A Finitude Humana

Postado por: Élvis Mognhon

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O dia de finados nos reporta para uma condição eminentemente humana: a finitude. Na perspectiva da fé e da religiosidade, as pessoas ancoram suas crenças e buscam encontrar esperanças tendo o plano terrestre apenas como uma passagem, uma transição para algo melhor. Mesmo assim, muitos deixam grandes obras e construções, buscando imortalizar seus feitos e conquistas, tornando suas obras/nomes conhecidos às demais pessoas.

A morte ainda é uma incógnita para os seres humanos. Como pode a vida estar presente e em questão de minutos ou mesmo segundos se esvair? Os relatos de quem esteve muito próximo da morte são controversos, mas muitos têm em comum a relação com túneis, luzes e especialmente com algo transcendental.

Pensar sobre a morte nos deixa intrigados. Em grande medida, o ser humano não gosta de pensar sobre a morte. Ela ainda é em grande medida misteriosa, enigmática, capaz de colocar nossas certezas em dúvida. Ela é implacável e afeta a todos. Meu saudoso pai sempre dizia: “Ninguém ficará para semente”. Era a forma que ele conseguia compreender a morte. Nos momentos finais proferiu alguns comentários que na época não faziam muito sentido, ou não queríamos que fizesse, mas que hoje compreendemos perfeitamente: “Vejo como se estivesse fazendo uma travessia sobre as águas, e tivesse que ir deslocando tábuas para caminhar, agora percebo que minhas tábuas estão encharcadas e afundando (acabando)”.

O encontro com a realidade nua e crua da finitude ainda é postergado. Denominamos distanásia à utilização de recursos artificiais para o prolongamento da vida, por vezes apenas do sofrimento. A Bioética discute muito até que ponto temos o direito de prolongar a vida e o sofrimento do outro? Por outro lado, quando a morte é trágica temos ainda maior dificuldade de aceitar.

A morte nos interpela de forma muito avassaladora. Sempre digo que estamos em constante processo de evolução e aprendizado. Inclusive no momento derradeiro, ainda estaremos aprendendo, se tivermos a oportunidade, de descobrir o quanto estávamos preparados, ou não, para a morte. Enquanto esse dia não chegar, façamos nossas homenagens aos nossos entes queridos que partiram antes de nós.

 

** O leitor poderá enviar sugestões, dúvidas, questionamentos sobre o tema para o e-mail: emognhon@gmail.com Para agendar atendimentos clínicos utilizar o WhatsApp (54) 99983 9966.

 

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