Perdeu, mané! O que fará a Justiça?

Postado por: Dilerman Zanchet

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Na formação de uma equipe para gerir uma nação e, observados os currículos e a constatação de nomes investigados pela Justiça, entende-se previamente de como será o próximo governo!

 

Uma matéria da Record, no site R7.com dessa segunda-feira, (https://noticias.r7.com/brasilia/governo-de-transicao-de-lula-tem-ao-menos-67-pessoas-investigadas-28112022), chama a atenção pelos números e nomes. Número de aproximadamente 67 pessoas envolvidas em escândalos e ações judiciais, que respondem ou responderam. Ou seja, policialmente falando (ou escrevendo), já sujaram os nomes nas delegacias.

Pasmem: De um grupo que ultrapassou as 250 pessoas, para formar um governo que terá a maior quantidade de ministérios já designadas (cerca de 32), temos mais de 60 investigados. Ou foram, ou estão sendo.

Mas essa é a política brasileira. E por aí o ralo de alastra. Assim vamos caminhando para o futuro. Incerto, certamente.

A notícia, que resumo aqui e que está no referido portal, não mente e nem engana. Quem acompanhou a Lava Jato, o mensalão e outras investigações de frequentadores da Câmara dos Deputados, do Senado e de governos, daqui ou dali, saberá que onde há fumaça, houve incêndio. E em alguns casos, de grandes proporções.

Pergunto: o que fará a Justiça? Certamente nada. É o que se imagina.

Os envolvidos, os fatos acusatórios e o que dizem em sua defesa:

Há: Só leia se realmente tiveres a curiosidade de saber quem é quem no tabuleiro político nacional.

- Gleisi Hoffmann, deputada federal: Responde a inquérito por corrupção em contrato do antigo Ministério do Planejamento. Em sua defesa, ela diz que se trata de inquérito instaurado há mais de seis anos, período em que não foi produzido nenhum indício de irregularidade.

- Aloizio Mercadante, ex-ministro: Respondeu por tráfico de influência e obstrução de Justiça ao aconselhar o ex-senador Delcídio do Amaral a não firmar acordo de delação premiada com a Lava Jato. Em sua defesa, ele disse que os diálogos não retratavam qualquer tentativa de obstrução da Justiça, mas um gesto de apoio pessoal.

- Antônio Brito, deputado federal: Foi citado na Lava-Jato por supostamente ter recebido recursos da Odebrecht na eleição de 2010. Segundo o parlamentar, em 2017, ele foi excluído das investigações.

- Luciana Santos, vice-governadora de Pernambuco: Em 2019, foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco por improbidade administrativa pela contratação para gerenciar a iluminação pública da cidade. À época, a defesa dela disse que não houve prejuízo ao patrimônio público municipal e que a sentença da Justiça reconheceu que Luciana não recebeu ou desviou dinheiro público.

- Renan Calheiros, senador: É investigado em diversos inquéritos, sendo alvo da operação Lava Jato. Foi indiciado em 2021 pela Polícia Federal por corrupção e lavagem de dinheiro por um suposto recebimento de R$ 1 milhão em propinas da Odebrecht. A defesa dele disse que nenhuma prova foi produzida em desfavor do senador, restando apenas a palavra isolada dos delatores.

- Jader Barbalho, senador: É investigado em diversos inquéritos, sendo alvo da operação Lava Jato. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou uma investigação sobre ele que apurava suspeitas de peculato, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. A defesa dele disse que os fatos citados não tinham fundamento, o tempo correu e não se chegou aos elementos que poderiam corroborar uma possível acusação.

- Carlos Fávaro, senador: Foi investigado por omissão e improbidade administrativa num caso de possível crime ambiental em fazenda do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Também é investigado por caixa 2. O senador não se manifestou.

- Kátia Abreu, senadora: Foi investigada em um desdobramento da operação Lava Jato por suposto recebimento de R$ 500 mil da Odebrecht por meio de caixa 2. O inquérito foi arquivado pelo STF. Em sua defesa, ela disse que, ao longo da sua vida pública, nunca participou de corrupção e nunca aceitou participar de qualquer movimento de grupos fora da lei.

- Neri Geller, deputado federal: Condenado por abuso de poder econômico nas eleições de 2018. A defesa dele disse que o deputado foi cassado injustamente e prova irrefutável disso foi a decisão em cima de um pedido que sequer fazia parte dos autos.

