João Batista, a jovem de Nazaré e o carpinteiro José

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Aproxima-se o Natal do Senhor. Logo mais entraremos da quarta semana do advento e também a semana do Natal. Em um ano muito difícil fará bem celebrar a decisão de Deus encarnar-se na nossa história na pessoa daquela criança frágil nascida na cidade de Belém. Para os amantes do poder, orgulho e prepotência fica um pouco difícil assimilar que o salvador da humanidade tenha vindo ao mundo dessa forma: no seio de uma família pobre, sem lugar para nascer, acolhido por pastores pobres e aquecido pelo calor dos animais.

A lógica que Deus escolheu para vir ao mundo inquieta muitos, pois Ele não nasceu em berço de ouro. Nasceu em uma manjedoura, em um lugar pouco aprazível. Acolhamos esta lógica pela fé e deixemos que Deus continue nos surpreendendo assim como surpreendeu Zacarias e Isabel, Maria e José e o temível rei Herodes. Os primeiros foram surpreendidos pela alegria da escolha, Herodes pelo medo de perder o poder (cf. Mt 2,3). Todavia, Deus, em seu amor sem limites pela humanidade, decidiu contar com a colaboração humana. O projeto salvador seria fruto de uma grande aliança.

 Primeiramente com João Batista, o profeta que veio do deserto trazendo uma novidade significativa para toda a humanidade. João Batista, filho de Zacarias e Isabel, se apresentou na região do Rio Jordão pregando a conversão, a mudança de vida a partir da mudança de mentalidade (cf. Mc 1,4). Esta mudança compreenderia certamente o enfrentamento dos pecados, realidade de vida contrária ao desejo de Deus. João Batista convidava as pessoas a prepararem o caminho do Senhor, porque o Reino dos Céus se aproximava (cf. Mt 3,2). Era a preparação sugerida em vista da chegada do enviado de Deus.

João Batista assumiu a responsabilidade compreendendo-se como “testemunho da luz”, convidando todos a crerem em Jesus (cf. Jo 1, 7). Mas havia a necessidade da continuidade da obra anunciada por João. Surgiu a segunda contribuição significativa da humanidade, a mediação de Maria e José para que o Filho de Deus tivesse acolhida em uma família.  Jesus viria ao mundo através da Família de Nazaré. Tal mediação aconteceu através de dois processos:  o de Maria e do de José. Quanto a Maria o evangelista Lucas descreve a visita e o diálogo do mensageiro de Deus com a jovem (Lc 1,26-38). Feitas as perguntas necessárias e obtidos os esclarecimentos, Maria deu o seu sim, mesmo que isto significasse uma mudança radical em sua vida. O Filho que teria não era obra humana, mas fruto da ação do Espírito de Deus (cf. Lc 1,34). A ter a certeza que tinha uma grande missão em suas mãos ela louvou e agradeceu a Deus por tê-la escolhido (cf. Lc 1, 46-55).

Entretanto, a cultura da época não concebia uma mulher grávida sem um esposo. Deu-se o segundo momento do processo de contribuição humana. José futuro, esposo de Maria, soube do fato e cogitava uma saída “honrosa” humanamente (cf. Mt 1,19). Nesse tempo recebeu também uma visita através do sonho. Não questionou mais. Em silêncio acolheu a esposa e o Filho que Deus lhe dera (cf. Mt 124-25). Comumente refletimos e rezamos o sim de Maria. Ele foi sustentado e completado pelo sim de José, não manifesto em palavras, mas em gestos.

Com a contribuição humana, nas ações de João Batista, o precursor e Maria e José, que acolheram Jesus em suas vidas, Deus pode encarnar-se na nossa caminhada humana rumo a salvação de todos. Foi o caminho possível encontrado pelo Pai. O nascimento de Jesus é consequência desta primeira aliança, fruto da iniciativa divina, contudo concretizada pela ação humana. Diante de um processo tão rico cabe a cada um de nós também colaborarmos nesse diálogo amoroso.

 Nossa missão é muito simples e foi indicada pelos pastores e magos: acolher o salvador e deixar que ele guie nossas vidas.

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