Liberdade e seguimento de Jesus Cristo

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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            A Palavra de Deus da liturgia dominical (1 Reis 19,16b.19-21, salmo 15(16), Gálatas 5,1.13-18 e Lucas 9,51-62) nos convida a meditar sobre o tema fascinante da liberdade, claro com o enfoque na visão cristã. O cristão é livre se segue os ensinamentos de Jesus Cristo? Seguir Cristo me faz livre ou tolhe a minha liberdade? Para compreender e viver a liberdade cristã é necessário partir da fé. Crer no Cristo livre.

            O evangelista Lucas escreve que Jesus “tomou a firme resolução de partir para Jerusalém”. Tomou a decisão sabendo que em Jerusalém iria “sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Vai a Jerusalém obedecendo a vontade do Pai, oferecendo-se por amor. É nesta obediência ao Pai que Jesus realiza a própria liberdade como escolha consciente motivada pelo amor. Ninguém é mais livre do que alguém que dá a sua vida por amor.

            Albert Nolan, no livro Jesus hoje: uma espiritualidade de liberdade radical descreve a maravilhosamente a liberdade de Cristo. “Jesus era assombrosamente livre. Ele era capaz de contradizer declaradamente as ideias, costumes e normas culturais da sociedade em que vivia. Jesus interpretava as leis, sobretudo as leis que se referiam ao sábado, com toda a liberdade, e era suficientemente ousado para suplantar todas as tradições sagradas acerca do puro e do impuro. No âmbito dessa sociedade e da sua religião, Jesus não tinha autoridade alguma para fazer isto. O que ele tinha era a liberdade pessoal de fazer a vontade de Deus sem preocupar-se com aquilo que as outras pessoas pensavam ou diziam.

            Ele tinha a liberdade de amar sem reservas, de mar tanto o mais pobre dos pobres como o jovem rico. Os piedosos ficavam escandalizados com o amor e a solicitude que ele demonstrava para com as prostitutas. Os pobres deviam ficar estupefatos com a cordialidade com que ele tratava os odiados cobradores de impostos, que exploravam o povo. (...)

            A liberdade radical de Jesus tornava-o completamente destemido. Para expulsar comerciantes e cambistas do pátio do templo no auge da festa. (...) Jesus não tinha medo de ninguém. Quando o sumo sacerdote o interrogou acerca das acusações que lhe faziam, Jesus ficou calado. Tampouco mostrou medo de Pôncio Pilatos, o implacável procurador romano. Jeus tinha a liberdade de morrer, de desisti da sua vida pelo Reino. Ele não estava apegado a nada nem a ninguém, nem sequer à sua própria vida ou o êxito da sua missão. A sua liberdade não tinha limites, porque a sua confiança em Deus também era ilimitada”.

            Certamente, era este Jesus que São Paulo seguia e compreendia a liberdade a partir desta vivência, por isso escreve aos Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Recorda seus interlocutores que foram “chamados para a liberdade” e os alerta para manterem-se livres. A tentação de voltar através e voltar a vida antes de conhecerem e aderirem a Cristo continuava sendo uma possibilidade. Esta a vida  São Paulo a denominava como “serviço à carne”. Paulo descreve esta vida de forma irônica: “mas, se vos mordeis e vos devorais uns aos outros, cuidado para não serdes consumidos uns pelos outros”.

            A liberdade para a qual Cristo os libertou é viver ao modo de Cristo. “Fazei-vos escravos uns dos outros, pela caridade. Com efeito, toda a Lei se resume neste único mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O máximo da liberdade de Jesus se comprova na doação de sua vida por amor e na sua ilimitada confiança no Pai. A liberdade cristã é vivida na confiança ilimitada em Deus. O que Ele pede sempre é o melhor para nós e para o próximo.


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