Rabiscos Semanais: Na bagagem do ancião a juventude!

Postado por: Leandro de Mello

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Viajar! Gostas de viagens? Todo passeio, viagem traz consigo algumas características, tais como: roteiro, período de translado e permanência, organização financeira, documentação, bagagens, companhias e, certamente, orações, congratulações e objetivos, motivações. Desde a antiguidade a humanidade carrega em sua genética o peregrinar, andar, desbravar, conhecer, buscar horizontes e realizar utopias. Quem de nós eu sair para uma viagem, pequena ou maior, não escutou de alguém próximo: boa viagem, Deus te acompanhe, vai na paz, etc.; você e eu, por certo, já ouvimos, não?

À memória achegam-se inúmeras passagens, fatos, afetos de viagens, pessoas, amizades e familiares. Histórica, certamente, registrou-se a peregrinação do Sumo Pontífice ao Iraque, entre os dias 05 e 08 de março, neste corrente 2021. Que havia na bagagem do ancião? O Livro Sagrado de liturgia dos séculos XIV – XV, Sidra, restaurado e entregue ao arcebispo de Mossul, dom Yohanna Butros Mouché. Roupas, objetos pessoais, presentes. O que levar ao Iraque? Talvez tenha rezado e pensando Jorge Mario Bergoglio. 

Aos 25 dias de março de 2019, junto ao Santuário da Santa Casa, em Loreto, durante a Solenidade da Anunciação do Senhor, marcando o sétimo ano de seu pontificado, Francisco assinava a exortação pós-sinodal “Christus Vivit” dedicada aos jovens. A jovem, Nossa Senhora, Mãe de Cristo e da Igreja, fazia companhia ao gesto de Francisco. Ao voar para o Iraque, Francisco, confia sua devoção à Maria, na imagem de Nossa Senhora de Loreto, Padroeira dos Aviadores(as). Em sua 33ª visita apostólica, Francisco é o primeiro Papa a pisar o território iraquiano e suas adversas situações.

Em mensagem, publicada pelo Vatican News, Bergoglio transmitiu seu desejo de encontrar o povo e estar naquela terra, como "Peregrino da Paz" que deseja a Fraternidade, pois, Fratelli Tutti, "somos irmãos!" A comitiva pousa, em Bagdá, no dia 05 03 2021, tornando-o um dia histórico para a comunidade humana. Papa Francisco chega ao Iraque e, no aeroporto internacional, é recebido pelo primeiro-ministro, Mustafa Abdellatif Mshatat. Jovens com vestes tradicionais cantam músicas típicas em árabe, dançam e acenam bandeiras do Iraque e do Vaticano, acolhendo o Pontífice em clima festivo e caloroso.

Francisco nos ajuda compreender melhor o Evangelho de Jesus Cristo na vida contemporânea: “Sinto-me agradecido por fazer esta viagem apostólica [...]. Venho como penitente que pede perdão ao Céu e aos irmãos por tanta destruição e crueldade. Venho como peregrino de paz, em nome de Cristo, Príncipe da Paz.” Diversas autoridades civis, militares, religiosas e o povo de boa vontade o saúda, alegre e grato. A agenda pontifícia estava repleta de compromissos, é verdade. Contudo, na mala de garupa de um latino-americano, há sempre preciosidades, muitas delas guardadas no coração.

A viagem apostólica ao Iraque traz-nos significativas referências à fraternidade e à amizade social neste contexto contemporâneo e seus colapsos. Em Bagdá, junto a Nunciatura, Francisco dialogou com um grupo de jovens partícipe dos programas da Fundação Scholas Ocurrientes. Mario Del Verme, coordenador da fundação, acompanhou estes jovens de diferentes confissões religiosas no encontro com o Papa que convidou todos(as) a ter esperança e “a procurar as estrelas que possam guiá-los no caminho”.

Na Planície de Ur, Terra de Abraão, Patriarca da Fé, líderes religiosos cristãos, judeus, muçulmanos e de outras comunidades de fé, estiveram reunidos em diálogo inter-religioso, construindo pontes de paz à luz da Sagrada Escritura, pela motivação “sois todos irmãos!” Dois jovens, amigos de estudos e trabalho conjunto, compartilharam seus testemunhos de vida na unidade, aspirando o sonho em construção na alteridade humana, respeitando suas confissões de fé e caminhando juntos, lado a lado, de mãos dadas e em paz.

Francisco, terno e profético, transmitiu sua mensagem ao presidir o encontro, a partir das ruínas históricas da cidade dos Caldeus. Recordou, dentre inúmeras marcas à sociedade, que os(as) jovens são essenciais para o presente e o futuro da humanidade, sendo responsabilidade nossa prover-lhes reta educação e sadias perspectivas de vida. “Penso nos jovens voluntários muçulmanos de Mossul, que ajudaram a refazer igrejas e mosteiros, construindo amizades fraternas sobre as ruínas do ódio, e penso nos cristãos e muçulmanos que hoje restauram conjuntamente mesquitas e igrejas”.

Francisco, prossegue: “Impressionou-me o testemunho de Dawood e Hasan, um cristão e outro muçulmano, que, sem se deixar abater pelas diferenças, estudaram e trabalharam juntos. Juntos, construíram o futuro e descobriram-se irmãos. Também nós, para prosseguir, precisamos de fazer, juntos, algo de bom e concreto. Este é o caminho, sobretudo para os jovens, que não podem ver os seus sonhos truncados pelos conflitos do passado. Urge educá-los para a fraternidade, educá-los para olharem as estrelas. Trata-se duma verdadeira e própria emergência; será a vacina mais eficaz para um amanhã pacífico. Porque sois vós, queridos jovens, o nosso presente e o nosso futuro!”

A educação compõe um dos itens salutares à bagagem da sociedade, diga-se! Desde 2015, quando inaugurada, a Universidade de Erbil é uma realidade presente no Curdistão iraquiano que deseja “investir na formação de jovens”. Seu novo programa injeta 1,5 milhões de euros em apoio a 150 bolsas estudantis. “Até hoje, já são 170 universitários iraquianos representados por 72% de cristãos, 18% de yazidis e 10% de muçulmanos”. Segundo, Alessandro Monteduro, diretor da Ajuda à Igreja que Sofre: “Investir na formação de jovens iraquianos significa dar ao país novas possibilidades econômicas, porque o novo grande perigo é o da pobreza, que pode levar aquilo que resta das comunidades cristãs a deixar sua pátria”.

Francisco, peregrino da Paz, como filho penitente conduz-nos à Casa dos Patriarcas da Fé, Ur dos Caldeus, chão sagrado para as grandes comunidades religiosas do mundo. Caminha, em paz e ousadia, a terra da promessa, o Iraque! Francisco nos inquieta à viajar o sonho do Reino de Deus, a Civilização do Amor: “Quem ama não se fecha em si mesmo quando as coisas correm mal, mas responde ao mal com o bem, lembrando-se da sabedoria vitoriosa da cruz”.

Na bagagem do ancião Bergoglio/Francisco está, tenho certeza, a juventude! “Rezo para que os membros das várias comunidades religiosas, juntamente com todos os homens e mulheres boa vontade, cooperem para forjar laços de fraternidade e solidariedade ao serviço do bem comum e da paz”, externou Francisco. Nesta grande celebração da Unidade, da Fraternidade e da Paz, convidando a olhar as estrelas do céu, pisando o chão da realidade, Francisco profetiza que os(as) jovens são tesouros para humanidade! “Salam (Paz)! Allah ma’akum (fiquem com Deus)!”

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