Uma nação com terra, teto e trabalho para todos

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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No dia 07 de setembro comemoramos os 200 anos da independência do Brasil. Os diferentes meios de informação construíram várias reportagens sobre o fato histórico o que permitiu que revisitássemos o feito do dia 07 de setembro de 1822 com um olhar mais apurado percebendo as diversas contradições dos personagens envolvidos.

 Nos dias de hoje é importante nos perguntarmos sobre o significado de uma nação para além do ufanismo ingênuo. Ufanismo significa o orgulha exagerado de alguma coisa. Atribuo ingênuo à pessoa que age sem malícia, de forma inocente. Estas duas situações impedem que se veja o Brasil real nas suas virtudes e dificuldades.  É importante salientar as virtudes da nação. E temos muitas: um povo diverso culturalmente, um território marcado por vários biomas, uma cultura rica e variada, entre outras virtudes.  É também necessário estar atento também às “grandes” dificuldades: fome, miséria, violência...

 Como dizia o cancioneiro popular José Martins “este é o nosso país”. É uma rica e com grande potencial. Porém uma nação que precisa avançar e superar os diferentes entraves que limitam a vida digna para toda a sua população e aqueles que aqui chegam para viver.

A expressão do Papa Francisco no Encontro Mundial com os Movimentos Populares (2015), mesmo tendo como referência o âmbito mundial, ajuda a refletir sobre o Brasil e as necessidades do seu povo. Na ocasião o Papa assim se referia: é algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja.

Tais elementos, estruturantes da vida digna do ser humano, são déficit no Brasil. O debate fundiário, aliado ao cuidado com o meio ambiente está sempre presente, mas precisa ser melhor fundamentado em vista da superação de leituras limitadas deste ou aquele lado. Lembra-se também que, quando se fala em propriedade e uso da terra, não é possível desconhecer os povos indígenas e tradicionais, que têm uma forma diferenciada de relação com a terra não enquadrada na leitura capitalista vista hoje como única viável. O déficit habitacional persiste no quociente de 6 milhões de moradias agravado pelo fato de 25 milhões de pessoas morando em residências inadequadas.   Ainda vivemos uma realidade de forte desemprego e o trabalho informal tem aumentado. No período pós pandemia as relações trabalhistas têm se estruturado de outra forma, mas não é possível aprofundar esta questão aqui.

Nestes duzentos anos de nação é necessário olhar de forma mais profunda o Brasil que foi construído e perguntar se este é realmente um projeto de nação com condições mínimas de vida para todos. Estas condições compreendem o tripé estruturante de uma existência digna: terra, teto e trabalho.

Os eventos celebrativos são ocasião de comemoração. E isto é importante. São também momentos de avaliação. Vale perguntar: que país temos e que país queremos ter? O pleito eleitoral em vigência é uma parte significativa dessa construção. Mas é preciso avançar um pouco mais.

 

Pe. Ari Antonio dos Reis

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