Votar: ato de responsabilidade

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Nesta semana iniciou oficialmente o período eleitoral. É um momento importante para os brasileiros. No dia 02 de outubro ter-se-á a oportunidade de escolher democraticamente os governantes e legisladores nas esferas federal e estadual.

Votar é parte do exercício político, sem esquecer que política é algo muito mais amplo e extrapola a frequência regular às urnas de tempos em tempos em vista da escolha dos representantes, visto que vivemos em um país de democracia representativa. A discussão sobre política pode ir além dos momentos eleitorais. A concentração dos debates apenas nestes momentos não é salutar e depõe contra a importância da política para um país. Outra preocupação urgente: debate político poderia apontar para um projeto de nação, consequentemente com um leque mais amplo do que a defesa de pautas corporativas.

Mesmo sendo uma parte do exercício político, o exercício do direito de votar é algo muito significativo e exige responsabilidade, pois a boa escolha dos representantes é fundamental para os rumos do Brasil, já marcado por diferentes dificuldades da ordem econômica e social. Votar é um direito dos países democráticos. A Igreja encara com simpatia o sistema da democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de os substituir pacificamente quando se torna oportuno (Compêndio de Doutrina Social da Igreja n. 406).

Infelizmente, nos últimos anos se espalhou um tensionamento na sociedade fortemente disseminado pelas redes sociais que tem gerado muitos atritos e até mortes. Cabe dizer que isto não é saudável e não tem nada de democrático. A agressão verbal ou física tira a razão da pessoa. Ela perde a autoridade moral para expressar-se, porque revela desiquilíbrio e dificuldade de acolher o diferente. A oportunidade de conviver com o pensamento diferente e com condutas de vida diferentes é salutar e não significa ameaça. É importante debater, opinar, exercitar o contraditório, contudo dentro dos padrões de respeito e consideração pelo interlocutor.  Não deixemos que o belicismo se torne norma de vida. Ele é prejudicial para toda a nação e contribui para o desencanto com a política mesmo ela sendo um exercício fundamental para a boa condução de uma nação. Não se exercita os direitos políticos, entre eles o debate público, com ódio, mas com amor, ternura capacidade de escuta e proposições saudáveis e equilibradas.   

Nos próximos 45 dias ouviremos diferentes propostas em vista do futuro do Brasil. Isto é muito importante. Os candidatos exporão suas ideias, apresentarão suas propostas através do contado pessoal, pelas diferentes mídias e pelos programas de rádio e televisão. Estejamos atentos a esta partilha e, se possível, adotemos alguns critérios para a escolha, tais como:

 Atenção à vida pregressa dos candidatos, o que representam, que ideias defenderam ao longo das suas vidas, se tiveram uma vida pautada pelo interesse do bem comum e agir ético. É um direito do cidadão eleitor conhecer profundamente o candidato que se apresenta pedindo o voto para representá-lo.

Analisar se existe um projeto de trabalho para o exercício do mandado. Considerar se tal projeto se volta para o bem. Não é possível confiar o mandado representativo a aventureiros que irão usar o cargo em vista de outros interesses. É bom saber qual é a proposta de trabalho e se ela tem fundamentação.

Em sintonia como critério anterior cabe verificar a razoabilidade das propostas, bem como a sua aplicabilidade no contexto nacional e estadual. As propostas não podem estar vazias de sentido ou sem condições de serem assumidas com êxito. Cuidado com as promessas de facilidades. Junto a isso, verificar se as propostas apresentadas não ferem os interesses da maioria dos cidadãos, ou seja, se não ferem o bem comum, razão fundamental do agir político.   

Nesses tempos de ameaça à democracia é salutar também verificar se os candidatos realmente são comprometidos com a manutenção das instituições democráticas e se acolhem de bom grado a participação da sociedade civil na governança.

Não hesitemos em conversar, fazer perguntas, falar de política. Não é bom caminho “demonizar” a política. Neste período eleitoral assumamos o debate com ternura e civilidade.

 Sejamos bons observadores e exercitamos o direito de escolher os representantes.

Pe. Ari Antonio dos Reis

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