2020: Um ano inesquecível

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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Normalmente ao final do ano de faz a retrospectiva dos principais acontecimentos do período. O ano de 2020 marcará profundamente a história. Ao iniciá-lo soou a notícia da existência de um novo vírus num país distante do nosso. Chegamos ao seu final convivemos com o fato do vírus estar presente em todo o mundo, literalmente em todo o mundo. Outros fatos históricos, mesmo das dimensões do tsunami de 26 de dezembro de 2004 que fez mais de 230.000 vítimas, ficam pequenos diante da atual pandemia. O tsunami aconteceu em pouco horas e numa parte do mundo. A pandemia já dura um ano e não tem ninguém neste planeta que não conheça alguma pessoa infectada pelo vírus ou que foi sua vítima fatal.

Quando as futuras gerações nos pedirem para contar a nossa vida, certamente ninguém deixará de falar da pandemia da covid-19 de 2020 ou até quando ela se estender. A história vai ser contada com muitas versões e fatos diferentes por ser esta a vivência de cada um. Cada um tem seu ponto de vista sobre a pandemia e como ela afetou sua vida.

Tudo aquilo que nos marca profundamente deve ser objeto de reflexão e aprendizagem. Situações extremas e de crise desnudam fragilidades, mas também são oportunidades que desafiam a inteligência, a criatividade e a sabedoria. É maravilhoso ver uma multidão procurando entender o que está acontecendo, procurando soluções, fazendo projeções para viver o tempo presente e vislumbrar um amanhã. O ano inesquecível de 2020 aponta valores, entre os quais destaco: Casa comum, família e misericórdia.

Se alguém ainda tinha dúvidas que o planeta terra é uma “casa comum” necessita rever os argumentos. O vírus que era distante e invisível a “olho nu” chegou em toda parte e não houve seleção pelas condições materiais, sociais, instrução, religião, idade, nação, etc. As maravilhas da globalização permitem globalizar também os males na velocidade das redes virtuais. Diante disso cada indivíduo, cada instituição, cada nação, cada bloco de países deve pensar tanto em si como na “casa comum”. O Papa Francisco usou a expressão “casa comum” na Laudato Si referindo-se a ecologia integral, mas por analogia pode ser aplicada para outras situações. Estando na mesma casa precisamos viver como irmãos. Vale recordar outra encíclica do Papa Francisco Fratelli Tutti sobre a fraternidade e a amizade social. Imaginemos, se por um ato de egoísmo, as vacinas fossem somente aplicadas nos países onde foram descobertas?

A instituição sagrada da família está recebendo mais atenção. As medidas preventivas conduziram para dentro das casas e de forma bem restrita e, se possível, só o pequeno grupo familiar. A convivência mais demorada proporcionou descobertas e fortalecimento de vínculos. Em outras famílias a proximidade também desencadeou sofrimentos. Nesta situação extrema fica mais evidente que o lar é o espaço sagrado da convivência e que precisa ser cultivado com esmero.

O terceiro valor é a misericórdia. Muitas vezes não se quer admitir a fragilidade e a finitude humana, mas a pandemia, sem dó, escancarou que isto é vaidade. Por isso é preciso ser misericordioso começando em pequenas ações e vale lembrá-las: obras corporais: dar de comer a quem tem fome, dar de beber, vestir os nus, acolher o estrangeiro, assistir aos doentes, visitar os presos, sepultar os mortos; e as obras espirituais: aconselhar os duvidosos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as injustiças, rezar pelos vivos e pelos mortos.

Que 2021 seja um ano cheio de esperança cristã e abençoado.

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