- Maria Fernanda Ramos Coelho, ex-presidente da Caixa e membro do Consórcio Nordeste: Indiciada pela Polícia Federal em operação no Banco Pan quando era da Caixa. A defesa dela disse que os trâmites para a aquisição das ações do banco foram realizados dentro dos procedimentos técnicos, legais e de acordo com as boas práticas de mercado vigentes.

- Geraldo Magela, ex-deputado federal, distrital e ex-secretário de Habitação do DF: Investigado por um suposto esquema de fraude para construção de moradias e cobrança de propina. A defesa dele disse que Magela adotou diversas providências para garantir a lisura, legalidade e transparência do projeto.

- Guilherme Boulos, deputado federal eleito por São Paulo: Acusado de dano ao patrimônio público. A defesa dele disse que a acusação não é verdadeira e confunde o papel de uma liderança que historicamente defende a implementação de políticas públicas por moradia popular com a figura de um criminoso.

- Márcio França, ex-governador de São Paulo: Investigado em inquérito de desvios na saúde. Foi alvo de operação da Polícia Civil em janeiro deste ano. Em sua defesa, ele disse que a operação era política e não policial e afirmou não ter qualquer relação comercial ou advocatícia com as pessoas jurídicas e físicas envolvidas na investigação.

- Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói (RJ): Réu por fraudes em contratos na Prefeitura de Niterói. A defesa dele disse que não existem indícios e provas para a denúncia.

- Celso Pansera, ex-deputado federal e ex-ministro: Em 2015, foi alvo da operação Catilinárias, deflagrada a partir de provas obtidas na operação Lava Jato. À época, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República disse que o governo federal esperava que os fatos envolvendo Pansera fossem esclarecidos o mais breve possível.

- André Janones, deputado federal: Acusado por um ex-assessor de fazer rachadinha. Em sua defesa, ele negou e disse jamais aceitar que denúncias levianas de cunho político regional manchem a imagem construída por ele com retidão ao longo de anos.

- Manuela d'Ávila, ex-deputada federal e estadual: Em 2017, foi acusada de receber caixa 2 via doações de campanha. Em sua defesa, ela disse que tem tranquilidade de quem há 13 anos constrói sua vida pública com transparência e ética.

- Paulo Bernardo, ex-ministro: Foi preso em 2016 em um desdobramento da operação Lava Jato. Continua investigado em alguns processos. A defesa dele disse que a prisão foi ilegal por não preencher requisitos autorizadores.

- Jorge Bittar, ex-deputado federal: Acusado de receber propina da Odebrecht na operação Lava Jato. Ele não se manifestou.

- João Grandão, ex-deputado federal e estadual: Foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) a 11 anos e 10 meses de prisão, em 2015, inicialmente em regime fechado. Ele foi um dos acusados da operação Sanguessuga, que investigou corrupção na compra de ambulâncias. Em sua defesa, ele disse que não houve consenso no parecer do colegiado do TRF1.

- Miguel Rosseto, ex-ministro: Quando era presidente da Petrobras Biocombustível, foi acusado de superfaturamento na compra de usinas de biodiesel na região Sul. Ele disse que a compra das usinas obedeceu a critérios técnicos, corporativos e estratégicos para nacionalizar a produção de biocombustíveis e reforçar o polo produtivo desse setor no Sul do país.

- Helder Barbalho, governador do Pará e ex-ministro: Acusado de corrupção na compra de respiradores no auge da pandemia da Covid-19. A defesa dele disse que o governador agiu a tempo de evitar danos ao erário público, já que os recursos foram devolvidos aos cofres do estado.

- Randolfe Rodrigues, senador: Acusado de ter recebido mesadas do então governador do Amapá João Capiberibe entre os anos de 1999 e 2002. O senador disse que a Procuradoria-Geral da República (PGR) constatou não haver provas contra ele.

- Simone Tebet, senadora: Foi investigada por crime de responsabilidade em dois inquéritos referentes a supostas fraudes em licitações no município de Três Lagoas (MS), onde ela foi prefeita. Os inquéritos prescreveram. Ela disse que o Ministério Público Federal (MPF) entendeu não ter havido qualquer favorecimento a ela.

