma das marcas mais vendidas no Brasil, nascida na Finlândia, um “paisinho”  que tem a metade da população gaúcha e é a 43ª maior economia do mundo.

A Monsanto foi muito generosa conosco, deixou para lançar aqui a sua INTACTA RR2 PRO, a soja resistente a lagarta. Nos dá a impressão de que a tecnologia é brasileira.  É dela também a soja resistente ao herbicida.  Sem a Monsanto, Syngenta, Bayer, BASF, FMC, a agricultura seria de subsistência  e o mundo passaria fome. Nem adubo conseguimos produzir, 90% dos componentes são estrangeiros. Aqui temos apenas ensacadoras de fertilizantes e não fábricas.

Não queria  ter aqui um Thomas Edison, mas  um gênio só, um apenas, que empunhasse uma bandeira brasileira nos quatro cantos do mundo.

Nossa fraqueza industrial se explica na educação. Não temos nenhum Prêmio Nobel. Se carecemos de cientistas, de engenheiros é porque penamos na educação,  por isso não temos uma indústria competitiva, mesmo sendo a sexta maior economia do mundo.  Vamos continuar recolhendo royalties para outros países  e enviando remessas bilionárias de dólares todos os meses para suas matrizes.  Seremos eternos exportadores de soja e minério de ferro.  Aliás,  nem vender aquilo que produzimos se consegue. Tiveram que vir aqui a Bunge, a ADM e a Cargill para comercializar  os nossos próprios produtos.

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