O que podemos fazer?

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Vamos entrar na terceira semana do Advento, tempo marcado pela expectativa da vinda do Senhor, o Natal. Aquele que nasce para renovar as esperanças da humanidade espera a saudável preparação para a sua acolhida. Então o Advento é o tempo da vigilância, da espera esperançosa e também da preparação. Alguns personagens do texto Bíblico ajudam a rezar e refletir este tempo de espera esperançosa. Destaca-se a figura de João Batista. Ele veio ao mundo preparar o caminho do Senhor (cf. Lc 3,4).

O nascimento de João Batista é interpretado como a graça agindo com grande poder transformador.  Deus, que se compadece dos pobres representados pelos idosos Zacarias e Isabel (Lc 1,18), age resgatando a esperança quanto ao futuro. O casal que não tinha esperanças de uma descendência é visitado por Deus e recebe a boa notícia de que um filho viria ao mundo (cf. Lc 1, 11ss). Compreende-se este fato como um primeiro momento de uma caminhada maior, com um novo horizonte, a salvação da humanidade.

A transformação que João proporcionara na vida de Isabel e Zacarias se estenderia para o seu povo no momento desejado por Deus.  O menino “será grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida que embebeda. Estará cheio do Espírito Santo, já desde o ventre materno. E fará muitos filhos de Israel voltarem ao Senhor Deus deles. Ele caminhará à frente do Senhor, com espírito e o poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, e os rebeldes à sabedoria dos justos, e para preparar ao Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1, 15-17). 

Definia-se assim a missão de João Batista. Os evangelistas descrevem de diferentes formas a atividade de João Batista na Galileia: ele se apresentou vindo do deserto convidando a humanidade a preparar o caminho do Senhor (cf. Mc 1,1-8; Lc 3,1-9; Mt 3,1-12; Jo 1,19-28).

O deserto significa a boa novidade que vem para transformar uma realidade. Naquele tempo João Batista foi o novo inspirado por Deus para levar as pessoas à conversão.  Testemunhou com palavras e com seu jeito de ser, marcado pela sobriedade de vida, outros caminhos possíveis para o povo da Galileia. Colocou algumas condições para acolher a conversão, ou mudança de mentalidade, o arrependimento dos pecados, seguido do batismo (baptizein - mergulho). 

João Batista proclamava naquele momento que é preciso mudar, não se pode continuar assim, é necessário voltar para Deus. De acordo com o Evangelista Lucas, alguns se sentiram questionados pela pregação do Batista com uma pergunta decisiva: o que podemos fazer? (Pagola, 2018, p. 53).

 Tal pergunta deveria ser uma constante na vida dos cristãos. É uma inquietação sadia que sugere o mergulhar nas águas mais profundas da experiência de fé.  Perguntar-se o “ que podemos fazer” implica em não se acomodar do porto seguro de algumas pseudo-certezas que podem afastar a pessoa do verdadeiro caminho inaugurado por Jesus. A inquietação que João lançou no coração daquelas pessoas deve ser a inquietação dos tempos atuais em vista da comunhão com o projeto do Reino.  Nossos dias são marcados pela inquietude. Ainda atravessamos a pandemia e muitas pessoas ainda estão morrendo. Tem aumentado o número de pessoas em situação de pobreza e miséria, tendo como consequência a fome. Os sistemas de proteção social que ajudariam as famílias mais vulneráveis estão sucateados. A “casa comum” está ameaçada por projetos que priorizam o lucro acima de tudo, inclusive a destruição do meio ambiente.  Não é um cenário ideal. É preocupante? Diante disso: o que podemos fazer?

A conversão e o arrependimento dos pecados e o seguimento do caminho proposto por João, dariam às pessoas as condições para mergulhar (batismo) na outra proposta.  A palavra de João Batista tocou o coração das pessoas. Seu apelo à conversão para iniciar uma vida mais fiel a Deus também sugere a possibilidade de um caminho mais sintonizado com o desejo de Deus. Para aqueles a não intencionalidade de uma real mudança de vida sugere que produzam frutos que comprovem o arrependimento (cf. Mt 3,7-10; Lc 3,7-9) e não mentiras e enganações.

O tempo sagrado do Advento motiva a um olhar atencioso para João Batista. Sua vida e missão são queridas de Deus. Deus o enviou para ajudar a humanidade a preparar-se para acolher o salvador. O testemunho de João convidando a conversão torna mais profunda a caminhada de preparação para o Natal. Compreende-se que Natal é uma festa cristã e não pagã e seu sentido está também na preparação e na disponibilidade de se viver uma experiência transformadora.

Olhando para João olha-se para o menino que vem. Olhando para os dois perguntamos o que podemos fazer?

Pe. Ari Antonio dos Reis

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