- Maria do Rosário, deputada federal: Citada nas delações da Lava Jato por, supostamente, receber propina da Odebrecht. Ela negou qualquer recebimento e disponibilizou os sigilos fiscal, bancário e telefônico ao STF.

- Emídio de Souza, deputado estadual: Teve bens bloqueados e é acusado de fraude em contratos. Teria contratado serviços sem licitação de forma irregular. Ele não se manifestou.

- Henrique Paim, ex-ministro: Denúncia feita pelo MPF contra o ex-ministro quando ele era presidente do FNDE, com base em levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), o tornou réu em uma ação civil pública por suspeita de irregularidades em um convênio de R$ 491 mil com a ONG Central Nacional Democrática. Ao TCU, ele disse que foi induzido a erro quando assinou o processo de celebração do convênio.

- Edinho Silva, prefeito de Araraquara: Investigado por compra irregular de respiradores. A defesa dele disse que o município recebeu uma doação dos equipamentos após tentativas frustradas de aquisição, mas destacou que o prefeito cancelou o processo após ter notícia de irregularidades envolvendo a empresa doadora e a empresa fabricante, de maneira que a doação nunca se concretizou.

- Nádia Campeão, ex-vice-prefeita de São Paulo: Foi investigada em operação de crime eleitoral e lavagem de dinheiro na campanha de 2012. Ela não se manifestou.

- Preta Ferreira, membro do Movimento Sem Teto do Centro: Foi presa acusada de extorsão e associação criminosa por supostamente coagir moradores a pagarem taxas nas ocupações. Ela conseguiu um habeas corpus posteriormente. Preta afirmou que lutaria para provar a própria inocência e que sua prisão foi política e uma tentativa de criminalizar o movimento que luta por direitos.

- Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul: Investigado na Lava Jato, em 2017, suspeito de receber recursos de empreiteira. Teria se mostrado "bastante receptivo" a conversar sobre investimentos para a duplicação do Polo Petroquímico de Triunfo. Em setembro de 2017, o MPF disse não haver indício de corrupção. À época, o político se disse satisfeito com o desfecho, mas reclamou por ter o nome colocado ao lado de pessoas que realmente praticaram atos de corrupção.

- Luciano Coutinho: Indiciado em 2017 pela PF na Operação Acrônimo. Teria atuado com Fernando Pimentel para inviabilizar financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que possibilitaria a fusão entre Grupo Pão de Açúcar e Carrefour. Ele afirmou que não recebeu nenhum tipo de vantagem em decorrência da fusão dos grupos, garantiu não saber de outra pessoa que tenha sido beneficiada e ressaltou que agiu dentro da legalidade.

- André Ceciliano, presidente da Assembleia Legislativa do RJ: Investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) de 2020 diz que Ceciliano repassava ao estado as sobras de caixa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) com o pretexto de financiar secretarias municipais de saúde. O dinheiro seria propina para membros do Legislativo. Ceciliano disse que o delator das denúncias estaria mentindo e que apresentava versões contraditórias da mesma história a cada depoimento que prestava.

- Paulo Okamotto, ex-presidente do Sebrae: Em 2005, foi denunciado pelas CPIs dos Bingos e do Mensalão por ter supostamente pago uma dívida de quase R$ 30 mil de Lula e não declarar a origem desses recursos. Em depoimento à CPI dos Bingos, ele assumiu que fez um pagamento em dinheiro à tesouraria do PT para cobrir uma série de despesas do petista. Ele garantiu que o dinheiro era legal e foi repassado na forma de um adiantamento, já que Lula era um funcionário da legenda e que viajava em nome da agremiação.

- Alexandre Silveira, senador: Investigado, em 2017, com autorização do STF, por ter sido citado em lista de contribuições ilegais feitas pela Odebrecht entre 2008 e 2014. Teria recebido R$ 50 mil para propor emendas e defender projetos de interesse da construtora. Silveira afirmou, à época, que as acusações partiam de pessoas investigadas interessadas, apenas, em se livrar das próprias dívidas com a Justiça e que tentavam, de forma injusta, ameaçar a sua reputação.

