RABISCOS SEMANAIS: Caminhar Juntos(as)!

Postado por: Leandro de Mello

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“Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão”

 

“A Igreja, através do Papa Francisco, nos convocou para o Sínodo que se concluirá com a Assembleia dos Bispos em 2023 [...]. Sínodo é um caminhar e o papa convida a ter presente três verbos que caracterizam Jesus: encontrar, escutar e discernir. Ter a alegria de se encontrar com os outros; ter paciência de escutar mais do que falar e discernir com o coração, fonte da vontade e dos sentimentos”. Escreve, assim, Dom Rodolfo Luís Weber, Arcebispo Metropolitano, na “Mensagem-Convocação ao Povo de Deus da Arquidiocese de Passo Fundo por ocasião da abertura do Sínodo de 2023”, assinada em 15 de outubro de 2021.

Francisco, inspirado no Concílio Vaticano II, criando a oportunidade de escuta e diálogo, às Igrejas locais, através do Sínodo, chama a Igreja como um todo a redescobrir sua natureza profundamente sinodal. A redescoberta das raízes sinodais eclesiais propicia um processo de aprendizagem conjunta, neste terceiro milênio. Encoraja-se as pessoas responsáveis pela organização processual “a serem sensíveis à própria cultura e contexto, recursos e limitações, e a discernir como implementar esta fase sinodal diocesana”, sob pastoreio do bispo, para que o caminho de escuta mútua seja “uma autêntica experiência de discernimento da voz do Espírito Santo”.

A Igreja inteira, por esta convocação do Sumo Pontífice, é convidada a interrogar-se acerca de sua vida e missão: “O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio”. Como acontece este percurso? O caminho, chamado – “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, começou nos “dias 9 e 10 de outubro de 2021, em Roma, e a 17 de outubro seguinte, em cada uma das Igrejas particulares”, isto é, nas (arqui)dioceses. Etapa, outra, fundamental dar-se-á, em outubro de 2023, durante a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.

A questão norteadora central do Sínodo é: “Como se realiza hoje, a diferentes níveis (do local ao universal) aquele ‘caminhar juntos’ que permite à Igreja anunciar o Evangelho, em conformidade com a missão que lhe foi confiada; e que passos o Espírito nos convida a dar para crescer como Igreja sinodal?”

Pela escuta, objetiva-se “fazer memória”; “viver um processo eclesial participativo e inclusivo”; “reconhecer e apreciar a riqueza e a variedade de dons e de carismas”, em liberdade; “experimentar formas participativas de exercer a responsabilidade” na evangelização; “examinar como são vividos na Igreja a responsabilidade e o poder”; “credenciar a comunidade cristã como sujeito credível e parceiro fiável”; “regenerar as relações” de alteridade cristã e os “demais grupos sociais”; e, “favorecer a valorização e a apropriação dos frutos das recentes experiências sinodais nos planos universal, regional, nacional e local”. O Sínodo, e por conseguinte a consulta, não preocupa-se na produção de documentos, antes quer “fazer germinar sonhos, suscitar profecias e visões, fazer florescer a esperança, estimular confiança, faixar feridas, entrançar relações, ressuscitar uma aurora de esperança, aprender uns dos outros e criar um imaginário positivo que ilumine as mentes, aqueça os corações, restitua força às mãos”.

O documento preparatório, às Igrejas particulares/locais, “põe-se ao serviço do caminho sinodal, de modo especial como instrumento para favorecer a primeira fase de escuta e consulta do Povo de Deus nas Igrejas particulares (outubro de 2021 – abril de 2022), na esperança de contribuir para colocar em movimento as ideias, as energias e a criatividade de todos aqueles que participarem no itinerário, e facilitar a partilha dos frutos do seu compromisso”.

