Santidade: um caminho a percorrer

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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A santidade é o rosto mais belo da Igreja (Papa Francisco)

A primeira semana do mês de novembro reserva para os cristãos duas datas significativas na trajetória espiritual. No dia primeiro celebra-se a Solenidade de Todos dos Santos. No Brasil esta festa foi removida, por questões pastorais, para o domingo seguinte à data assinalada. No segundo dia faz-se a memória dos finados, os que nos precedem na eternidade.

Refletiremos nesse texto sobre a santidade, um projeto, um caminho, um chamado feito a todo o ser humano.

A santidade é um projeto que está no horizonte de todos os cristãos. Uma das significações da palavra santo refere-se a uma pessoa de comportamento exemplar, digna de referência.  No Primeiro Testamento a referência estava em Deus. No Livro do Levítico, livro da Lei, descreve-se o pedido feito para povo, através de Moisés: “dizei-lhes, sedes santos, porque eu, o Senhor vosso Deus sou Santo” (cf. Lv 19, 1). Ali estava uma proposta para o povo, cuja a reverência era Deus mesmo. Não estava em outros deuses ou projetos humanos, mas em Deus, Aquele que tinha libertado o povo da escravidão do Egito.

No Segundo Testamento Jesus se coloca como referência de santidade embasado do mandamento do amor. Quando perguntado sobre qual era o preceito fundamental não hesitou em colocar o mandamento do amor como base de tudo. Assim expressou: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12, 30-31). Ainda se colocou como critério para que seus discípulos vivessem o mandamento do amor, segundo ele, o novo mandamento: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,14). Disse isso no início do discurso de despedida, como se deixasse o testamento para os seus seguidores. Colocou a sua prática como critério de salvação partindo do seu amor pela humanidade e identificando-se com os últimos do seu tempo (cf Mt 25, 31-46).

Muitas pessoas ao longo da história cristã procuraram construir um caminho de santidade, por vezes em situações bem adversas, como os mártires de todos os tempos. Alçaram os altares através de um compromisso inequívoco de fé não hesitando em dar a sua vida pela causa do Reino. Nesse sentido é significativa a referência do livro do Apocalipse que os nomeia como homens e mulheres que “alvejaram suas roupas e as deixaram brancas no sangue do cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus” (cf. Ap 7,14-15).   

Outros santos deram seu testemunho colocando seus conhecimentos a serviço do Evangelho e prestaram um grande serviço à humanidade. Lembramos São Jerônimo, Santo Agostinho, e Santo Tomás de Aquino. Veneramos aqueles que se preocuparam com o cuidado dos pobres, como São Lourenço, Santa Tereza de Calcutá, São Martinho de Lima e Santa Dulce dos Pobres. Compreendamos como santos também os homens e mulheres que se destacaram pela vida de oração e contemplação, como Santo Antão, Santa Terezinha do Menino Jesus, Santa Tereza D’Ávila e São João da Cruz.  Não esqueçamos aqueles que testemunharam a santidade pela bondade e simplicidade de vida, como São Benedito e Santa Bakhita. Os caminhos de santidade são muitos, e diversos são os testemunhos dados ao longo da história. Estes homens e mulheres já chegaram à presença de Deus e mantêm conosco laços de amor e comunhão (cf. GeE 4).

Na Exortação Apostólica Gaudete et Exultate o Papa Francisco trata a santidade também como chamado. Deus chama homens e mulheres à santidade. Diz o Papa: “com efeito o chamado à santidade está patente, de várias maneiras, desde as primeiras páginas da Bíblia” (GeE 1) e se prolonga ao longo da história da humanidade que partir da encarnação se fez a história da salvação. O chamado à santidade se dá ao longo da história e em cada época diferente. Está também em nossos tempos como convite aberto a cada um de nós.

A santidade é também proposta de vida sustentada na fé cristã. A partir das ocupações ordinárias do cotidiano é possível trilhar um caminho de santidade. O Papa Francisco lembra os santos ao pé da porta, homens e mulheres que dão um bonito testemunho fazendo com amor e dedicação aquilo que lhes cabe como um reflexo da presença de Deus (cf. GeE 7). Implica no compromisso de deixar que a graça do Batismo frutifique e transforme cada pessoa em instrumento do amor de Deus.

A santidade também é vivida como testemunho a partir da fé. A condição de batizados nos faz cristãos e, consequentemente, com a responsabilidade do testemunho de fé dado a partir da vida comunitária, do compromisso social e ecológico em vista de um mundo bom para todos e sem distinção, sinal do Reino anunciado por Jesus.

O projeto da santidade está a nossa frente. O Deus Trindade nos inspira nesse processo e suscita nos santos e santas que nos antecederam o testemunho necessário. Acolhemos tudo isso com humildade e amor.

Pe. Ari Antonio dos Reis

 

 

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