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Pastoral da Terra: nota de declaração sobre o conflito agrário entre Indígenas e Agricultores do Município de Mato Castelhano

Já dizia o profeta Isaias: “o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão” (Isaias 59,9).

A Comissão Pastoral da Terra de Passo Fundo ouve, com o coração apertado, os clamores que vem dos camponeses da cidade de Mato Castelhano e do povo indígena Kaingang que se encontra na mesma cidade. A CPT por sua missão “quer ser uma presença solidária, profética, ecumênica, fraterna e afetiva, que presta um serviço educativo e transformador junto aos povos da terra e das águas, para estimular e reforçar seu protagonismo”.

Mas o que dói mesmo é ver a situação entre os pequenos agricultores e indígenas que se confrontam por uma injustiça. Injustiça histórica feita com os indígenas por sua história que mostram que foram arrancados de suas raízes há anos atrás. E uma injustiça com os agricultores que estão em cima das áreas indígenas sendo que estão nessa pressão diante da demarcação de suas terras.

Queremos nos unir aos Agricultores que sofrem com essa situação de desespero diante da demarcação de suas terras. E também com os Indígenas por sua luta diante do reconhecimento dos territórios ancestrais que recebem as mais diferentes promessas de apoio de autoridades, mas nunca se concretizam. Sempre esbarram no poder político do estado e da maior parte dos municípios onde vivem que os consideram um entrave para o progresso.

E também nós da CPT queremos ver resolução do Governador Tarso Genro, pois, não são somente os pequenos agricultores que estão apreensivos, mas também os indígenas, pois vivem na insegurança diante da promessa realizada pelo governo do Estado e da União. Não dá mais para viver nessa situação de insegurança onde homens, mulheres, jovens e crianças vivem com medo do que se pode levar esse conflito agrário.

Numa situação destas,  mais do que qualquer outra palavra se aplicam as palavras do profeta Miquéias: “Escutem, líderes e autoridades do povo! Vocês que deviam praticar a justiça  e, no entanto, odeiam o bem e amam o mal. Vocês tiram a pele do meu povo e arrancam a carne dos seus ossos. Vocês devoram o meu povo: arrancam a pele, quebram os ossos e cortam a carne em pedaços, como se faz com a carne que vai ser cozinhada. (Miq 3,1-3)

Kleber Jorge e Silva e Junior Centenaro

Coordenação da Comissão Pastoral da Terra de Passo Fundo

Passo Fundo, 12 de junho de 2013

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