Semana Santa: mistério de fé

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Estamos vivendo a Semana Santa, caracterizada por diversos momentos significativos celebrados a partir da memória da vida de Jesus Cristo, o homem de Nazaré que iniciou a missão na Galileia chegando até a cidade de Jerusalém, centro religioso, político e econômico da Palestina. Lá enfrentou a cruz e ressuscitou. Assim como no ano passado celebraremos estes momentos, profundos para a nossa fé, assolados pela pandemia da Covid 19. Se o ano passado tínhamos no horizonte a esperança de que logo superaríamos a dificuldade, este ano reafirmamos a consciência da necessidade do cuidado, da colaboração com as autoridades instituídas e da solidariedade com os mais fragilizados: fisicamente, psiquicamente e financeiramente. Isto porque não sabemos até onde se estenderá esta situação de enfermidade universal. A participação no mistério de Jesus renovará a esperança nos corações humanos. A ressurreição de Jesus se faz o horizonte de sentido existencial e de fé para toda a humanidade.  Aquele que enfrentou a morte e ressuscitou aponta para toda a humanidade um caminho.  

A semana começa com Celebração de Ramos que convida a rezar e refletir a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. Ele chegou junto com o grupo de discípulos vindos da cidade de Betânia (casa dos pobres), próxima ao monte das Oliveiras (Mc 11,1). Foi acolhido pelas pessoas que estendiam mantos no chão e portavam ramos nas mãos. Diziam: “Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor” (Mc 11,11). A acolhida calorosa a Jesus gerou medo e insegurança nos seus adversários e, consequentemente, a aceleração da articulação da sua morte.

Nos dias seguintes à chegada na cidade Jesus ficava nas proximidades do Templo ensinando as pessoas. E muitos iam à sua procura para ouvir seus ensinamentos. Outros o procuravam para questioná-lo e tentar colocá-lo em uma situação difícil, de forma que ficasse desautorizado diante da multidão. Contudo, a sabedoria do Filho de Deus não permitia que isso acontecesse e, em muitos casos, desmascarava seus adversários. 

Na noite de quinta-feira sentou-se à mesa com o grupo dos discípulos para aquela que seria humanamente a última ceia e também o legado importante para a comunidade dos discípulos, a instituição da Eucaristia. No momento em que entregou o pão e o vinho ao grupo afirmando que ali estavam o seu corpo e sangue e pedindo que repetissem o gesto em sua memória estava instituindo a eucaristia (Mc 14, 22-25, motivo do encontro celebrativo dos crentes na sua proposta e que se faz a memória até nossos dias. Nesta noite aconteceram ainda dois momentos significativos, a saber, o lava-pés como normativa simbólica de que a missão dos discípulos e o futuro dos cristãos deveria se pautar pelo serviço à humanidade (Jo 13, 15; a denúncia da traição de Judas Escariotes (Jo 13,21) e a negação de Pedro (Jo 13,38). 

Na madrugada de Sexta feira Jesus enfrentou a agonia no horto das Oliveiras. Sentia o momento difícil que se aproximava, pois a traição de Judas se consumara. Ele não estava mais com o grupo, fizera outra opção. Jesus foi preso devido a articulação dos seus adversários com os representantes do império Romano. Uma vez condenado recebeu a cruz nas costas e, sob açoites dos soldados, xingamentos e humilhações, subiu ao monte onde foi crucificado entre dois ladrões. Neste dia o grupo dos discípulos havia de dispersado. Aos pés da cruz a morte de Jesus foi acompanhada por sua mãe, um grupo de mulheres e o discípulo amado (Jo 19, 25-26).

O sábado é marcado, primeiramente pelo silêncio e pela introspecção em sintonia com o gesto de Jesus. Ao final do dia o silêncio é substituído pela boa nova da ressurreição anunciada durante a Vigília Pascal quando a luz do ressuscitado se explicita iluminando toda a humanidade. E a comunidade canta que verdadeiramente Jesus ressuscitou e por isso diz aleluia.

O Domingo da Ressurreição ou Domingo de Páscoa continua esta memória significativa. Os diferentes evangelistas relatam como a comunidade dos discípulos acolheu a boa nova da ressurreição. Destaca-se o protagonismo das mulheres discípulas, aquelas que foram fiéis até o fim e foram as primeiras a perceberem a novidade (cf. Mt 28, 1ss). Assim como os demais foram desafiadas a dar um passo a mais, acreditar na ressurreição e testemunhar o ressuscitado.

Temos a oportunidade de participar desses momentos significativos. Não serão apenas memória histórica. Serão oportunidade de celebrarmos com fé olhando para Jesus e para os compromissos que esta fé nos lega.  O ressuscitado convida-nos ao encontro com Ele nas tantas “Gaileias” dos nossos dias para testemunhá-lo.


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