RABISCOS SEMANAIS: Presépio de Jovens!

Postado por: Leandro de Mello

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Já organizaste um presépio? A história registra que o jovem Francisco de Assis, em 1223, desejoso de atualizar a sagrada experiência cristã e para que outras pessoas compreendessem melhor o nascimento de Jesus, compartilhou sua intenção com um amigo, de Greccio, chamado Giovanni: “gostaria de lembrar aquele menino que nasceu em Belém e de alguma forma ver com os olhos do corpo as dificuldades que enfrentou devido à falta das coisas necessárias para um recém-nascido; como ele foi deitado em uma manjedoura e como ele ficou no feno entre o boi e o jumento” (Tomás de Celano, Vita Prima, 85: Fontes Franciscanas, 468). A natividade do Emanuel, Deus conosco, reinterpretada a partir do coração dos jovens amigos, transcorre séculos e visita-nos, neste 2020.   

Quando penso a juventude, os(as) jovens com quem dialogo, compartilho a vida e a missão, respiro utopia e caminho trilhando sonhos e aspirações, como a semente lançada no ventre da terra, repleta de energia para germinar, compreende? Para tornar-se existência, como nova planta, a semente precisa ser acolhida em terra fértil, receber água, calor, luz, cuidados. Diz a canção: “toda semente é um anseio de frutificar!” A semente nativa, a seu tempo, nasce e desenvolve-se na harmonia de seu habitat, não é?

A sagrada escritura, sugere que o verbo fez-se carne e habita dentre a humanidade (Jo 1, 14), isto é, Deus revela-se humano, criança, adolescente, jovem, adulto, ao nascer, crescer, aprender, conviver, saborear a existência conosco. É verdade, o sabemos, que “ninguém jamais viu a Deus; mas o Filho único, que está junto do Pai, o revelou a nós” (Jo 1, 18). No rosto jovem, a saber, encontro o olhar divino, a feição e a voz sagrada do transcendente, o odor aromático que cativa. Nos(as) jovens, escuto a Palavra de Deus, proclamada em seu respirar, no ardor e pulsar do coração. Ora, “toda Palavra é um anseio de comunicar!”

 Dick propõe que o(a) jovem “é uma realidade teológica que é preciso aprender a ler e desvelar” (Hilário Dick. O Divino no Jovem, 2009, p.15). É expressão do sagrado! Francisco de Assis, inspirou-se na alteridade de pessoas, próximas e amigas, para nutrir o esperançar, professando a fé ao fazer memória de um dos partos mais importantes da história da humanidade, porém, despojado à plena nudez da essência, o encontro. Deus encontra o humano que, por sua vez, abraça o divino. Relações em construção dialética permanente.

Na realidade contemporânea, que presépio construir? A criatividade é irmã da novidade, entende? Unidas à ousadia profética juvenil tornam-se fonte inesgotável de transformação e construção humana, sócio política, econômico cultural e eclesial. Os presépios, na atualidade do bem viver, desafiam-nos a ultrapassar o “clássico”. Que manjedouras, hoje, existem?  “Consciente da força renovadora do cristianismo também em relação à cultura e à realidade social, a Igreja oferece o contributo do próprio ensinamento à construção da comunidade dos homens (e das mulheres), mostrando o significado social do Evangelho” (CDSI, n. 521), ontem e hoje, com olhar ao horizonte, o amanhã.

Encarnado à práxis pastoral, ouso refletir a realidade dos grupos de jovens, enquanto atualização privilegiada do germinar, nascer, crescer, florescer das sementes do Reino de Deus. O grupo de jovens é lugar de alegria e inquietação à vida. Há dores, como de parto, e fontes renovadoras de esperança; lágrimas e sorrisos. No presépio da vida em grupo, “o fundamental é discernir e descobrir que o que Jesus quer de cada jovem é, antes de tudo, sua amizade” (ChV, n. 250). Neste sentido, quando se propõe organizar um grupo de jovens na comunidade, por exemplo, “a missão não se reduz apenas a trazer os jovens para as atividades da Igreja, mas consiste também em despertar sua vocação e seu papel na sociedade” (CNBB. Evangelização da Juventude – Doc. 85, n. 177).  

 

Padre Leandro de Mello - @padreleojuventude. Passo Fundo, 15 12 2020.

 

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