Pedágio

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Nosso município de Passo Fundo, apesar de ser um polo regional,  esteve fora das praças de pedágios instaladas nos últimos 15 anos no Rio Grande do Sul. A maioria dos cidadãos que não viajam, não tem a compreensão do custo do transporte com a obrigação do pagamento dessas taxas.  Imagine um motorista que precisa passar diariamente num praça como a de Lajeado que cobrava quase R$ 15,00 para que um carro de passeio pudesse seguir viagem. Em muitos casos, dependendo da distância, o desembolso com pedágio era maior de que o custo com o combustível. 

A cidade de Carazinho é sitiada por praças de pedágio.  Se vier em direção a Passo Fundo, paga pedágio. Se sair para Sarandi, tem de passar uma praça ainda mais perto. Se  for para a região central, andará poucos quilômetros e terá  outra praça de pedágio na saída para Panambi.  Temos que nos colocar na situação dessas comunidades para compreendermos o que é isso. Empresas abrem mão de contratar serviços quando somam esse custo. Profissionais liberais limitam suas atividades.  Trabalhadores deixam de assumir diversos empregos quando precisam bancar o transporte porque o custo torna-se inviável. Por isso é verdade o que disse o governador Tarso  Genro, ao comemorar, em Farroupilha, no final da semana passada, o fim dos pedágios, depois de conseguir levantar definitivamente as cancelas via justiça, de que o dinheiro, muito dinheiro, vai circular na economia dos municípios.   Viajando até o  Mato Grosso do Sul, paguei dois pedágios, um entre Passo Fundo e  Carazinho e outro entre Carazinho e Sarandi.  De Cascavel a Toledo, o trecho não  é tão longo, mas além de duplicado, é iluminado.  Como gaúcho acuado dos pedágios ao entrar naquela pista moderna fiquei imaginando que ali na frente deveria ter uma gigantesca praça de pedágio e muito cara. Nada disso.  Fora desse trecho não encontrei outras rodovias duplicadas, a não ser terceiras pistas  para desafogar o trânsito, mas também não se encontram buracos.   

Por que o Rio Grande do Sul que cobra um dos IPVAs mais caros (3% do valor venal dos carros, em Santa Catarina é 2%) tem de ser o campeão em praças de pedágios, sendo que 20% de seus municípios ainda não têm acesso asfáltico?  Isso mesmo, 80% das nossas pequenas cidades só são acessadas por estradas de chão batido.  No Paraná, até o ano passado, havia apenas oito municípios sem acesso asfáltico.   Isso ocorre  porque nosso Estado é um Estado gordo, balofo,  se propôs a oferecer um serviço público de qualidade, inchou demais o quadro de pessoal  e hoje administra  a folha de pagamento e a dívida com a União, não tem capacidade para investir. A verbinha para os 21 municípios da região da produção,  que deverá ser votada na próxima edição do Processo de Participação Popular Cidadã, em agosto, será novamente de R$ 5 milhões, e por certo, a exemplo das anteriores, o governo não conseguirá honrá-la, aumentando o passivo com as comunidades.   

 Festejamos agora  o fim de praças de pedágio no caminho de Porto Alegre, no final do ano, levantarão definitivamente as cancelas de praças de Carazinho, dentre outras. Considerando a capacidade praticamente nula do Estado para investimento nessas estradas, para suprir o trabalho deixado pelas  concessionárias de rodovias, infelizmente, em pouco tempo vamos chorar mais mortes no trânsito, nos buracos que se abrirão talvez ainda nesse inverno.  O governo criou uma nova empresa, EGR, para administrar 14 pedágios no Rio Grande do Sul. Já nasceu  ineficiente. A previsão é de que invista, no máximo, 30% de sua arrecadação.  Se não cair na desgraça da corrupção, talvez possa tapar os buracos de suas estradas,  certamente, nada além disso. O governo deveria preparar as finanças do Estado, para depois acabar com as concessões. 

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