- Miriam Belchior, ex-ministra e ex-presidente da Caixa: Foi investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo denúncia, ela e ex-conselheiros teriam induzido os investidores da Petrobras a erro ao aprovar a política de preços e o plano de negócios da petroleira para o período de 2014 a 2018. Miriam Belchior evitou se posicionar durante as investigações.

- Paulo Pimenta, deputado federal: Foi investigado pela Justiça Federal por suspeitas de estelionato e lavagem de dinheiro em 2019 por suposto esquema que lesou arrozeiros em São Borja (RS). Ele afirmou que as investigações tinham mais de 10 anos à época, e que não havia nada no caso que o ligasse aos produtores e ao prejuízo que eles tiveram. O processo foi suspenso em 2020.

- Cristiano Zanin, advogado: Foi investigado na Lava Jato do Rio de Janeiro, em 2020, por suposta participação em desvios no Sistema S. Segundo delação, advogados recebiam da Fecomércio por serviços não prestados. O processo foi suspenso pelo STF. Zanin disse que a extinção do processo colocou fim à perseguição que juízes da Lava Jato estariam praticando.

- Flávio Dino, ex-governador do Maranhão e senador eleito: Foi alvo de inquérito da PGR por suspeitas de ilegalidades em um contrato de fornecimento de combustível para o helicóptero da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão. Em 2020, a investigação foi arquivada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). À época, reclamou do uso indevido de procedimentos judiciais e policiais para fins políticos por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR).

- Omar Aziz, senador e ex-governador do Amazonas: Investigado por desvios de recursos para a área da saúde quando foi governador do Amazonas, em 2016. Suspeito de desvio de cerca de R$ 260 milhões de verbas públicas da saúde por meio de contratos milionários firmados com o governo do estado do Amazonas. Ao ser indiciado, o então governador disse que a Polícia Federal agia de forma equivocada e que as acusações não se sustentariam.

- Carlos Minc, ex-ministro: Foi investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por suspeita de rachadinha, chegando a ter o sigilo bancário quebrado. Ele foi absolvido em 2021. O ex-ministro destacou que o MPRJ não encontrou nada ilegal e disse não se queixar do órgão, pois o resultado dos trabalhos confirmam sua confiança nos promotores.

- Izabella Teixeira, ex-ministra: Foi investigada, em 2012, por suposta "pressão" para liberar o licenciamento ambiental de obra no complexo portuário da Ilha de Bagres, no estado de São Paulo. O processo foi suspenso. A então ministra disse, em sua defesa, que o processo de licenciamento seguiu os ritos legais.

- Jorge Viana, ex-governador do Acre e ex-senador: Foi investigado, em 2010, suspeito de intermediar uma doação da Odebrecht no valor de R$ 2 milhões para a campanha do irmão Tião Viana ao governo do Acre em 2010. O processo foi arquivado. Em resposta à imprensa sobre as acusações, Jorge Viana disse que nem ele e nem o irmão foram denunciados por corrupção.

- Anderson Adauto, ex-ministro: Condenado a três anos de prisão em regime aberto por irregularidades em concurso realizado em Uberaba (MG), respondeu também por improbidade administrativa e por fraudar licitação. No caso da condenação por fraude em concurso, que aconteceu em 2013, Adauto disse à época que recorreria da decisão e que as denúncias não se confirmavam.

- Giles Azevedo, ex-secretário executivo do Gabinete Pessoal da presidente Dilma Rousseff: Investigado no principal inquérito da Lava Jato. Suspeito de envolvimento com fraudes na Petrobras e possível formação de organização criminosa, em 2016. Suspeito de ter sido procurado pelo empresário Marcelo Odebrecht para socorrer empreiteiros da OAS e da UTC presos pela Polícia Federal na operação Lava Jato. Giles Azevedo negou que tenha conversado com o empresário sobre o caso.

- Altemir Gregolin, ex-ministro: Condenado pelo TCU por compra irregular de lanchas-patrulha em processo de 2012. As lanchas custaram R$ 31 milhões e, segundo os auditores, houve superfaturamento e falhas no processo licitatório. Já ex-ministro, Gregolin defendeu a compra das lanchas e destacou a importância da fiscalização da pesca ilegal. Ele também afirmou que não autorizou e nem teve envolvimento no pedido de doação de campanha na negociação dos veículos aquáticos.

