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Convênio entre Ernestina e a UFFS possibilita residência médica e estudos sobre a Atenção Básica à Saúde

Desde 2013, um convênio entre o município de Ernestina e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) de Passo Fundo traz até a Unidade Básica de Saúde (UBS) ernestinense estudantes de medicina, a fim de mostrar-lhes o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) na Atenção Básica à Saúde, que ocorre nas unidades de atendimento nos municípios. Nos dois últimos semestres, uma turma de estudantes vivenciou o funcionamento do SUS e conheceu como são aplicadas as diretrizes dentro das políticas públicas do sistema. Uma nova turma virá a Ernestina nas próximas semanas para realizar, como a anterior, estudos em torno do SUS na UBS.

A vice-prefeita de Ernestina, Diná Lima da Silva, e a secretária de Saúde e Assistência Social, Adriana Voigt, entre outros integrantes das equipes da UBS e do Centro de Referência de Assistência Social/Centro Integrado de Aprendizagem e Atendimento a Crianças e Adolescentes (Cras/Ciaaca), receberam, na manhã de terça-feira, 29 de julho, os professores Vanderleia Pulga e Marcelo Soares Fernandes, representantes da universidade, para uma reunião de apresentação e definição de novos objetivos para a segunda turma de medicina que iniciará, nas próximas semanas, estudos sobre o SUS em Ernestina.

“Essa é uma experiência nova, sem precedentes, para toda a população ernestinense. A participação dos estudantes contribuiu muito”, avalia Adriana. Ainda segundo a secretária de Saúde e Assistência Social, as observações feitas pelos estudantes também auxiliarão no aprimoramento do trabalho realizado junto à população. “Após conhecerem a realidade do SUS na prática, eles fizeram apontamentos muito interessantes, como situações em que podemos melhorar e outras em que já desenvolvemos ações modelos, como a atenção às gestantes. Ao vivenciarem o trabalho promovido junto à população, os estudantes traçaram um perfil epistemológico do trabalhador rural, que nos auxiliará no desenvolvimento de ações ainda mais específicas”, explica.

No projeto, os estudantes passam por um processo de imersão, onde observam o funcionamento prático do SUS. No primeiro semestre, vivenciam as atividades realizadas dentro do sistema, como é feito o controle social e a atuação do Conselho Municipal de Saúde. No segundo, entendem como são implementadas as diretrizes nas políticas públicas específicas, como saúde da mulher, do homem, hipertensos, diabéticos, tabagistas, entre outros grupos que possuem trabalhos peculiares voltados às suas necessidades. Esses dois semestres correspondem à primeira etapa da residência que os estudantes da universidade federal devem realizar. Nessa primeira, os estudantes conhecem o funcionamento do SUS na Atenção Básica à Saúde, que ocorre em pequenos municípios como Ernestina. A segunda residência ocorre em hospitais de pequeno porte, onde observam trabalhos de média complexidade. Na terceira residência, os estudantes vivenciam a realidade de grandes hospitais, como os existentes em Passo Fundo e Porto Alegre. Além disso, durante essa terceira etapa, eles retornam aos pequenos municípios que conheceram na primeira residência para, agora, desenvolver ações diretamente com a população, tornando-se agentes na Atenção Básica à Saúde.

Conforme a professora que ministra aulas relacionadas à saúde coletiva, Vanderleia Pulga, “estar na comunidade é aprender a trabalhar em equipe, descobrindo como funciona o SUS na prática, nos municípios e nas comunidades”. “Essa imersão é fundamental para que os futuros profissionais conheçam a realidade do SUS na população, o que complementa a formação acadêmica. Se os profissionais médicos formarem-se somente dentro de hospitais de grande porte, não conhecerão plenamente como funciona o sistema, desde o atendimento básico até os casos de alta complexidade”, completa o professor e coordenador adjunto do Curso de Medicina da UFFS, Marcelo Soares Fernandes.

As possibilidades geradas pelo convênio são vistos pela secretária Adriana como um intercâmbio de benefícios. “Através das experiências vividas em Ernestina, pudemos mostrar aos estudantes que a Saúde é algo muito amplo, que precisamos agregar mais órgãos, pois não se faz Saúde somente com profissionais médicos, mas com moradia, saneamento básico, saúde física, psíquica, bem-estar, o que envolve uma equipe multidisciplinar. Em contrapartida, toda a equipe da Saúde e Assistência Social ganhou mais um aprendizado e estudos desenvolvidos sobre o trabalho que é desenvolvido, tudo com acompanhamento simultâneo da academia”, exalta.

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