Os precursores

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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            Todo acontecimento precisa de precursores. E quanto maior o acontecimento mais amplamente precisa ser anunciado e preparado para desperta o ânimo, chamar atenção para que o acontecimento seja desejado e não passe despercebido. Como exemplo temos a Copa do Mundo. A decisão de fazer a Copa do Mundo no Catar em 2022 foi tomada há muitos anos. Desde aquele dia vários anúncios foram feitos, múltiplas decisões foram tomadas e inúmeros encaminhamentos foram feitos. A realização da Copa do Mundo é como um coroamento de toda preparação.

            O Natal foi preparado por grandes precursores, entre eles se destaca o profeta Isaías. Como também o começo da vida pública de Jesus teve como precursor João Batista. No tempo presente, para que se perceba a presença de Jesus Cristo no mundo e seja acolhido tem-se necessidade de anunciadores sempre com o objetivo de preparar o ânimo, chamar atenção e desencadear medidas permitindo a acolhida do Salvador.

            O profeta Isaías 11,1-10 anuncia e apresenta os traços fundamentais do Messias que haveria de vir. Parte de simples imagens do mundo vegetal e animal para caracterizar o anunciado. “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor”. A origem do Messias se dá de onde não se espera, assim como os brotos e as flores de espécies de árvores que cortadas não brotam mais. Sobre o Messias “repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus”. O Messias terá todos os dons que envolvem a existência humana com os quais poderá realizar grandes obras. Promoverá a renovação e a construção de um mundo onde “não julgará pelas aparências”, “nem por ouvir dizer”, mas “trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos”. Do mundo animal, cita animais que são hostis entre si que viverão de forma harmônica, para exemplificar a paz messiânica. Aquilo que parece impossível, mesmo na natureza, é possível para Messias.

            João Batista surge com a missão de preparar e aplainar o caminho diante do Messias. Chama os ouvintes a tomarem medidas para perceberam a presença de Jesus Cristo entre eles, além de arrependerem-se dos pecados e corrigirem as mazelas da sociedade. Com palavras diretas e duras alerta para a urgência de produzirem frutos bons como prova de conversão.

            Recordar o passado não é suficiente e nem é a finalidade do Advento. A memória coloca-nos dentro da história da salvação e aponta para onde precisamos caminhar. Enquanto prossegue o caminho do Advento nos preparamos para celebrar o Natal de 2022. A voz de Isaías e de João Batista continua a ecoar como um convite urgente a abrir o coração e a acolher Jesus Cristo que vem entre nós para manifestar o amor e o juízo divino. O evangelista João 5,22 escreveu: “Com efeito, o Pai não julga ninguém, mas deu todo poder de julgar ao Filho”. Comenta Bento XVI, “E é hoje, no presente, que se decide o nosso destino futuro; é com o comportamento concreto que temos nesta vida que decidimos o nosso destino eterno. No findar dos nossos dias na Terra, no momento da morte, seremos avaliados com base na nossa semelhança ou não com o Menino que está para nascer na pobre gruta de Belém, porque é Ele o critério de medida que Deus deu à humanidade”.

 


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