RABISCOS SEMANAIS: Podcast à Boa Notícia!

Postado por: Leandro de Mello

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A dinâmica da comunicação desenvolve-se em nós desde muito cedo. Nossa dimensão sensorial é aguçada por inúmeros estímulos experimentados desde o ventre materno. Basta recordar que o pulsar do coração materno é, talvez, o primeiro elemento sonoro captado pela criança em gestação. Um verossímil podcast da vida, sabe? Você escuta podcasts?

Comunicar é um ato de interação entre pessoas, animais e plantas, pode-se dizer. Há diversas formas de comunicação. As plantas comunicam-se através das raízes e microrganismos, por exemplo. Os animais, muitas vezes, se comunicam emitindo sons. Pássaros cantam para encontrar-se; golfinhos, baleias emitem seu “cantar”, mesmo na profundidade das águas, e encanta-nos, para comunicar-se. E as pessoas? Sim, as pessoas são comunicadores(as) por natureza e o fazem com exímia criatividade.

Quantas são as formas de comunicação humana? Olhar, paladar, tato, olfato, escuta, fala, escrita, etc. O ser humano é todo comunicação, mesmo quando silencia. O interessante, neste viver integrado - humano, flora e fauna - é respirar e suspirar o ar da existência, nesta Casa Comum que nos abriga e conosco também comunica-se. Laudato Si!

Porque comunicar? Papa Francisco, neste 2021, por ocasião do 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais, propõe: “Vem e verás (Jo 1, 46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são!” Comunicar através do encontro é uma provocação singela e ousada ao mesmo tempo, não?

A realidade contemporânea exige-nos, muitas vezes em demasia, a experiência da realidade virtual, redes sociais, lives, home office, plataformas digitais, etc. e tudo isso é importante para nós, não resta dúvida. Todavia, somos seres de relação real, de toque, fragrâncias, não é verdade? Daí emana a essência da comunicação, o encontro. O ir ver, o experimentar, o desafio, o novo e uma certa curiosidade sagrada que impulsiona ao horizonte, à vida, ao transcendente, lá onde o “wi-fi” não alcança, compreende?  

O que comunicamos, hoje, enquanto sociedade civil e comunidade eclesial? Há alguns dias, a saber, perguntaram-me a respeito da desmotivação juvenil em relação a participação na Igreja: comunidades, grupos e pastorais. Há pessoas de boa vontade envolvidas na comunidade eclesial, porém, raras são jovens. Por quê? Será um problema de comunicação? Desconexão? A egressão de muitos(as) jovens é, a meu ver, um diagnóstico do afastamento eclesial e social como um todo.

Na carestia ou não havendo uma cultura social comunitária de participação, muito raramente as pessoas mais jovens terão ânimo para seguir interagindo e ou coordenando uma pastoral, um grupo, movimento, comunidade e ou entidade civil, pública.  Há poucos dias uma jovem compartilhava sua angústia: "Sinto-me exausta e parece que não consegui fazer nada como coordenação do grupo de jovens. E não é somente por razão da pandemia. Porque, agora, parece que tudo é culpa da pandemia; e não é!"

O isolamento social, por razão sanitária, é salutar para que tenhamos vida e saúde. É indiscutível sua necessidade e importância à toda sociedade. Porém, a pandemia passará; as vacinas são uma realidade presente, apesar das inseguranças e falácias. Faz-se urgente comunicar a Boa Nova, portanto, como a sagrada escritura motiva: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15). Tal comunicar implica ação na alteridade. “A fé cristã começa assim; e comunica-se assim: com um conhecimento direto, nascido da experiência, e não por ouvir dizer”, recorda Francisco.

Todo ir implica um encontro e, posteriormente, um convite à participação, pois, gera um conteúdo, uma mensagem a ser compartilhada, experimentada. Quando uma pessoa de outro estado brasileiro ou país pergunta, por exemplo, como é o churrasco gaúcho? Uma resposta coerente a se dizer é: “Vem e verás!” Por que agir diferente em relação à Igreja, às jovens e aos jovens? “Se não nos abrimos ao encontro, permanecemos espectadores externos, apesar das inovações tecnológicas com a capacidade que têm de nos apresentar uma realidade engrandecida onde nos parece estar imersos”, lembra o Papa Francisco.

Francisco diz mais: “o método ‘vem e verás’ é o mais simples para se conhecer uma realidade; é a verificação mais honesta de qualquer anúncio, porque, para conhecer, é preciso encontrar, permitir à pessoa que tenho à minha frente que me fale, deixar que o seu testemunho chegue até mim”. Para comunicar o sabor da vida em grupo, em comunidade, orante, ativa e participativa é ímpar exalar o perfume da proximidade que cativa, envolve, desperta e promove protagonismo. Um podcast real, ao vivo, entende? Para tanto é imprescindível discernimento, processo sinodal, diálogo via presença, olhos nos olhos, à luz do Evangelho, com atenção especial à linguagem contemporânea (século 21).

À juventude o melhor podcast à vida em abundância (Jo 10,10) é o coração, a escuta, o tom de voz, a mão amiga, próxima, ao vivo, compartilhando experiências, caminhando junto, seja no grupo de jovens, na roda de conversa, na rua, no passeio de bicicleta, na trilha de motocross, na cachoeira, a beira mar, na pista de skate, no chimarrão no Parque da Gare ou CTG, na praça de alimentação, na poesia, música, etc. “A boa nova do Evangelho difundiu-se pelo mundo, graças a encontros pessoa a pessoa, coração a coração: homens e mulheres que aceitaram o mesmo convite – ‘vem e verás’ –, conquistados por um ‘extra’ de humanidade que transparecia, brilhou no olhar, na palavra e nos gestos de pessoas que testemunhavam Jesus Cristo” (Papa Francisco). E quanto a Mater Ecclesiae? “Vem e verás!”

 Padre Leandro de Mello - @padreleojuventude. Passo Fundo, 26 01 2021.

 

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