Do interesse particular ao bem coletivo

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Procurem sempre o bem uns dos outros (1Ts 5,15)

Completa-se um ano da pandemia do Covid 19 que atingiu em cheio o Brasil, com variações entres as regiões. Tivemos momentos de pico e arrefecimento dos contágios. Experimentamos agora uma situação não vista antes, marcada por muitas internações, filas de espera por um leito e, infelizmente, muitos óbitos. Desde o começo da pandemia fomos alertados pelos especialistas em infectologia e outros profissionais de saúde, da necessidade do isolamento social como medida de prevenção quanto a possíveis contágios.

Antes, as pessoas idosas e ou com outras enfermidades eram as principais vítimas; hoje o risco atinge a todos. O fato de não termos vacinas disponíveis para toda a população exige atenção maior pois não há segurança quanto ao retorno das diferentes atividades sem a segurança de um bom percentual de pessoas vacinadas e consequentemente o aumento da imunização.

Dentro do possível, com exceção do presidente da república e parte da estrutura governamental na esfera federal, os governantes municipais e estaduais tentaram pautar com seriedade e espírito público as orientações quanto ao exercício das diferentes atividades produtivas, comerciais, religiosas e outras, monitorando o nível de contágio e a possibilidade de um atendimento adequado nas unidades hospitalares. Mesmo que muitos pacientes sejam assintomáticos ou tenham desenvolvido a doença de uma forma leve, é necessário a estrutura hospitalar para atender os que têm o quadro de saúde agravado. Esta estrutura não compreende apenas equipamentos, mas profissionais de saúde em condições de exercer com presteza e segurança a função, o que exige preparo técnico e formação para atuação em um contexto extremo.

  Já se escreveu muitas vezes sobre as empresas que dependem da circulação de público e do exercício das suas atividades para continuarem existindo. Temos acompanhado o drama de muitos pequenos comerciantes e outros prestadores de serviço que dependem da sua atividade para sobreviverem no mercado ou também daqueles que perderam seus empregos e passaram a depender do auxílio emergencial.  Depois de um ano não tivemos uma melhora significativa no quadro e o atual agravamento da situação pandêmica implica em um ônus maior para estes grupos.  

A adoção dos protocolos simbolizados nas bandeiras permite uma margem de atuação e diálogo entre os que precisam exercer suas atividades laborais e a necessidade de proteção em relação ao avanço ou arrefecimento da pandemia. Aqui entra a responsabilidade pessoal. Certamente os protocolos sugeridos contrariam muitos interesses legítimos sobretudo das atividades produtivas.   É o mal menor diante da possibilidade de um colapso ainda mais profundo nos sistemas de saúde com graves consequências para toda a sociedade.

Contudo, existem outras atitudes mais preocupantes aos quais devemos alertar. É consenso que o maior potencial de contágio está nas aglomerações de pessoas, agravada pelo não uso de máscaras e outras iniciativas pessoais de proteção. Os motivos de encontro grupal podem ser considerados de menor importância na estruturação da vida por isso, não urgentes.

Aqui está a equação entre o interesse particular e o bem coletivo. Muitos esforços têm sido feitos. Renúncias têm acontecido. Empresas e pessoas enfrentam dificuldades quanto à sobrevivência. O desemprego tem aumentado.  De certa maneira, a sociedade vive um compasso de espera está se onerando com isso.

Quanto aos encontros coletivos,vale a iniciativa de perder um pouco em nome de um bem maior. A festa, o lazer, ou encontro de hoje podem implicar na perda de amanhã.

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