Os “nãos” necessários

Postado por: Élvis Mognhon

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A vida é repleta de desafios, escolhas, conquistas e aprendizados. Ao longo dela, nos digladiamos entre as realidades mais explícitas e nossos desejos mais ocultos. Muitas pessoas passam a vida tentando agradar, algumas vezes pelo medo de serem contestadas e ouvirem suaves ou retumbantes “nãos”, por outras, simplesmente pelo fato de não terem ouvido suficientes e necessários “nãos” ao longo da vida.

Na infância os limites devem estar presentes e os adultos são os responsáveis por estabelecê-los. Para as crianças, os adultos são a referência e refletem o padrão de certo e errado. A criança deve entender, desde a tenra idade, que a vida não é constituída apenas pelo “sim”, mas também por muitos “nãos”. Ela precisa compreender que não é um ser onipotente. Suas vontades e desejos precisam ser dosados e adequados à realidade com a ajuda dos seus pais ou responsáveis. Os “nãos” que a criança receberá das pessoas mais próximas afetivamente, ajudarão a compreender os “nãos” que a vida posteriormente dará, nas mais diversas dimensões, inclusive na profissional-relacional.

Algumas pessoas ao longo da vida apresentam grande dificuldade em ouvir ou dizer “não”. Acabam sofrendo com isso. Outras, inclusive sofrem abusos psicológicos, simplesmente pelo fato de não conseguirem sair de uma determinada situação ou contexto. Para esses casos, recomenda-se inclusive buscar ajuda de um profissional de saúde mental.

O processo de dizer “não” pode ser desenvolvido? Com certeza pode ser desenvolvido. O exercício do “não” geralmente inicia pela resposta negativa seguida de uma série de justificativas. Com o passar do tempo e o exercício de dizer “não”, ocorre um processo de evolução e amadurecimento, com isso as justificativas vão diminuindo, até o ponto em que a pessoa consiga dizer não, sem a necessidade do costumeiro penduricalho de justificativas e motivos para aquela resposta. O auge desse processo está em dizer “não”, sem justificativas e sem sentir-se culpado, com a consciência tranquila pela resposta mais assertiva para aquele momento.

A sociedade atual está repleta de “nãos”. Alguns são explícitos, outros velados. A família é um lugar muito propício para ouvirmos os primeiros “nãos” e aprendermos com eles. A sociedade costuma ser muito mais dura ao manifestá-los. Portanto, tirar de nossos filhos a oportunidade de ouvir os “nãos” necessários é nos furtarmos de ajudá-los inclusive a serem mais felizes ao longo da vida.

 

** O leitor poderá enviar sugestões, dúvidas, questionamentos sobre o tema para o e-mail: emognhon@gmail.com Para agendar atendimentos clínicos utilizar o WhatsApp (54) 99983 9966.

 

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