Semana da Família: a alegria do amor na família

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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As famílias não são um problema, são sobretudo uma oportunidade (Papa Francisco).

É tradição na Igreja do Brasil, durante o mês de agosto, celebrar a Semana da Família. Começa no segundo domingo, dia dos pais, e estende-se até o terceiro domingo. A motivação para a Semana da Família parte do compromisso e carinho da Igreja para com as famílias, seja qual for a sua configuração e estruturação. A família é o patrimônio da humanidade, um tesouro a ser cuidado, espaço do cuidado da vida e insubstituível para a serenidade pessoal e para educação dos seus filhos (cf. DAp 114). É o dom de Deus dado à humanidade. Ele mesmo optou por viver em família no meio de nós. Este dom precioso exige zelo e cuidado, sobretudo nos momentos de dificuldades.

Para este ano o tema sugerido é “a alegria do amor na família”. Está estruturado em três expressões consistentes e deveras importantes para o ser humano: alegria, amor e família. Sem a alegria, a vida perde o encanto e o sentido. O amor é o motor afetivo das nossas vidas, pois necessitamos amar e sermos amados. A família estrutura de forma inequívoca a existência humana. Nascemos em uma família e tendemos a constituir uma família, porque “no seio da família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer à família de Deus. Dela recebemos a vida que é a primeira experiência do amor e da fé. O grande tesouro da educação dos filhos na fé consiste na experiência de uma vida familiar que recebe a fé, a conserva, a transmite e dá testemunho dela” (DAp 118).

 A alegria do amor na família vai se revelando nas relações entre os diferentes entes familiares. Nestes tempos, extrapolando a formação pais e filhos, muitas famílias assumem outras formas de existir sem deixar de ser família. Na relação com essas famílias, vivem-se os compromissos e deveres da fé cristã.  

Na relação entre os esposos, a alegria do amor perpassa a renovação diária do sim dado no momento da aliança matrimonial. Os votos de “amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença todos dos dias da vida” exigem do casal uma constante ressignificação, pela qual vai se reforçando o amor que uniu este casal, fortalecendo a alegria de construir uma história que se perpetua nos filhos e filhas. A união que se cristaliza na promessa matrimonial para sempre, é mais do que uma formalidade social ou uma tradição, porque radica-se nas inclinações espontâneas da pessoa humana. E, para os crentes, é uma aliança diante de Deus, que exige fidelidade, serviço e doação extrema (cf. AL 123). A entrega matrimonial, que une duas histórias de vida diferentes, é permanente e não é uma prisão, como se afirma às vezes de forma leviana. É um caminho de vida que vai se plenificando nas diferentes fases da existência do casal.

Na relação pais e filhos, a alegria do amor compreende o respeito aos papéis na estruturação familiar. A harmonia entre genitores e filhos não cai do céu. Ela vai se fazendo na medida da caminhada familiar. E não há como desconhecer o papel dos pais em traçar os rumos da família sem abrir mão do necessário testemunho. Muitas vezes, tais processos são marcados por muitas tensões. Elas são necessárias e provocam o crescimento dos envolvidos. Um “não” dado com dor, mas marcado pelo amor e sentido de zelo e cuidado, transforma-se em um “sim” responsável ao longo dos tempos. Os pais não podem abdicar do seu papel educativo, formador e testemunhal na família. Os filhos vão conhecendo a vida a partir da estrutura familiar à qual estão ligados e são devedores. “Todos somos filhos. E isto recorda-nos sempre que a vida não no-la demos sozinhos, mas recebemo-la. O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos” (AL 188).  Da expressão contida no quarto mandamento, “honrar pai e mãe”, demanda a compreensão do papel do pais e as responsabilidades dos filhos e, em muitos momentos, compreendendo a condição humana dos pais. A perfeição é alcançada na plenitude. Compreender a presença dos pais como graça e não como peso ou empecilho é o princípio de reconhecimento da família como verdadeiramente dom de Deus. Tais compromissos se expressam também nas relações entre irmãos. Irmão significa “frater”. Desse termo origina-se a palavra fraternidade, que é uma das bases do bom relacionamento social. Deus dá irmãos como sinais do exercício do amor fraterno no dia a dia familiar, porque “crescer entre irmãos proporciona a bela experiência de cuidar uns dos outros, de ajudar e ser ajudado” (AL 195), que depois se explicitará na vida social.

A alegria do amor na família se expressa também na relação com as pessoas mais velhas presentes na estrutura familiar, os avôs e avós. Somos herdeiros de uma rica tradição de valorização e consideração das pessoas idosas. Não podemos perder esses valores. Muitas famílias, devido a diferentes necessidades, convivem com pessoas idosas. Esta convivência permite à família uma missão toda especial, todavia nem sempre fácil.  Exige cuidado, porque a sociedade do mercado e do consumo provoca a ver os idosos como estorvo e descartáveis e, com isso, inaugura um processo de desumanização familiar e social sem precedentes. “Os idosos são homens e mulheres, pais e mães que, antes de nós, percorreram o nosso próprio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha diária por uma vida digna” (AL 191). A presença dos idosos em nossas famílias convida a olhar para o passado na perspectiva de reconhecimento e olhar para um futuro, porque não é possível perder a esperança. Devemos continuar caminhando.

A família expressa a alegria e o amor quando se abre ao mundo. As famílias não são isoladas no mundo. São uma instituição social presente em uma sociedade que é maior que a estrutura familiar. Então, é importante acolher com alegria o papel da família na comunidade e na sociedade. Neste caso, a família é vocacionada a ser um instrumento do bem.

 Não escolhemos a família. Deus nos deu ela na sua bondade. Cabe-nos zelar e cuidar dela, vivendo a alegria do amor na família. 

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