A fé na ressurreição

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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“Deus o ressuscitou e disto nós somos testemunhas” (At 2,32)

Estamos na semana da “oitava da Páscoa”. Isso significa que durante esses oito dias vivenciamos, na Celebração Eucarística, o Dia de Páscoa: a solenidade da Ressurreição do Senhor. A uma só voz, entoamos alegremente: Já ressuscitou, aleluia. Cristo Jesus, ei-lo vivo entre nós!. Ele não está morto! Está vivo porque venceu a morte! Desta forma, seja de forma comunitária ou através da oração familiar e pessoal, rezamos este tempo de alegria pela Ressurreição. Este é o fato que fundamenta a nossa fé: sem a Ressurreição não haveria, posteriormente, a fé cristã! Mas é também a Ressurreição que dá sentido à todo bem realizado por Jesus e de sua opção pelo anúncio do Reino. Assim como Ele cumpriu sua missão, agora Ressuscitado, envia seus seguidores para anunciar e serem testemunhas, à toda humanidade, daquilo que viram e ouviram (cf. Mc 16,15; Mt 28; 19; Lc 24,47; Jo 20,21).

Os discípulos, impelidos pelo Espírito Santo, se lançaram na missão de anunciar aquele fato extraordinário. Não pregavam um derrotado, mas o Vitorioso e Glorificado. Revestidos de uma “nova força”, saíram de uma situação de medo e insegurança para anunciar o nome de Jesus a todos os povos. A ressurreição foi a luz que iluminou os caminhos do discipulado e permanece iluminando o caminho dos cristãos. Contudo, depois de tanto tempo, como podemos averiguar a veracidade deste fato? Sugerimos três pilares: o histórico, das Sagradas Escrituras e da .

Enquanto fato histórico a ressurreição de Jesus marcou a trajetória da humanidade, a ponto de influenciar na organização do calendário romano (que utilizamos até hoje para nos orientar) e em tantas outras iniciativas. Outro fato histórico, relacionado a Jesus, é a associação de sua pessoa com a cruz, um dos instrumentos utilizados pelo Império Romano para sentenciar à morte os opositores de seu regime. Com passar dos anos, a narrativa histórica sobre a vida de Jesus e consequentemente a sua ressurreição foi consolidando. Caso não tivesse relevância histórica, dada as condições do seu povo, este fato teria caído no esquecimento ou então se reduziria a uma nota nas obras historiográficas. A vida e sobretudo, a ressurreição de Jesus, têm sustentação histórica.

Mas, a ressurreição de Jesus está sustentada nas Sagradas Escrituras, sendo referência de toda a Teologia Bíblica. Como centro da referência estão os quatro Evangelhos canonicamente aceitos devido a fidelidade e veracidade dos fatos narrados. Retratam, de diferentes formas, a vida, morte e ressureição de Jesus. Embora cada um, em sua particularidade, acentue alguns fatos específicos da vida de Jesus, todos são unanimes em descrever a sua ressurreição cada qual de sua forma específica. O fato dos quatro evangelistas darem um destaque especial à ressurreição de Jesus e às consequências na vida do discipulado revela a importância daquele momento. O medo, que provocou a dispersão do grupo durante a prisão e crucificação de Jesus, foi superado pela certeza de que Ele tinha ressuscitado, pois testemunharam isso a partir da experiência pessoal vivida e não por relatos de terceiros (At 2,32). A Bíblia, sobretudo através dos evangelistas, relata a ressurreição e sua centralidade no projeto da fé cristã que sustentava e impulsionava as pequenas comunidades cristãs.

Contudo, os dois pilares anteriores seriam em vão se não houvesse um terceiro princípio: a . Sendo que a ressurreição de Jesus é muito mais do que a ideia de revivificação de um corpo físico, a mesma expressa a salvação definitiva da existência humana concreta. Ou seja, não é somente um retorno à vida biológica, mas uma constatação de que “a causa de Jesus” vive e vive eternamente. Não podemos separar a pessoa de Jesus de sua “causa”. Os discípulos compreenderam a ressurreição na medida em que acreditaram. Jesus ressuscitou na fé de seus seguidores, fazendo com que eles, a partir desta fé, entendessem a ressurreição como libertação divinamente realizada das forças que ameaçavam a finitude humana, levando à exploração e morte.

Por conta disso, se a fé vale como nossa esperança em nossa ressurreição, esta fé não permite que substituamos a ressurreição de Jesus por uma fé na qual nos prenda ao imediatismo, ao apego das coisas do mundo e ao egocentrismo. Expressamos isso na Profissão de Fé: “Creio em Jesus Cristo seu único Filho, nosso Senhor [...] desceu à mansão dos mortos e ressuscitou no terceiro dia”. E na mesma Profissão afirmamos que cremos “na ressurreição da carne”. Quer dizer que acreditamos a partir da fé que este fato aconteceu e que dá sentido à vida da humanidade que acredita.

Pe. Ari Antonio dos Reis e Joelmar de Souza (seminarista)

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