A fraude no leite

Postado por: João Altair da Silva

Compartilhe

Muito se falou sobre a fraude no leite, com a adição de produtos químicos inadequados para encorpar o volume na indústria, mas ainda não ouvi ninguém falar sobre os prejuízos que o setor vai ter com relação ao mercado. O Brasil é o maior exportador de soja, de carne de gado, segundo maior produtor de carne de aves, exporta carne suína, café, laranja e até produtos que não são commodities, de menor expressão, manga, melão, entre outros. Nosso leite, no entanto, ainda não conseguiu chegar ao mercado externo justamente por falta de qualidade, imagina agora. Apenas a Venezuela, mercado menos exigente, comprava nosso leite. Até cinco anos atrás era comum irmos para o interior e ver pequenos tambos de leite, em cima do barranco esperando passar o transportador, dependendo da época, abaixo de calor de 30 graus, sem nenhum tipo de resfriamento. A Instrução Normativa 51, corrigiu isso. Não existe mais leite sem resfriamento. Mas essa normativa chegou tarde, ainda não conseguimos dar credibilidade ao nosso leite. Agora com esse hecatombe ficou pior. Temos uma indústria grande, trabalhando, toda ela com capacidade ociosa, dependendo exclusivamente do mercado doméstico. E trata-se de uma atividade que cresce, no interior, todo o produtor agora tem vaca de leite. Falo desse tema ligado a economia devido a minha formação. É claro que o problema maior é o mal que a fraude pode provocar à saúde.

Turno único

Pessoalmente, vejo o turno único de trabalho em órgão público como uma afronta ao contribuinte. Os prefeitos reiteradamente têm lançado mão desse expediente abominável enredando seus contribuintes em um diminuto horário de atendimento. Me chama a tenção que falam em fazer consulta popular para deliberar sobre assuntos infinitamente de menor importância, mas não convidam a população para opinar sobre um tema tão relevante, que diz respeito a todo o cidadão, que é o turno único. Certo que é uma ferramenta eficiente na contenção de despesas, mas não vimos racionalidade na contratação exagerada de cargos de confiança, em viagens dos agentes públicos municipais. Está na hora de a população se dar conta disso e começar a exigir também uma contrapartida. Porque não exigimos desconto no IPTU, no ISSQN, e em todas as taxas municipais, proporcionais ao tempo que nossas prefeituras nos dão atenção?

Cargos de Confiança

Falando em cargos de confiança, em regra, não se adota critério nenhum na contratação de cargos de confiança nos escalões menores. Passados quatro meses de posse das novas administrações é possível constatar claramente isso. Os prefeitos sabem que somente os secretários estarão expostos, sob a análise crítica da população. Aproveitam-se dessa situação para colocar pessoas desqualificadas nas vagas de segundo e terceiros escalões. Estão tranquilos de que ninguém vai observar quem está lá na retaguarda muitas vezes sem fazer nada, porque não é competente, apenas recebendo. É claro que tem muitas exceções, muita gente boa, ocupando cargos secundários e que deveriam estar na linha de frente, mas são poucos.


Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito