O cristão cidadão

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

Compartilhe

A Semana da Pátria é uma oportunidade para compreender melhor a finalidade de uma nação, como também para avaliar se ela está alcançando seus objetivos. O Brasil é uma nação plural onde convivem muitas visões diferentes sobre todos os assuntos, como também propostas de como organizá-lo e governá-lo. Neste contexto, a Doutrina Social da Igreja orienta os fiéis católicos. Estas orientações, em grande parte, estão sintetizadas no capítulo oitavo denominado de “A comunidade política”, do “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” e que são válidas para todo o mundo. Os ensinamentos situam-se na linha de princípios norteadores. Com a pretensão de ser o mais fiel possível transcrevo alguns ensinamentos que cabem neste espaço.

A Doutrina Social da Igreja sempre parte de aspectos bíblicos, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Jesus perguntado sobre a legitimidade de pagar imposto responde: “O que é de César, devolvei a César, e o que é de Deus, a Deus”. Jesus “condena implicitamente toda tentativa de divinizar o poder temporal: somente Deus pode exigir tudo do homem. Ao mesmo tempo, o poder temporal tem o direito àquilo que lhe é devido: Jesus não considera injusto o tributo a César”. As mesmas orientações são dadas para as primeiras comunidades cristãs pelos apóstolos Paulo e Pedro que chamam os cristãos para os deveres cívicos, à obediência às autoridades legitimamente constituídas e a oração por elas.

“A mensagem bíblica inspira incessantemente o pensamento cristão sobre o poder político, recordando que ele tem sua origem em Deus, e como tal, é parte integrante da ordem criada. Tal ordem é percebida pelas consciências e se realiza na vida social mediante a verdade, a justiça e a solidariedade, que conduzem à paz”.

O segundo item trata do fundamento e da finalidade da comunidade política. “A pessoa humana é fundamento e fim da convivência política”. “A comunidade política, realidade conatural aos homens, existe para obter um fim comum, inatingível de outra forma: o crescimento em plenitude de cada um de seus membros, chamados a colaborar de modo estável para a realização do bem comum, sob o impulso da sua tensão natural para a verdade e para o bem”.

A comunidade política tem sua referência em formar um povo. “O povo não é uma multidão amorfa, uma massa inerte a ser manipulada e instrumentalizada, mas sim um conjunto de pessoas, cada uma das quais – no próprio lugar e a seu modo – tem a possibilidade de formar a própria opinião a respeito da coisa pública e a liberdade de exprimir a sua sensibilidade política e de fazê-la valer em maneira consoante com o bem comum”. “O que, em primeiro lugar, caracteriza um povo é a partilha de vida e de valores, que é fonte de comunhão no âmbito espiritual e moral”.

“A comunidade política persegue o bem comum atuando com vista à criação de um ambiente humano em que aos cidadãos seja oferecida a possibilidade de um real exercício dos direitos humanos e de um pleno cumprimento dos respectivos deveres”. Portanto, o cidadão é portador de direitos e de deveres. “A plena realização do bem comum requer que a comunidade política desenvolva, no âmbito dos direitos humanos, uma ação dúplice e complementar, de defesa e de promoção: ‘Evite-se que, através de preferências outorgadas a indivíduos ou grupos, se criem situações de privilégio”.

Jesus deixou claro aos seus seguidores que não deveriam se afastar do mundo, mas serem nele uma presença ativa como o sal e a luz, promovendo uma convivência baseada na “amizade civil” e na fraternidade.

 

Leia Também O palhaço do fogo do circo RABISCOS SEMANAIS: Caminhar juntos(as)! Ocasião Especial O cristão cidadão – 2ª parte