Neste domingo, a liturgia da Palavra provoca refletir: “a ganância é necessária? Guardar dinheiro e apegar em demasia aos bens materiais é realmente necessário? ” Tantas pessoas costumam trabalhar de forma incessante, de tal forma que prezam mais por adquirir bens do que por apreciar tais bens seguindo a lógica de quanto mais acúmulo melhor.
No fim, o trabalho voltado apenas para a aquisição de bens, e não voltado à realização humana, acaba gerando vazio, pois, embora se pense nos bens e em como adquiri-los, no fundo são projetos, sonhos e coisas materiais, que, quando conquistados, não representam tudo o que prometiam e em muitos casos que, a pessoa, mesmo tendo, não sabe o que fazer com tais bens. Pois a ganância foi superior ao planejamento, ou seja, essa pessoa apenas teve a vontade e vaidade de querer, mas, no fundo, estava vazia de motivos para ter ou querer.
A Liturgia da Palavra deste domingo nos leva a repensar como viver de forma sábia, deixando a ganância de lado e colocando Deus e sua proposta, no coração como entoava o salmista: “a minha alma tem sede de Deus, pelo Deus vivo anseia com ardor” (Sl 41).
Na primeira leitura, que está no Livro do Eclesiastes (Ecl 1,2;2,21-23), o autor sagrado diz que tudo é vaidade e que tudo passa. No entanto, ele abre espaço para uma pergunta: “De que forma deixamos de viver de maneira vaidosa se tudo é vaidade? ” Essa pergunta deve ser respondida com fé. Isto é: apenas Deus pode preencher nossos corações e acabar com a vaidade presente neles. O plano de Deus é maior do que qualquer plano humanista. Então, buscai a Deus, e Ele te mostrará uma estrada sem fim. Este é o plano de Deus — um plano que foge dos bens materiais e foca na vida com significado, na vida com a presença de Deus.
Em continuidade à reflexão, na segunda leitura, carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-5.9-11), São Paulo nos diz que devemos buscar as coisas do alto, ou seja, buscar as coisas de Deus, para que possamos ser e existir em harmonia com o plano divino e, ao mesmo tempo, com os nossos irmãos. Pois esta é a vontade de Deus: que O busquemos e busquemos os Seus planos, mas amando plenamente os nossos irmãos com os nossos corações. Devemos criar um “homem novo”, isto é, matar aquilo que é vaidoso, ganancioso, mentiroso e que causa divisão na união proposta por Deus.
Já o Evangelho de Lucas (Lc 12, 13-21), Jesus, em resposta a um contenta familiar, conta a parábola do homem que planejava usufruir da riqueza, mas que, todavia, foi chamado por Deus. Nessa parábola, vemos que esse homem já havia feito planos para o futuro, imaginando como o dinheiro o faria feliz. Mas aí é que ele se engana: a felicidade não está no que o dinheiro poderá lhe dar amanhã, mas no que Deus lhe dá hoje. O homem faz tantos planos e cria o sentimento de que a riqueza o deixará descansar, o deixará feliz e liberto. Mas isso é uma ilusão. O dinheiro não realiza o ser humano, apenas o engana, fazendo-o pensar que a única felicidade será quando estiver rico e cheio de “liberdade”, sendo que todos já são libertos pela fé em Jesus Cristo (Gal 5,1).
Busquemos entender e aplicar isso no nosso cotidiano. Quantas pessoas passam horas trabalhando, dias sem dormir, planejando o que farão se vencerem na loteria; quanto tempo falta para a aposentadoria (isso se um dia ela chegar), e no fim esquecem de viver. Tantas pessoas que olham para o bem do próximo e o desejam para si; ou pelo menos querem ter a felicidade que o outro tem. Precisamos entender que não são as coisas materiais ou as alegrias do outro que nos farão felizes. O que nos realiza é Deus. Aquele que busca o Pai acaba se libertando da ganância e da vaidade humana, porque os critérios que fundamentam sua vida serão outros.
Tenhamos presente: a felicidade sempre esteve lá, bastava apenas buscar a Deus, estar em comunhão com Cristo, viver o agora, em vez de passar 90% do tempo desejando coisas alheias ou aquilo que “nos fará bem”.
Deus quer que O busquemos, que vivamos em harmonia com Ele, que nos alegremos com o hoje e com o que temos. Ele se revelou com esta intencionalidade. Deus quer que partilhemos o pão de cada dia, como Jesus Cristo nos ensinou. Deus quer que sejamos libertos em coração e em espírito. O que dá sentido à vida não é o que queremos ter ou o que cobiçamos, mas sim o que partilhamos e, acima de tudo, o amor que levamos.
Pe. Ari Antonio dos Reis
Wesllen Kauan Nunes da Silva