Julho Verde: mais de 40 mil casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano

Compartilhe

Um dos principais problemas de tratamento do câncer de cabeça e pescoço é o diagnóstico tardio, que ocorre em 60% dos casos, causando uma perda significativa da qualidade de vida durante e após o tratamento, na maioria dos casos com o comprometimento da fala, deglutição e outras sequelas funcionais. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), apontam que o Brasil registra cerca de 41 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano, com prevalência para homens acima dos 50 anos de idade. 

A doença pode comprometer qualquer parte da região da cabeça e pescoço como pele, músculo, mucosa ou ossos, conforme explica a Fonoaudióloga do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, Elana de Menezes Rossetto, e a Fonoaudióloga residente do Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Atenção ao Câncer, projeto desenvolvido pelo HSVP, Universidade de Passo Fundo (UPF) e Prefeitura de Passo Fundo por meio da Secretaria Municipal de Saúde, Carine Dalla Nora. “Ao atingir esses locais, acabam afetando estruturas como seios paranasais, nariz, lábios, língua, mandíbula, palato mole, palato duro, nasofaringe, orofaringe, hipofaringe, laringe, esôfago cervical e tireoide”, citam. O impacto sobre o funcionamento destes órgãos varia conforme a extensão cirúrgica, o tipo de reconstrução realizada e a combinação com o tratamento radioterápico e quimioterápico.

Atendimento pré-operatório

Assim, para os pacientes oncológicos de cabeça e pescoço, o atendimento fonoaudiológico se dá desde o atendimento pré-operatório. “Nesta fase, nós informamos sobre as alterações relacionadas à voz e a deglutição decorrentes do procedimento cirúrgico, bem como as possibilidades de reabilitação”, citam as fonoaudiólogas, enfatizando a confiança que se estabelece com o paciente. “Só o diagnóstico do câncer é muito impactante, então é importante esse vínculo para explicar quais alterações ou sequelas podem ocorrer no pós-operatório”, ressaltam as especialistas. 

Reabilitação fonoaudióloga

A autonomia funcional do paciente manifesta-se através de alternativas que viabilizem uma comunicação efetiva, restabelecendo as funções de deglutição, voz e fala e motricidade orofacial, conforme as necessidades de cada paciente. Segundo as fonoaudiólogas, há a reabilitação de voz esofágica, eletrolaringe e prótese traqueosofágica e a manutenção e/ou reintrodução de dieta por via oral, esta que visa proporcionar prazer alimentar, de acordo com as limitações funcionais inerentes a cada caso.

Em pacientes submetidos a tratamento cirúrgico, “a reabilitação será baseada na adequação das funções ou adaptações e compensações de estruturas remanescentes, conforme a extensão da ressecção cirúrgica”, explicam as fonoaudiólogas. Já com pacientes em tratamento radio quimioterápico, o objetivo será a manutenção da funcionalidade das estruturas irradiadas, através de exercícios funcionais, adaptações de consistências alimentares e manobra.

Em todo processo de tratamento, as especialistas auxiliam na musculatura da cabeça e face, objetivando qualidade de vida ao paciente. “Seja em relação a fala, alimentação ou se o paciente teve uma paralisia cerebral. Nós tentamos reabilitar para que o paciente retorne à vida social da melhor forma possível”, comentam. 

Sintomas

Em fases iniciais o câncer de cabeça e pescoço pode não apresentar sintomas. Porém, é importante estar atento às alterações no corpo. As especialistas citam que os sintomas mais comuns são rouquidão há mais de duas semanas, tosse persistente, dificuldade para engolir, nódulos na região de cabeça e pescoço e feridas na boca de difícil cicatrização. “O paciente apresentando sintomas deverá procurar um médico para iniciar o diagnóstico, através de exames clínicos, exames laboratoriais, complementares e análise patológica”, alertam. Se diagnosticado no primeiro estágio, por exemplo, a chance de cura do câncer de cabeça e pescoço é maior do que 80%, segundo dados do INCA. 

Uma doença prevenível

O cuidado com a saúde é a principal forma de prevenção, não só do câncer de cabeça e pescoço, mas dos demais tumores. Além da ingestão excessiva de álcool e tabagismo, as fonoaudiólogas citam a infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), como principais fatores de risco. 

Foto: Elana e Carina são Fonoaudiólogas do HSVP (Foto: Ascom HSVP/Divulgação)

Leia Também Médico do HSVP alerta para doenças vasculares resultantes da pandemia Hemoterapia do HSVP realiza entrega de troféus aos vencedores do concurso Gaúcho Doador Campanha orienta para os cuidados com o mosquito Aedes aegypti: Passo Fundo registrou oito casos em 2020 Vacinação contra a poliomielite é prorrogada até dia 27 em Passo Fundo