Médico do HSVP alerta para doenças vasculares resultantes da pandemia

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As doenças cardiovasculares, representam a principal causa de mortes no Brasil. São mais de 1100 mortes por dia, cerca de 46 por hora, 1 morte a cada 1,5 minutos (90 segundos), segundo o Cardiômetro, indicador criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Ao final de 2020, a entidade estima que, quase 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas. O alerta, a prevenção e o tratamento adequado dos fatores de risco e das doenças cardiovasculares podem reverter essa grave situação.

A pandemia da Covid-19, o distanciamento e muitas vezes o receio de sair de casa, também fez com que os casos de doenças cardiovasculares agravasse. Os pacientes estão chegando cada vez mais tarde para atendimento médico e por vezes, descuidando os fatores de risco e prevenção. O médico cardiologista do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Dr. Álvaro Luís Machado Soares pontua que há uma clara e preocupante escalada de casos agravados em consequência ao atraso na procura aos médicos a nível ambulatorial e assistencial nos hospitais especializados no atendimento aos pacientes portadores das mais variadas patologias cardiovasculares. “Tal fato ocorreu notadamente nos primeiros 90 dias, a contar de março do ano corrente, e perdura até recentemente, muito embora nestes últimos 30 dias a procura tenha aumentado, mesmo em pacientes eletivos, com as campanhas nacionais que vem esclarecendo a sociedade da necessidade de manutenção da atenção à saúde, seja terapêutica ou preventivamente”, informa.

 No que diz respeito às consequências ao atraso a busca por atendimento, Dr. Álvaro evidencia que os pacientes que se encontravam estáveis, acabam de forma, muitas vezes evitáveis, tendo seus quadros clínicos instabilizados pela não realização de consultas e exames complementares. “O pior cenário é observado nos pacientes que são acometidos de forma grave em seus domicílios e embora sintam-se em más condições clínicas, não procuram rapidamente os serviços atendimento cardiológico ou quando há procura, esta ocorre tardiamente, em situações muitas vezes irreversíveis, com forte impacto na sua qualidade de vida, e infelizmente ocasionalmente vem a falecer”, alerta o especialista,  ressaltando “que tais fatos acabam por onerar o sistema de saúde, seja ele público ou privado, pela necessidade de atenção intensificada, pelas sequelas da doença não tratada de forma preconizada. Isso é claro, e particularmente evidente, nos casos relacionados ao infarto agudo do miocárdio, em que a precocidade no atendimento ao paciente impacta de forma absolutamente decisiva na recuperação, reinserção social, bem como na mortalidade”.

Atenção aos sinais e a busca pelo atendimento

O atendimento médico rápido em doenças cardiovasculares salva vidas e evita sequelas nos pacientes, por isso, Dr. Álvaro alerta para atenção aos atentos aos sinais e sintomas mais comuns, como dor peito de forte intensidade, que se irradia para a região do pescoço e braços; náuseas e vômito; sudorese fria e falta de ar. “Apresentando esses sinais, os pacientes devem procurar atendimento prontamente, junto ao seu médico assistente e hospital de referência para que as condutas sejam rapidamente tomadas”.

Quanto a segurança do atendimento nos hospitais, é válido destacar que como por exemplo, no Hospital São Vicente de Paulo, referência no atendimento de doenças cardiovasculares, os pacientes com Covid-19 são atendidos em alas separadas dos demais pacientes e todos os protocolos de higienização, distanciamento e medidas de proteção são tomados.

Aumento dos fatores de risco na quarentena

As doenças cardiovasculares podem ser evitadas ou mesmo, situações graves revertidas, quando há prevenção e controle dos fatores de risco. Alimentação saudável, prática de exercício físico, controle do estresse, monitoramento e tratamento adequado de diabetes e hipertensão arterial, estão entre os cuidados. Porém, na pandemia, o isolamento social, os medos e incertezas agravaram alguns dos fatores de risco, ou por exemplo, levaram algumas pessoas a descuidarem da alimentação, medicações e prática de atividades físicas. Conforme Álvaro, “os chamados fatores de risco para a saúde do coração, quais sejam, tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, aumento do colesterol, falta de atividade física, ansiedade e consequente ganho de peso, acabam se associando direta ou indiretamente, potencializando as possibilidades de agravamento ou surgimento do infarto do miocárdio e suas lamentáveis consequências, particularmente quando não são precoce e adequadamente tratadas”.

 Mantenha uma dieta saudável e equilibrada, pratique atividade física e consulte seu médico regularmente. Em caso de sinais ou sintomas, busque atendimento médico imediatamente.

 


Créditos: Divulgação/HSVP  


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