Enriquecimento florestal: áreas de preservação da FUPF começam a ganhar 400 novas mudas de araucárias

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Ação tem a finalidade de aumentar a produção da espécie que é ameaçada de extinção e melhorar as condições de vida da fauna silvestre

Considerada um símbolo da região sul do país, a araucária é uma espécie fundamental para a conservação da fauna silvestre: a sua semente, o pinhão, é utilizada como alimento por mais de 70 espécies de animais. Apesar de ser muito conhecida, a planta enfrenta dificuldades de se regenerar naturalmente dentro das florestas. Preocupados com essa realidade, biólogos, professores e acadêmicos da Universidade de Passo Fundo (UPF) se uniram para realizar o plantio de 400 novas mudas de araucárias na Reserva Particular do Patrimônio Natural da Fundação Universidade de Passo Fundo (RPPN/FUPF).

A ação tem a finalidade de aumentar a produção da espécie que é ameaçada de extinção e melhorar as condições de vida da fauna silvestre. Todo o trabalho é desenvolvido por meio do Laboratório de Manejo da Vida Silvestre (Lamvis) da UPF, coordenado pelo professor Dr. Jaime Martinez, em parceria com o Green Office, a Floresta Nacional de Passo Fundo, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Projeto Charão/Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA). Também são parceiros do projeto o Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) e o Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCiamb) da UPF.

Primeiras mudas já foram plantadas
As primeiras dez mudas foram plantadas nesta quinta-feira, 1º de dezembro. “Iniciamos o processo de enriquecimento florestal da RPPN e ano que vem começaremos o manejo, pois além de criarmos área protegida para preservar a araucária, precisamos ter novos exemplares que substituirão as velhas quando elas morrerem”, explica o professor Dr. Jaime Martinez. “A araucária depende do manejo dos seres humanos porque ela não consegue competir com as demais plantas que crescem muito rapidamente e deixam ela na sombra, então necessita de manejo até que ela acesse o “teto” da floresta com pleno sol. A partir daí ela consegue se manter sozinha”, comenta o professor.

De acordo com ele, a araucária é uma das plantas mais difíceis de se auto renovar dentro da floresta. “Quando a espécie surgiu, há cerca de 230 milhões de anos, não havia plantas com crescimento rápido ao redor dela. Com o tempo, foram surgindo as plantas que chamamos de angiospermas e com isso a araucária está evolutivamente condenada a desaparecer, pois quando a semente cai ela germina devido a umidade e sombra, mas a partir de um ano ela precisa de muita luz, então se ficar à sombra começa a definhar”, destaca Martinez, ao ressaltar que, por este motivo, elas não conseguem passar de infantil para juvenil. “Aí entra a necessidade de entrar com manejo. Vamos ajudar a RPPN a aumentar a sua produção de araucárias plantando 400 mudas de excelente genética que estão sendo produzidas na Floresta Nacional de Passo Fundo, parceira desse projeto”.

A ação integra o projeto “Sequestrando carbono com árvores nativas estratégicas para a fauna silvestre”, desenvolvido pelo Laboratório de Manejo da Vida Silvestre, em parceria com o Green Office.

Presente no plantio das primeiras mudas, o chefe da unidade avançada do ICMBio, Adão Luiz da Costa Güllich, comentou a importância da ação e da RPPN para a preservação da biodiversidade. “Fomos convidados a participar desse importante projeto da UPF e selecionamos algumas matrizes de araucárias da Floresta Nacional de Passo Fundo que deram origem a essas 400 mudas. A RPPN da UPF é uma unidade de conservação federal na qual o ICMBio também tem responsabilidade de ajudar a cuidar, por isso estamos juntos nessa ação. Esperamos que essas mudas se desenvolvam e no futuro possamos vir até aqui registrar o crescimento delas”, disse.

RPPN tem araucária com 350 anos
Criada oficialmente há mais de seis anos, a RPPN da FUPF conta com 32,2 hectares de áreas naturais protegidas. Atualmente, o espaço abriga cerca de 60 araucárias de vários tamanhos e idades. A mais antiga delas tem cerca de 350 anos. Ainda, das 70 espécies que se alimentam do pinhão direta ou indiretamente, em torno de 40 espécies de animais serão beneficiadas na RPPN pela cadeia alimentar que tem o pinhão na base.

Fotos: Tainá Binelo




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