A Política!

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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A palavra “POLÍTICA” tem origem nas primeiras formações de comunidades (cidades) gregas, onde se fez necessário uma organização social destas, visando o bem comum do povo. Nos dias de hoje, a palavra se popularizou e se estendeu para várias outras áreas, porém, sempre com a idéia de organização e de bem comum. No Brasil, a política partidária se encarregou de fazer a organização social e as disputas das mais variadas matizes ideológicas e representatividades sociais. Os partidos políticos deveriam ser os “pilares” da moral, da ética, da austeridade social nos parlamentos e da vida política brasileira de maneira geral.

Esta semana, ocorreu um fato em nossa cidade, que nos chama a atenção e reflete a triste realidade do caráter espúrio, aos quais os partidos políticos no Brasil, com raras exceções, estão submetidos. O desembargador eleitoral do TER/RS, Sr. Gustavo Gastral Diefenthaler, concedeu liminar favorável ao Sr. Rodinei Candeia, presidente municipal do PSL em Passo Fundo, que tinha sua pretensão a candidatura a prefeito de nossa cidade, cerceada pelo presidente estadual da sigla, Deputado Federal Nereu Crespin. O presidente estadual da sigla (PSL) havia formalizado um “acordo” com o PSDB estadual, onde se comprometia em dar apoio às candidaturas a prefeito desta sigla em alguns municípios do RS, dentre eles, Passo Fundo e Erexim. A decisão do desembargador teve como base o próprio estatuto da sigla, que não prevê tal subordinação e ingerência nas decisões municipais. Também foi citada a resolução nº 23.609/2019 do TSE, que não permite a vinculação nacional, estadual e municipal dos partidos para a tomada de decisões.  

Hoje no Brasil, temos um número de 33 partidos políticos registrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e outros 75 na fila para aprovação. A lei eleitoral prevê alguns critérios para o registro de um partido, dentre eles a assinatura de apoio a criação do mesmo, de no mínimo 491.967 eleitores (0,5% dos eleitores que votaram na Câmara dos Deputados Federais na última eleição). Os partidos políticos viraram um verdadeiro negócio para muitos caciques partidários fundadores. O que era para ser um instrumento social de controle dos mandatos e de representatividade social nos parlamentos e no próprio executivo, acabou se transformando em moeda de troca e de negociatas políticas. As negociações feitas a nível nacional e estadual, em muitos casos como o acima citado, são infelizmente comuns no meio político brasileiro, assim como as populares “rachadinhas”, que hoje foram escancaradas e repudiadas pela sociedade brasileira. A disputa pelos recursos do fundo partidário (que raramente chegam ao destino final, leia-se municípios), viraram batalhas promíscuas por parlamentares, onde a ética, a moral e a vergonha na cara, ficam em segundo plano. A fidelidade partidária virou exceção e o povo já não acredita mais nas “ideologias” partidárias, que hoje foram substituídas pelo fisiologismo político, onde cada um defende o seu próprio interesse.

            Estamos vivendo um grande e histórico momento político no Brasil, que embora seja visto por muitos como terra arrasada, para outros, pode ser visto como renovação, esperança, transformação e mudança. Os acontecimentos, por mais trágicos e repugnantes que sejam, fazem parte da formação e amadurecimento político da sociedade brasileira.

“Uma cultura só se muda com a mudança de hábitos e comportamentos, portanto, ela é lenta, mas necessária”!           

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