Grupo de Salto do Jacuí visitou a usina de reciclagem em Passo Fundo para trocar experiências, conhecer o processo de triagem e avaliar a possibilidade de formação de uma associação local
Os olhos atentos a todo o processo, muita curiosidade em relação a organização do grupo de recicladores e no coração a esperança de mudança de vida. Foi assim que a Reuse Brasil e a Recibela receberam na tarde de quarta-feira, 22, um grupo de recicladores de Salto do Jacuí, junto com representantes da administração municipal da cidade.
Na oportunidade, os associados da Recibela contaram a experiência de como iniciou o processo, ainda quando trabalhavam em uma montanha de lixo, catando materiais. “Era um grupo inteiro, trabalhava sem líder. Mas hoje temos uma pessoa que coordena e consegue organizar. Temos salário maior, mas horários para cumprir que é igual para todos”, disse Nelson Ramos , coordenador da Recibela.
Conversa
O grupo ainda explicou que a associação tem CNPJ, estatuto e regimento, planejamento e metas a serem cumpridas, além do cuidado com uso de equipamentos de segurança, cursos de aperfeiçoamento e união do grupo como principal fato de sucesso. Preços, produtos e fornecedores também foram tema da conversa entre as associações.
“Para chegar até aqui, tivemos muitos tropeços”, afirmou a presidente da Recibela Catarina da Rosa. “Chegamos a vender coisas de dentro de cada para poder estar aqui hoje”, completou Nelson, afirmando que o grupo chegou a receber R$ 46,00 em um mês, pela falta de condições que tinham na época.
“Hoje estamos em um céu aberto, com ganho bom e parceiros bons. Não é fácil, mas vocês chegam lá”, frisou Catarina ao grupo, contando que começou há 20 anos trabalhar na reciclagem na rua, com uma sacola na mão recolhia de manhã e vendia de tarde. Posteriormente conseguiu fazer o próprio carrinho e depois uma gaiota. Concluindo que hoje fica feliz com o ganho mensal do trabalho com reciclagem.
Exemplo
Há quatro anos um grupo de 35 pessoas formou a Associação Mãos Unidas na cidade de Salto do Jacuí, como conta o associado Dirceu Oliveira. Aos 56 anos, lamenta que a entidade não tenha tido êxito e ele teve que voltar para as ruas com carroça e cavalo para poder ter seu sustento. “Começamos com ajuda do prefeito que liberou para trabalhar com reciclagem, mas não conseguimos nos legalizar e viemos ver como funciona aqui, para tentar fazer funcionar a nossa”, comenta ele.
Dirceu conta que no começa era em 35 pessoas, mas o grupo reduziu para 15. “Tinha estrutura básica e tudo era feito na mão, sem máquina. Tinha esteira, pavilhão, funil, prensa e o resto era feito no braço”, lembra ele, pontuando que com o trabalho de reciclagem conseguiam tirar uma média de R$ 400,00 ao mês no grupo de 15 pessoas, sendo que a média reduzia para menos de R$ 300,00 quando o grupo era maior.
Sobre o processo que viu na usina de reciclagem de Passo Fundo, ele afirma: “O processo é muito bom, até chegar como estão aqui vai ser difícil. A esperança é se igualar a esse processo, mas estamos muito longe”, comenta. Solteiro, o pedreiro que deixou a profissão para fazer reciclagem tem esperança de mudar de vida. Hoje como catador nas ruas, ele reclama das condições, “Nosso problema são os atravessadores, que sucateiam o material e levam quase de graça o nosso trabalho”, declara ele.
O ganho com o trabalho na rua rende em média R$ 600,00 mensais, se o mês for bem trabalhado. “Quero aumentar a renda com nossa reciclagem e tem muitas pessoas que também precisam. Esse é nosso ponto de partida. Não temos outra coisa, a não ser essa esperança de voltar a trabalhar na associação”, declara Dirceu.
Visita
Além da associação de recicladores e representantes do poder público municipal de Salto do Jacuí, a Reuse Brasil recebeu neste dia a visita de uma comitiva da secretaria de Meio Ambiente de Marau, que conheceram as instalações da usina de reciclagem.