- Enio Verri, deputado federal: Em 2014, quando era deputado estadual, foi condenado por ato de improbidade administrativa. À época, o advogado de Verri e outros envolvidos disse que a administração não notificou os réus sobre o acúmulo de função.

- Marcio Augusto Freitas de Meira, ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai): Foi acusado em 2011 pelo Ministério Público Federal no DF, quando era secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, em ação que investigava desvio de recursos e superfaturamento em contrato firmado pelas entidades para realização do evento Ano do Brasil na França. Ele não se manifestou.

- Sônia Guajajara, deputada federal eleita: Teve inquérito instaurado pela Polícia Federal em 2021 sob a acusação de difamar o governo de Jair Bolsonaro. No mesmo ano, a Justiça fechou o inquérito. As críticas aconteceram nas filmagens para um documentário. Guajajara disse à época que denunciou a negligência do governo federal em relação aos indígenas durante a pandemia de Covid-19, e que o documentário articulava apoios para proteger as etnias do vírus.

- José Pimentel, ex-senador e ex-ministro: Em 2012, foi condenado a pagar indenização por danos morais de R$ 30 mil para o senador Tasso Jereissati. José Pimentel divulgou, em 2001, um relatório no qual acusava Jereissati, à época governador do Ceará, de ter cometido crime de sonegação fiscal. Ele afirmou à Justiça que agiu dentro da ética e da moralidade pública e que apenas elaborou o relatório para uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar supostas irregularidades na liberação e aplicação de recursos do Fundo de Investimento do Nordeste.

- Aloysio Nunes Ferreira, ex-senador e ex-ministro: Investigado pela operação Lava Jato em 2019, o ex-senador chefiou a InvestSP, agência de promoção de investimentos do estado de São Paulo. Ele era suspeito de receber um cartão de crédito corporativo vinculado a uma conta na Suíça em nome do ex-diretor da Dersa, uma empresa de infraestrutura rodoviária. Aloysio negou ter recebido o cartão corporativo. Em fevereiro de 2019, por conta das investigações, pediu demissão da agência.

- Cristovam Buarque, ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro: Foi condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) por uso de recursos públicos, em 1995, na edição de um trabalho publicitário. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou a condenação por considerar que não houve dolo na atitude do então governador.

- Romênio Pereira, secretário de Relações Internacionais do PT: Em 2008, foi investigado pela Polícia Federal. Ele foi flagrado em conversas e encontros suspeitos com lobista preso na Operação João de Barro, deflagrada pela Polícia Federal. Os diálogos sugeriam que o petista proporcionaria ao lobista "os contatos necessários para viabilizar as fraudes investigadas". Foram apuradas obras em 119 cidades, orçadas em R$ 700 milhões. Não há registro de inquérito ou de condenação. À época, o defensor do dirigente petista disse que não havia provas contra o cliente. Posteriormente, Romênio admitiu que teria se encontrado algumas vezes com o lobista, que ele se apresentou como pequeno empresário e pediu que ele o apresentasse prefeitos, mas ressaltou que não ocorreu nada de ilícito.

- Alexandre Padilha, deputado federal e ex-ministro: Foi acusado por um delator da operação Lava Jato de negociar para ficar com uma parte do laboratório Labogen, empresa que era usada pelo doleiro Alberto Youssef para fraudar contratos milionários do Ministério da Saúde. A defesa dele disse que uma apuração concluída pela Controladoria-Geral da União (CGU) e uma investigação da Polícia Federal não encontraram nenhum vínculo de Padilha com irregularidades.

- Arthur Chioro, ex-ministro: Foi alvo de uma investigação do Ministério Público de São Paulo por suspeita de improbidade administrativa. A suspeita é que quando era secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP) foi, ao mesmo tempo, sócio de uma empresa de consultoria no setor. Ele decidiu se afastar da empresa e passar o controle societário para a mulher. Chioro disse que era a medida mais adequada a ser tomada.

- Humberto Costa, senador e ex-ministro: A Segunda Turma do STF arquivou em 2021 inquérito contra o senador. A investigação foi aberta no âmbito da operação Lava Jato e apurou o suposto recebimento de R$ 1 milhão pelo parlamentar. Ele disse que o inquérito foi usado para prejudicá-lo todas as maneiras e provocar danos eleitorais.

