Pneumologista do HC orienta sobre implicações na saúde respiratória

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A redução da umidade do ar gera efeitos no organismo. Apesar de maior incidência no inverno, o clima do verão também pode prejudicar quem sofre com as doenças respiratórias. O médico pneumologista, membro do corpo clínico do Hospital de Clínicas (HC) de Passo Fundo, Dr. Gustavo Szortyka explica quais são as doenças mais prevalentes com o tempo seco. “Três doenças respiratórias destacam-se por apresentar um segundo pico de incidência anual (embora menores do que no inverno) com o tempo seco: Asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e Rinite Alérgica.”

 

O especialista pontua como a baixa umidade do ar afeta o corpo. “A perda de água por evaporação no epitélio respiratório (ressecamento da mucosa), estimula a liberação de mediadores inflamatórios que promovem principalmente congestão nasal e outros sintomas de rinite alérgica. Nos brônquios, o aumento da inflamação da mucosa pode levar à broncoconstrição (fechamento dos brônquios) e influencia negativamente o batimento dos cílios, estruturas microscópicas que ajudam na limpeza das vias aéreas.” esclarece Dr. Gustavo Szortyka.

 

O pneumologista complementa que a umidade do ar, quando ideal – entre 40 e 70%, segundo a Organização Mundial de Saúde, reduz a circulação e dispersão de alérgenos na atmosfera. Portanto, quando este índice é menor, o tempo seco mantém os alérgenos suspensos no ar por mais tempo, prolongando a chamada estação do pólen.

 

“Cabe ressaltar que além das enfermidades respiratórias, outras doenças também podem exacerbar com a baixa umidade do ar, entre elas, a síndrome de sjögren e a dermatite atópica.”

 

Cuidados pessoais que podem fazer a diferença

 

O pneumologista Dr. Gustavo Szortyka explica também quais medidas podem ser utilizadas no ambiente na tentativa de aumentar a umidade do ar. “Ainda há bastante dúvida na literatura médica sobre o que realmente funciona do ponto de vista de cuidados com o ambiente. Em 2019, um pequeno estudo brasileiro realizado em Goiânia testou 3 estratégias para aumento de umidade em um quarto de 15 m²: toalha molhada, bacia contendo 5 litros de água e umidificador de ar. Tanto o umidificador de ar quanto a tolha molhada foram capazes de promover aumento significativo da umidade. A bacia de água, por outro lado, não demonstrou aumento relevante da umidade do ar.”

 

Alguns cuidados pessoais são importantes para evitar que o tempo seco prejudique a saúde. “Deve-se lembrar que, apesar de constituírem estratégias efetivas para aumento da umidade, não foi demonstrado se essas medidas reduzem efetivamente os sintomas ocasionados pelo tempo seco. Os cuidados pessoais que precisam ser reforçados nesse período são a lavagem das mãos e a manutenção do tratamento já prescrito para aqueles com doenças de base (medicamentos inalatórios, lavagem e corticoides nasais etc.).”

 

Vários sintomas estão relacionados à baixa umidade do ar, prejudicando a qualidade de vida dos pacientes. “Os efeitos no epitélio respiratório citados acima podem implicar uma série de sintomas, a saber, coriza (nariz escorrendo), espirros, obstrução e prurido nasal, sensação de plenitude facial, tosse, dor de garganta, chiado no peito e falta de ar. Todos esses sintomas sinalizam a possibilidade da existência de uma doença de base, na maioria das vezes rinite alérgica ou asma, e devem ser avaliados por médico especialista. Sangramentos nasais com pequeno volume de sangue também podem ocorrer. Sendo o sangramento de pequeno volume e facilmente estancado, geralmente não há necessidade de avaliação médica de urgência.”

 

Quando é necessário avaliação médica?

O pneumologista esclarece quais são os casos que devem ser avaliados por um especialista. “O aparecimento do sintoma de falta de ar deve ser obrigatoriamente avaliado por um médico, com brevidade. Os sintomas das vias aéreas superiores (do pescoço para cima) podem ser inicialmente observados e, se muito intensos, progressivos ou com aparecimento de febre, devem ser preferencialmente avaliados por um médico. Ressalta-se que com o surgimento das novas variantes do SARS-CoV-2 tornou-se impossível estabelecer com segurança a presença do vírus baseado apenas do relato dos sintomas do paciente. Toda síndrome gripal deve ser testada para covid-19.” finaliza Dr. Gustavo. 

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