Transfiguração do Senhor

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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O prefácio da missa do segundo domingo da quaresma reza: “Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos Profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela Paixão e Cruz, chegará à glória da ressurreição”. Jesus prepara os discípulos para os dias violentos da sua condenação e morte. Dias assustadores que poderiam desaminar os seus seguidores por isso lhes mostra o que virá depois, a ressurreição. O corpo desfigurado será transfigurado. Os textos bíblicos da liturgia (Gênesis 12,1-4; salmo 32, 2 Timóteo 1,8-10 e Mateus 17,1-9) convidam para contemplar o rosto de Jesus e escutar a sua voz. Duas atitudes que levam a mudanças profundas.  

O evangelista registra que “seu rosto brilhou como sol”. O rosto é parte reveladora de Deus e de cada pessoa. Que seria de Deus e dos homens sem rosto? O salmo 27, 8-9 reza: “Meu coração me lembra teu apelo: “Buscai a minha face!” Sim, a tua face, Senhor, eu busco. Não afastes de mim o teu rosto”. Jesus revela seu rosto divino. A luz é o símbolo mais apropriado para falar do rosto divino, revelando ser o princípio da criação. A luz é fonte de alegria e sinal de amor. Jesus brilha, lembrando a nova criação.

Somos chamados a ver o Senhor face a face (cf. 1 Cor 13,12) e refletir a sua glória. “Todos nós, porém, com o rosto descoberto, refletimos como um espelho a glória do Senhor e, na mesma imagem, somos transformados, de glória em glória, pelo Espírito do Senhor” (2 Cor 3,18). O homem vai ao encontro de Deus com suas necessidades e seu rosto sofrido marcado pelo tempo. Contemplando o rosto de Jesus que “brilhou como sol” o rosto humano é iluminado e transformado.

Os textos falam em escutar a Deus. Pela disponibilidade de escutar, Deus pode entrar na vida dos humanos. Escutar é uma atitude consciente de abrir-se ao outro. A escuta dá novo rumo para a pessoa. Abrão, escutando a voz de Deus, é convidado a sair da sua terra. A escuta será uma bênção para ele, como também “serão abençoadas todas as famílias da terra!” 

Na Carta a Timóteo, São Paulo recorda “que Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa”. Aos chamados “fez brilhar a vida e a imortalidade do Evangelho”. Paulo pede o empenho de Timóteo pelo Evangelho por que é anúncio e experiência de salvação. A salvação é dom e não mérito nosso. Se Timóteo escutar a Paulo e empenhar-se pelo Evangelho, que é o próprio Cristo, a salvação pode chegar aos homens dando-lhes novo rumo na sua existência. 

Os três apóstolos, após contemplarem o rosto transfigurado de Cristo, ouviram uma voz: “Este é meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o”. A experiência arrebatadora vivida pelos três era o suficiente para que somente escutassem a voz de Jesus Cristo, entre tantas vozes. Uma escuta atenta que se torna obediência daquilo que é dito, e consequentemente, seguimento. Os discípulos são convidados a reafirmar a sua confiança em Jesus e dispor-se a segui-lo, mesmo que seja o caminho do calvário.

“A mensagem litúrgica de hoje é de otimismo radical e de esperança firme, e não ilusória. Jesus é nosso companheiro de caminhada até a luz final; com ele somos capazes de superar a prova da fé e experimentar a libertação gratificante da auto renúncia e da cruz na quaresma de nossa vida, no caminho para a Páscoa com Cristo”. (Basilio Caballero)

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