- José Gomes Temporão, ex-ministro: Foi condenado em 2010 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a pagar multa de R$ 10 mil por irregularidades em obras do Instituto Nacional do Câncer (Inca), do qual foi diretor-geral entre 2003 e 2005. Temporão é responsabilizado por uma série de manobras, como retirar serviços do contrato para incluir outros, sem previsão, e manipular o preço de itens, prática conhecida como "jogo de planilha". À época, Temporão não se manifestou publicamente sobre o caso.

- Miguel Torres, presidente da Força Sindical: Em 2012, foi detido durante uma assembleia de trabalhadores por obstruir via pública. Ele disse que estava somente defendendo o direito de o trabalhador receber um salário melhor.

- Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT): A Polícia Federal aponta indícios, por meio das investigações no âmbito da Operação Registro Espúrio, de que um depósito de R$ 300 mil feito pela central sindical UGT na conta de um sindicato foi utilizado para o pagamento de propina a servidores do Ministério do Trabalho. As investigações apontam ainda Patah como o responsável pela disponibilização dos recursos. A defesa dele negou qualquer conduta delitiva.

- Eugênio Aragão, subprocurador-geral da República aposentado e ex-ministro: Foi nomeado ministro da Justiça no governo Dilma, mas a juíza Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara da Justiça Federal de Brasília decidiu que a Constituição proíbe integrantes do Ministério Público de assumir cargos no Executivo. A decisão foi revertida e ele assumiu o cargo. Ele não se manifestou.

- Jorge Messias, procurador da Fazenda Nacional e ex-subsecretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil: Ficou conhecido como "Bessias" por ter o nome citado em interceptação de conversa de Lula e Dilma em 2016. Ele seria responsável por entregar o termo de posse como ministro ao ex-presidente. A intenção seria deixar Lula com foro privilegiado. Ele não se manifestou.

- Paulo Câmara, governador de Pernambuco: Em 2017, foi citado em delação por participar de suposto esquema de propina, que teria movimentado R$ 15 bilhões, com a J&F. Ele disse que não recebeu doações e nunca solicitou recursos de qualquer empresa em troca de favores.

- Arialdo Pinho, ex-secretário da Casa Civil do Ceará: Foi proibido de deixar o país em dezembro de 2020, alvo da operação Onzenário, que investiga direcionamento ilícito de operações de crédito consignado. A defesa dele negou todas as acusações de irregularidades.

- Luiz Eduardo Pereira Barretto Filho, ex-presidente do Sebrae e ex-ministro: Foi multado pelo TCU em 2016 em R$ 3.500 por deixar de aplicar a logo do Ministério do Turismo em um evento objeto de convênio. Ele não se manifestou.

- Veneziano Vital do Rego, senador: Respondeu a diversos inquéritos. Em 2018, foi acusado pela PGR de desvio de verba para banco de alimentos no período em que era prefeito de Campina Grande (PB). Chegou a ser condenado à perda do mandato de senador, mas a ação foi trancada pelo STF por uso de provas ilícitas. A defesa dele disse que, no curso da instrução processual, nada se produziu a respeito de atos dolosos ou culposos cometidos por Veneziano.

- Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra: Respondeu a diversos inquéritos. Foi delatada por receber R$ 500 mil via caixa 2 na campanha de 2010 pela Odebrecht, mas teve o inquérito arquivado no STF por prescrição. A defesa dela disse que todas as doações da campanha foram contabilizadas oficialmente e declaradas à Justiça Eleitoral.

- Orsine Oliveira Júnior, ex-secretário de Turismo do Amazonas: Em 2022, foi multado em R$ 392,3 mil pelo Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) por não cumprir com a Lei de Acesso à Informação e cometer diversas irregularidades em contrato firmado enquanto esteve à frente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas. Foi condenado por divulgar falsa pesquisa eleitoral em benefício de José Melo nas eleições de 2014 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Vários boletins de ocorrência foram registrados pela ex-namorada, Bruna Paes Barreto, por agressões e maus-tratos. Ele não se manifestou.

 

Com um currículo desses, difícil acreditar em Papai Noel.

Que os julgadores das redes sociais, os juízes da “verdade”. Os arautos da retidão, se manifestem. A favor da defesa dos seus, claro.

Até a próxima!


Autor: Dilerman Zanchet – Radialista e Jornalista (DRT 360/03-18)


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