RABISCOS SEMANAIS: Lar da Juventude!

Postado por: Leandro de Mello

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Há casas e casas! Pensar a imagem casa, pensar um lar é, sem dúvidas, ousar em criatividade, afetos, memórias e utopia. Cada pessoa traz consigo lembranças, boas ou ruins, relacionadas ao lar e ou a inexistência dele. “Criar um lar, em suma, é criar uma família; é aprender a se sentir unidos aos outros além dos vínculos utilitários ou funcionais, unidos de tal maneira que sintamos a vida um pouco mais humana” (ChV, n. 217). Qual é nosso lar, afinal? Quais suas características essenciais, indispensáveis?

Há vários meses, desde março 2020, escuta-se a expressão “ficar em casa” não é verdade? Que casa ficar? Para quem cresceu em ventre familiar, a casa, materna/paterna, é referência certamente. Há que se considerar, contudo, crianças, adolescentes e jovens, desprovidos da experiência familiar, do lar consanguíneo e afetivo, não? Quantas são as pessoas que habitam casas de acolhimento e afins? Quantas têm a calçada por varanda?

Francisco, na exortação apostólica Christus Vivit, recorda que “precisamos oferecer aos jovens lugares apropriados que eles possam organizar a seu gosto, e onde possam entrar e sair livremente, lugares que os acolham e onde eles podem se aproximar, espontaneamente e com confiança, ao encontro de outros jovens, tanto em momentos de sofrimento e de tristeza, como quando desejam celebrar suas alegrias” (ChV, n. 218). Nossa comunidade eclesial é lar aos adolescentes e jovens, neste contexto contemporâneo? A sociedade civil é ambiente familiar à vida juvenil? Há lar da juventude?

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE, 2019 – 2023) sugerem que “casa é aqui a imagem de maior proximidade às pessoas, o lugar onde vivem, mesmo àquelas que só têm a rua como casa. Ela indica a proximidade relacional entre as pessoas que ali convivem. Indica igualmente a necessidade da Igreja se fazer cada vez mais presente nos locais onde as pessoas estão, seja onde for” (CNBB, 2019, n. 6).

A sagrada escritura faz referência inúmeras vezes à casa, seja enquanto local de habitação e ou como espaço de oração, abrigo, proteção, cura, serviço e missão. Pedro, Tiago e João, acompanharam Jesus à casa de Jairo para atender sua filha adolescente, curando-a e fazendo-a levantar-se (Mc 5, 37-42). Em Betânia, Marta, Maria e Lázaro, foram anfitriões de Jesus, na fraternidade e amizade social (Jo 12, 1-8). Após a jornada para Emaús, os peregrinos acolhem Jesus, em casa, para refeição (Lc 24, 13-35). Estavam reunidos, em casa, quando o ressuscitado saudou-os, dizendo: “A paz esteja convosco!” (Lc 24, 36). Reportando-nos, ademais, à exortação apostólica Fratelli Tutti, que memora à fraternidade universal, pois, somos todos irmãos(ãs) nesta grande Casa Comum, dom de Deus, é salutar refletir que “existem muitas moradas” (Jo 14, 2), às pessoas de boa vontade, para edificar a Civilização do Amor.

 A poetisa brasileira, Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, expressa: “Faz da tua casa uma festa! Ouve música, canta, dança. Faz da tua casa um templo! Reza, ora, medita, pede, agradece. Faz da tua casa uma escola! Lê, escreve, desenha, pinta, estuda, aprende, ensina. Faz da tua casa uma loja! Limpa, arruma, organiza, decora, muda de lugar, separa para doar. Faz da tua casa um restaurante! Cozinha, prova, cria, cultiva, planta. Enfim, faz da tua casa um local criativo de amor” (Cora Coralina).

Hoje, “criar lares, ‘casas de comunhão’, é permitir que a profecia tome forma e torne as nossas horas e nossos dias menos inóspitos, menos indiferentes e anônimos. É tecer laços que se constroem com gestos simples, cotidianos e que todos nós podemos realizar. Um lar, todos o sabemos muito bem, precisa da cooperação de todos. Ninguém pode ser indiferente ou alheio, já que cada um é pedra necessária em sua construção” (ChV, n. 217). Neste tempo presente, sonhar e edificar o lar da juventude é possível. Vamos construir?

 

Padre Leandro de Mello - @padreleojuventude. Passo Fundo, 02 02 2021.

 

 

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