Para tal finalidade, ir-se-á delinear caraterísticas salientes do contexto contemporâneo; explicar referências teológicas fundamentais; oferecer referenciais bíblicos; descrever perspectivas para reler experiências de sinodalidade vivida; e, expor indicações para articular o trabalho de releitura na oração e na partilha. Propõe-se, ademais, um Vade-mécum metodológico para guiar as atividades. O apelo a caminhar juntos(as) inspira “a investigar os sinais dos tempos e a interpretá-los à luz do Evangelho” (GS, n. 4), considerando as Encíclicas Laudato si' e Fratelli tutti, salvaguardando a salutar disposição “à escuta do clamor dos pobres e da terra e para reconhecer as sementes de esperança e de futuro que o Espírito continua a fazer germinar”.

É significativo registrar como “motivo de grande esperança que não poucas Igrejas já tenham iniciado encontros e processos de consulta do Povo de Deus”. Neste caminho sinodal de estuda e diálogo encontra-se a juventude, os jovens e as jovens inseridos nas comunidades, grupos de jovens, pastorais e movimentos. Bem recorda-nos o documento preparatório ao afirmar: “Também encontram confirmação o desejo de protagonismo no seio da Igreja por parte dos jovens, e o pedido de uma maior valorização das mulheres e de espaços de participação na missão da Igreja”. Pela construção processual de um estilo sinodal, “o sentido de Igreja voltou a florescer e a participação de todos deu renovado impulso à vida eclesial” e sociotransformadora.

Caminhar juntos(as) e constituir sinodalidade é oxigênio à missão evangelizadora e sociotransformadora da Igreja, presente no mundo, a Casa Comum. A sagrada escritura indica Jesus Cristo como “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6), onde cristãos(ãs) são originariamente, chamados(as) “discípulos do caminho” (At 9, 2; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.22); “sujeitos ativos de evangelização, quer individualmente quer como totalidade do Povo de Deus”. A sinodalidade, então, “indica o específico modus vivendi et operandi da Igreja, o Povo de Deus, que manifesta e realiza concretamente o ser comunhão no caminhar juntos, no reunir-se em assembleia e no participar ativamente de todos os seus membros na sua missão evangelizadora”. Pelo caminhar da Igreja, povo de Deus, compõe-se o caminho de sinodalidade.

São propostos dez núcleos temáticos para abordar diferentes aspetos da “sinodalidade vivida”: Companheiros de viagem; ouvir; tomar a palavra; celebrar; corresponsáveis na missão; dialogar na Igreja e na Sociedade; com as outras confissões cristãs; autoridade e participação; discernir e decidir; e, formar-se na sinodalidade. Há questões propositivas ao diálogo e à escuta: “Quem nos pede para caminhar juntos? Como são ouvidos os Leigos, de modo particular os jovens e as mulheres? Como ouvimos o contexto social e cultural em que vivemos? Como é que a Igreja dialoga e aprende com outras instâncias da sociedade: o mundo da política, da economia, da cultura, a sociedade civil, os pobres...? Que relacionamentos mantemos com os irmãos e as irmãs das outras Confissões cristãs? Etc.”

Portanto, “se a escuta é o método do processo sinodal e o discernimento é o objetivo, a participação é o caminho”. Ora, “uma Igreja sinodal caminha em comunhão para cumprir uma missão comum por meio da participação de cada um de seus membros”. Caminhar juntos(as), vamos?  Ser sinodal, neste peregrinar, requer tempo para compartilhar, cientes de que “a humildade para ouvir deve corresponder à coragem para falar”; pois, “o diálogo nos leva à novidade”. É convite à “abertura para conversão e mudança” dentro de “um exercício eclesial de discernimento”. Juntos(as), “somos sinais de uma Igreja que escuta e caminha”. No caminhar “deixe para trás preconceitos e estereótipos”. Tenhamos coragem de “superar o flagelo do clericalismo” de “curar o vírus da autossuficiência”; gestar a “superação de ideologias” e “criar esperança”, repleta da Alegria do Evangelho.

 

Padre Leandro de Mello - @padreleojuventude. Passo Fundo, 26 10 2021.

 

 

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