RABISCOS SEMANAIS: Roseiral Societário!

 27/12/2022 - 07:57hrs
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Roseiras encantam! Belas, perfumadas e, por natureza, espinhosas! Recentemente uma pessoa próxima externou: “Hoje, estava a cuidar minhas roseiras!” Zelar por um jardim exige tempo, dedicação, interesse, sensibilidade estética, e por que não dizer, capacidade de perdoar, avaliar, agradecer e buscar horizontes outros! Outrossim, no roseiral contemporâneo de uma espinhosa sociedade, neste pós-natal, às vésperas de 2023, afetos e encontros, reconciliações e recomeços, planos e metas, desvelar-se-ão como verdadeiras raridades à alteridade do bem viver! 

Há poucos meses a eminente e peçonhenta sindemia sociopolítica, econômica e sanitária surrupiou a frágil dignidade da comunidade humana e, por certo, da natureza como um todo. À memória histórica faz-se salutar revisitar a árdua experiência perpetrada às entranhas socioculturais, político econômicas, étnico religiosas e raciais de todos os povos. Compreende-se ser imprescindível dialogar acerca destes acontecimentos, buscar caminhos conscientes de entendimento e não fustigar-se ao silêncio do não dizer ou furtar-se da realidade, pois, crises e admoestações são superadas, sim, com profícuo trabalho, serenidade, discernimento, revisão de ações, estratégias e disposição para caminhar outros rumos possíveis.  

A coragem profética do tornar-se verdadeiramente humano, por confiar que a graça divina alcança a cada pessoa pelo nascimento de Jesus, o Emanuel, Deus Conosco, credita à humildade crítico-fraternal de ir ao encontro do outro(a) para, se houver algo errado, olhar nos olhos e, com franqueza e respeito, expressar-se em gestos, palavras ou dispor-se à escuta que cura e liberta de possíveis ferimentos causados, talvez, pelos espinhos cotidianos. Para tanto, ter-se-á que primar pela sinceridade e honestidade, pela firmeza e graciosidade, consigo e com outrem, pois, a conviviabilidade requer certo coabitar de utopias concretas que permitam assertivas indagações, quais sejam: Quem cuidará as roseiras de um quintal desabitado? O exalar aromas e perfumes constitui metas e adjetivos presentes ao florescer do bem comum? 

Neste construto poliédrico do existir e do crer, do sonhar e do ser, de refletir e conviver, vislumbra-se o mistério à plena vida e ao transcendente, seja pelo agradecer e perdoar, ou ainda, no avaliar e planejar que requer, à sustentabilidade amistosa e social, registrar-se seja pela escrita, por imagem, pelo afeto ou verbalmente. A esperança salvífica cultivada desde outrora, em caminho exodal, a florir qual rosa no deserto, tornou-se, a saber, melodia profética quando Zacarias expressou: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo. Fez aparecer para nós uma força de salvação na casa de seu servo Davi, como tinha prometido desde outrora, pela boca de seus santos profetas, para nos salvar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam. Ele usou de misericórdia para com nossos pais, recordando-se de sua santa aliança e do juramento que fez a nosso pai Abraão, para conceder-nos, que, sem temor e libertos das mãos dos inimigos, nós o sirvamos, com santidade e justiça, em sua presença, todos os nossos dias” (Lc 1,69-74). 

Ele está no meio de nós, é verdade! Portanto, recorde-se que ser autenticamente humano e divino, neste contemporâneo roseiral societário, perpassa, à luz do Evangelho, o caminhar juntos(as), a misericórdia, a justiça e a árdua experiência fraterna do conviver, apesar das agruras, agradecidos(as); tal qual reverberou a jovem e grávida, Maria, hoje, mãe: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre” (Lc 1,46-56). 

Padre Leandro de Mello – @padreleojuventude. Passo Fundo, 27 12 2022.

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