A crise interna do petróleo

Postado por: João Altair da Silva

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Estamos vivendo mais uma crise do petróleo.  Da última vez,  a bolha estourou, no início da década de  1970,  quando descobriu-se que o referido produto era esgotável.  Um  dia terminaria.   Os países do Oriente Médio,  formaram a OPEP,  Organização dos Países Exportadores de Petróleo.  A organização serviu para controlar a oferta.  Em síntese, fizeram um bloco para cartelização do mercado,  para exercer o controle.  Limitaram a abundância, e pela lei da oferta e da procura,  tudo o que é escasso e é demandado pelo consumidor, têm seu preço elevado.  Os preços então dispararam.  Houve a crise.

Atualmente, vivemos uma nova crise do petróleo. Uma crise interna.   Preços  disparados.  Custo de produção elevado.  Caminhoneiros, com suas atividades sendo inviabilizadas, fazem piquetes em rodovias de todo o Brasil. E com razão.   Para uma carreta rodar  2 km  precisa de R$ 3,00.  Isso mesmo.  Em alguns postos o custo desse combustível é de R$ 3,00 e com um litro o pesado veículo roda dois mil metros. Para ir e voltar de Passo Fundo a Porto Alegre, gasta R$ 900,00. É um horror.  Nos Estados Unidos o preço do litro da gasolina equivale a R$ 1,50.  No Paraguai, que não tem petróleo,  o preço é 40% menor que no Brasil.

O motivo da crise dessa vez é bem diferente.  Houve uma combinação de interesse político eleitoreiro e de corrupção na companhia extratora.  Os preços ficaram congelados por dois anos.  O aumento represado.  Não interessava ao governo realinhar  preços para não sofrer desgaste político.  Para não perder votos. Tanto é que bastou terminar a eleição para disparar o gatilho dos combustíveis,  bem como para cortar programas sociais, diga-se bem,  alguns necessários. Some-se a isso o rombo bilionário derivado da roubalheira estabelecida na Petrobras.  É o  escândalo de corrupção mais escancarado que  já se viu.  Só faltou criarem uma cláusula nos contratos da companhia com as empreiteiras estabelecendo claramente propina de 3% para o PT, PMDB e PP.  A companhia que figurava entre  as 20 maiores do mundo, em pouco tempo viu seu valor se perder e hoje está longe de ser a centésima maior empresa mundial.  Com os investidores fugindo do país em ritmo de fórmula 1,   e sendo empresa monopolista, ou seja, não  tem concorrente, um dos mecanismos de socorro é o aumento de preços diretos e de impostos. O consumidor não tem alternativa, ou compra da Petrobras ou fica sem o produto.

O bairrismo varguista impregnado no seio brasileiro, porque nem mesmo  os políticos de direita querem abrir  mão do monopólio do petróleo  nas mãos da Petrobras, com medo dos ativistas de esquerda,  é um agravante nessa conjuntura.  No vizinho município de Ernestina há  dois postos de combustíveis, um  em cada lado da rodovia.  Eles duelam nos preços, se um estabelece R$ 3,14 o preço da gasolina, o outro coloca R$ 3,13.   Sim, lá os preços  eram esses até o fechamento dessa edição. São apenas dois comércios, é um oligopólio com jeito de concorrência perfeita. É justamente o que precisamos no mercado. Se tivéssemos mais que uma empresa operando na extração e distribuição,  a eficiência do serviço seria maior, a corrupção por mais que pudesse existir não seria tão impactante e as companhias estariam duelando para produzir com mais eficiência, distribuir a preços mais baratos e  os consumidores seriam os maiores beneficiados.

Pelo bairrismo o governo coercitivo também não deixa usar biodiesel puro. O máximo de mistura é 7%, o chamado B7.  Prefere o governo exportar soja in natura, desagregar valor,  gerar empregos lá fora e engavetar caminhões e navios a partir desse mês, auge da colheita.

Sendo a principal fonte de energia nas rodovias,  os altos preços do óleo e da gasolina elevam os preços das passagens de ônibus,  do açúcar, do pão e até do frango e ovos que devem subir de 10% a 15% nesse mês de março.


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